quinta-feira, 29 de junho de 2017

Querido Universo,
vou confiar que trazes sempre o que tiver de ser, no tempo certo. Mesmo que pareça desorganizado, ilógico, doloroso. És tu já a preparar, já a pôr no caminho. Que se de alguma forma somos poeira e explosões cósmicas de mil milhões de anos, o teu conhecimento e energia está em mim, como em todos os que por aqui andam. Que sabes as escolhas, porque te escolherei inconscientemente, pois encaminho-me para ti, à minha maneira, nas decisões, escolhas e ideias que vou tendo. No que vou conhecendo e quero conhecer. Na amplitude que me permito a ter para ir vendo as plantinhas a crescer, o amor nascer, o melhor de mim a vir. Sabes bem que não quero ser cinzenta, monocórdica e absolutamente limitada. Se vim de ti é para não o ser. E sabendo isso, aceito tudo o que possa vir, porque nessa certeza eu sei que não estou só a crescer. Estou a expandir.

terça-feira, 27 de junho de 2017

domingo, 25 de junho de 2017

E chego a casa. Dirijo-me vagarosamente para a janela, como quem sabe que a espera tem sempre um retorno, um sentido, um presente. Abro aquelas superfícies duras em par e o meu coração solta-se num uníssono com a paisagem. A paisagem que tantas vezes contemplei e que me ensinou a saber amar. A ser livre como só ela, numa altura onde eu queria ser tudo menos livre. Fazia exatamente o contrário. Tinha pertenças, pertences e a entrega era condicionada. Só ali me encontrei ao ver aquela vastidão dos dias, as nuvens a desfazerem-se nas serras, a lua a balouçar sob a perfeição, as árvores vigorosas e calmas que testemunhavam a passagem dos anos. Essa paisagem, pudesse eu levá-la. Pudesse eu sonhá-la todas as noites, aconchegar-me o coração quando tudo é betão e descartável. Conseguisse eu conversar com ela e dizer-lhe que fiquei mulher. Que aprendi a largar, a ceder, a não vitimizar. Que a natureza não tem dramas e certezas e que justamente aí, eu me quis associar à sua vida. Para ser mais maleável, mais íntegra e inteira. Foi isso que a paisagem sempre pediu, em silêncio, quando agitava o vento nas encostas, quando as nuvens traziam mudanças e o sol, o calor dos dias que foram. Mas principalmente, o sol dos dias que ainda estavam por vir, quando o interior fica gradualmente mais iluminado.
"Em boa verdade, as relações só nos revelam a nós próprios. Concedemos às pessoas pistas como podem amar-nos, como eles vêm a amarmo-nos. E é verdadeiramente sobre nós e da nossa relação connosco, o que é reflectido. Nós atraímos pessoas que nos vão permitindo crescer, que nos convidam a crescer e que ajudam a subir os mais altos degraus da auto-expressão. E não acontece sempre conscientemente ou de forma agradável... simplesmente acontece. Aproveita as oportunidades de os outros te mostrarem o quanto te amas."


sábado, 24 de junho de 2017

"Eu não quero protecção, impunidade, segurança ou domínio! Eu quero ser eu própria, sentir, vibrar e poder ter um êxtase, uma vez na vida. Quero o risco de ser quem sou. Quero acreditar que sou protegida pela luz, mas não para ser impune. Não para ser impune. Pelo contrário! Para poder viver tudo o que tiver para viver, todas as emoções, alegrias e tristezas, para finalmente ser uma pessoa inteira, completa, verdadeira. Uma pessoa que não se esconde."
Solnado

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Don't Let Me Down



Ai o amor o amor...
Esse sentimento que nos vem ensinar tanto através das ligações com os outros.
As visíveis num sorriso, as visíveis na forma como os olhos percorrem o pescoço e entram no olhar do outro profundamente...
As invisíveis na forma como o coração está a sorrir, está a cantar, está embalado, está tolo, ouve passarinhos e moinhos e água a descer pelas encostas...
O AMOR! Esse sentimento que quando verdadeiro nos ensina a querer sem posse, a identificar sem pertença, a respeitar com identidade. O amor, esse, que quando chega, muda as nossas vidas...
Eu conheci o amor. E por conhecê-lo, deixo-o ir onde ele tem que pertencer...
Ao vento fresquinho.
Ao que está por vir.

E no meio disso, eu também serei embalada para outros ventos.

Quiçá, algum, que me diga "ainda bem que aprendeste a amar, pois aguardei-te nisso".

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sincronismo é a forma como o Universo vai enviando mensagens, que a mente interpreta súbita ou indirectamente como fontes que aproximam e sensibilizam a um caminho interdependente. Só a astúcia e lucidez poderão ajudar a definir que fonte é essa, para onde corres, qual o tempo. Sê paciente, sorri, sente humildemente e repara como é grato todo este sentimento de pertença a algo maior... 
Cheira a mar dentro de ti.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Caetano, você é linda, digo eu sobre a vida

Ainda me lembro quando deveria ter uns 20 anos e de ouvir em estado meditativo-introspectivo, esta música num rádio distante. Eram aqueles anos em que sentimos as inconsequências à flor da pele, onde tudo é arrebatado mas incerto e tão doloroso quanto maravilhoso. Como que ainda não existindo um limite definido entre o florir das experiências e o que possivelmente se deveria prestar atenção nas suas advertências encobertas. 
Sei que nessa altura, pensava eu sobre o amor. A ouvir os assobios, a melodia, a bateria, enquanto a noite inundava o céu e o meu coração. Recordo-me do sofrimento, porque estava a começar a dar os primeiros passos naquilo que são as aprendizagens que se perpetuaram até hoje e que,para minha evolução, muito precisam de continuar.
Amor é dignidade. Humildade. Para connosco e os outros. Não é posse, exigência, dar por adquirido. Ter gozo ou ser gozado. É honra nos comportamentos. Assertividade natural que flui e se potencia em conjunto. É paciência, compreensão, entrega incondicional. Acreditar que o livre arbítrio é tão forte quanto o encaminhamento que o Universo oferece. 
Amar é ser livre e ser livre é amar, tendo paz e sendo paz para alguém. É encher de respeito o coração e não a boca.
E hoje, ao ouvir o Caetano a dizer você é linda, apetece-me dizer que ele fala da vida, caracteriza-a assim, tão simplesmente. A vida é linda quando o amor nos vem mostrar outravez como é que se aprende a amar. Tudo novamente.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Em miúdos, não sei se seria pela tolice impulsionada pelas revistas, mas gostávamos de colocar perguntas triviais a nós, muito antes de chegarem as mais metafísicas como quem sou eu, de onde venho, ou qual o nosso propósito e ligações. Lembro-me que se gostava de perguntar com alguma ingenuidade na voz "que animal serias?" e de ouvir muitos dizerem cão, gato, golfinho, estrela do mar. Tento recordar-me e acho que falava muito em ovelhas e felinos, contudo não consigo precisar a resposta. Sei que era algo fofo e afectuoso sempre, porém não descarto que algum felino mais feroz me possa ter fascinado.
Hoje dei por mim a pensar por entre as ternas vicissitudes da vida, estas leves questões. E apraz-me dizer que não seria nem mais nem menos que um pássaro. Não queria pertencer a determinados ambientes e climas, contextos e grupos. Queria estar na montanha, depois na água, sobrevoar uma floresta, sentir o aconchego de um ramo de árvore, permitir-me a entender as leis da física existentes na progressão de um voo. Acho que assim sim, sentiria a vida, em toda a sua plenitude. Tal como sinto agora, embora os meus pés ainda façam alguma força para se quererem agarrar ao chão. A pergunta agora já não é qual seria o animal, mas o que quero de mim revendo-me nele.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Através de Brian Weiss

"Inverteste a realidade e a ilusão. A realidade é o reconhecimento da tua imortalidade, divindade e eternidade. A ilusão é o teu mundo transitório tridimensional. Esta inversão está a prejudicar-te. Anseias pela ilusão da segurança em vez da segurança da sabedoria e amor. Anseias por ser aceite quando, na realidade, nunca podes ser rejeitado. O ego cria a ilusão e esconde a verdade. O ego deve ser eliminado para que então a verdade possa ser vista. Com amor e compreensão vem a perspectiva da paciência infinita. Qual é a pressa? De todas as formas o tempo não existe; apenas parece que existe. Quando não estás a viver o presente, quando estás absorvido pelo passado ou preocupado com o futuro, infliges a ti próprio grande desgosto e angústia. Também o tempo é uma ilusão. Mesmo no mundo tridimensional, o futuro é apenas um sistema de probabilidades. Por que te preocupas tanto?"
O tempo de parar não é o tempo de morrer, perecer, ficar estático.
É o tempo de contemplar o céu, deitado no chão do que a vida trouxe de frio e inevitável.
E não unir os pontinhos especiais e brilhantes com as mãos, mas com uma imaginação que seja puramente intuitiva e não permita o lógico perturbar o indizível. Porque o infinito, na mesma proporção em que não tem uma medida exata, também nos deve relembrar que o nosso coração é permanentemente extensível.
E assim, deitada nesse chão, eu não uno só as estrelas. Junto-me a elas.

sábado, 10 de junho de 2017

Alguém 1 - (...) Lá está, agora quero evitar sorrisos, olhares, conversas de circunstância...
Alguém 2 - Enfim... você quer evitar a vida. E isso... não dá.

(E fez-se luz)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Estar numa praia deserta
e nesse horizonte perdido
não saber se me transformo em sal
ou num luar reflectido...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Pedaços de inspiração

A Amélia coube a então difícil tarefa de se desvincular da linha histriónica que o mestre professava. Rosa não era um actor qualquer, mas o prestigiado co-fundador da companhia à frente do Teatro Nacional. Formado na eloquente escola de declamação romântica, dominada por abundante gesticulação e regulada pose e alternada por lágrimas, suspiros e gritos de todas as tonalidades. Mas em meio tão adverso à nova corrente, o derrube de velhos códigos e práticas de representação terá sido um processo moroso e híbrido.
Amélia parece percepcionar o excesso de academismo das aulas do mestre. Conta "eu tinha muito bom ouvido, apurado naturalmente no meio musical em que tinha nascido (...) à força de querer obedecer cegamente a meu mestre, nos textos em que trabalhávamos juntos, sem ter o propósito de o imitar, tinha, ao que parece, apanhado muitas das suas inflexões, a tal ponto que o caso já começava a ser comentado a meu desfavor. Chamou-me um dia a sua casa, o meu amigo Dr. Afonso Lopes Vieira, e ali, na sua biblioteca a sós comigo, durante umas horas tentou convencer-me a que, ao iniciar a minha carreira profissional, eu devia esforçar-me por me libertar da influencia do Mestre e provar o que poderia fazer só por mim (...) Não pretendia, é claro, criticá-lo mas somente - e com muita razão - fazer-me compreender "o seu a seu dono", e que o que naquele grande artista era um sinal da sua poderosa personalidade, na minha boca e juventude se tornaria pretensioso e feio."

Fotobiografias do Séc XX, Amélia Rey Colaço

Para mim, talvez não exista algo tão singular numa profissão que cuida dos outros como seja o zelar pelo sono de alguém. Permanecer no mesmo espaço, sendo um terno cúmplice da cadência entre o luar e a consciência, constatando como nos tornamos tão idênticos com os olhos fechados.
Como os que se sentem fracos, sonham ser fortes.
Como na força, houve dor e escolha.
Como há cor, coragem, amor, beleza.
Como existe tanto que em verbalizações, ideias e ousadias ainda se pode prometer.
Como estamos vulneráveis, frágeis, serenos, meninos.
Observar tudo o que nos fez, nesse tempo adormecido.
As montanhas, rios, brisas quentes de um passado distante.
As saudades, desejos e suspiros, a melancolia e agitação, o que ficou por fazer, o que não se conseguiu obter, quem quer acreditar e quem definha na esperança.
Enquanto dormimos, repousa em nós alguma substância terrena que nos permite aproximar muito mais das constelações, estrelas, galáxias e das poeiras cósmicas de mil milhões de anos.
Pudéssemos nós senti-lo mais vezes enquanto acordados.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O efeito do tempo e a mutabilidade das coisas

Deveríamos ter sempre diante dos olhos o efeito do tempo e a mutabilidade das coisas, por conseguinte, em tudo o que acontece no momento presente, imaginar de imediato o contrário, portanto, evocar vivamente a infelicidade na felicidade, a inimizade na amizade, o clima ruim no bom, o ódio no amor, a traição e o arrependimento na confiança e na franqueza e vice-versa. Isso seria uma fonte inesgotável de verdadeira prudência para o mundo, na medida em que permaneceríamos sempre precavidos e não seríamos enganados tão facilmente. Na maioria das vezes, teríamos apenas antecipado a acção do tempo. Talvez para nenhum tipo de conhecimento a experiência seja tão imprescindível quanto na avaliação justa da inconstância e mudança das coisas. Ora, como cada estado, pelo tempo da sua duração, existe necessariamente e, portanto, com pleno direito, cada ano, cada mês, cada dia parecem querer conservar o direito de existir por toda a eternidade. Mas nada conserva esse direito, e só a mudança é permanente. 

Prudente é quem não é enganado pela estabilidade aparente das coisas e, ainda, antevê a direcção que a mudança tomará. Por outro lado, o que via de regra faz os homens tomarem o estado provisório das coisas ou a direcção do seu curso como permamente é o facto de terem os efeitos diante dos olhos, sem todavia entender as suas causas. Mas são estas que trazem o germe das mudanças futuras, enquanto os efeitos, únicos existentes para os olhos, nada contêm de parecido. Os homens apegam-se aos efeitos e pressupõem que as causas desconhecidas, que foram capazes de produzi-los, também estão na condição de mantê-los. Nesse caso, quando erram, têm a vantagem de fazê-lo sempre em uníssono. Sendo assim, a calamidade que, em decorrência desse erro, acaba por atingi-los, é sempre universal, enquanto a cabeça pensante, caso erre, ainda permanece sozinha. Diga-se de passagem que temos aqui uma confirmação do meu princípio de que o erro nasce sempre de uma conclusão da consequência para o fundamento. 


Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Por Carlos Braz Saraiva

"Porque se diz que os não heróis não têm lugar na História, o medo do fracasso perpassa continuamente. Trata-se de uma perigosa armadilha, na medida em que perante o teste da realidade não existe nenhuma super-estrutura psicológica capaz de se alcandorar ao ponto de ultrapassar todas as fasquias sociais. Se não admitirmos escapatórias para as pequenas frustrações do quotidiano, próprias da condição humana, logo poderemos interpretar qualquer dissabor ou contratempo como uma humilhante derrota pessoal. E isto é confundir a árvore com a floresta. A parte com o todo."