quarta-feira, 14 de junho de 2017

Em miúdos, não sei se seria pela tolice impulsionada pelas revistas, mas gostávamos de colocar perguntas triviais a nós, muito antes de chegarem as mais metafísicas como quem sou eu, de onde venho, ou qual o nosso propósito e ligações. Lembro-me que se gostava de perguntar com alguma ingenuidade na voz "que animal serias?" e de ouvir muitos dizerem cão, gato, golfinho, estrela do mar. Tento recordar-me e acho que falava muito em ovelhas e felinos, contudo não consigo precisar a resposta. Sei que era algo fofo e afectuoso sempre, porém não descarto que algum felino mais feroz me possa ter fascinado.
Hoje dei por mim a pensar por entre as ternas vicissitudes da vida, estas leves questões. E apraz-me dizer que não seria nem mais nem menos que um pássaro. Não queria pertencer a determinados ambientes e climas, contextos e grupos. Queria estar na montanha, depois na água, sobrevoar uma floresta, sentir o aconchego de um ramo de árvore, permitir-me a entender as leis da física existentes na progressão de um voo. Acho que assim sim, sentiria a vida, em toda a sua plenitude. Tal como sinto agora, embora os meus pés ainda façam alguma força para se quererem agarrar ao chão. A pergunta agora já não é qual seria o animal, mas o que quero de mim revendo-me nele.

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