terça-feira, 6 de junho de 2017


Para mim, talvez não exista algo tão singular numa profissão que cuida dos outros como seja o zelar pelo sono de alguém. Permanecer no mesmo espaço, sendo um terno cúmplice da cadência entre o luar e a consciência, constatando como nos tornamos tão idênticos com os olhos fechados.
Como os que se sentem fracos, sonham ser fortes.
Como na força, houve dor e escolha.
Como há cor, coragem, amor, beleza.
Como existe tanto que em verbalizações, ideias e ousadias ainda se pode prometer.
Como estamos vulneráveis, frágeis, serenos, meninos.
Observar tudo o que nos fez, nesse tempo adormecido.
As montanhas, rios, brisas quentes de um passado distante.
As saudades, desejos e suspiros, a melancolia e agitação, o que ficou por fazer, o que não se conseguiu obter, quem quer acreditar e quem definha na esperança.
Enquanto dormimos, repousa em nós alguma substância terrena que nos permite aproximar muito mais das constelações, estrelas, galáxias e das poeiras cósmicas de mil milhões de anos.
Pudéssemos nós senti-lo mais vezes enquanto acordados.

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