sexta-feira, 7 de abril de 2017

Há sempre algo a fazer

Ligo a televisão e assisto ao descontrolo no mundo. Aquele que não me era bem perceptivel quando brincava às escondidas pela rua, quando sofria com materialismo juvenil, ou quando a vida adulta emancipava dor e decisões percepcionadas na escala da ansiedade invidivual. Eu não consigo mudar a guerra na Síria, o tráfico de diamantes, pessoas, orgãos, animais, dogmatismos religiosos e políticos, violência terrorista e política, o degelo, a indiferença quotidiana nos olhos das pessoas, que as redes sociais sempre colocam um pouco mais sorridentes. Não sendo perfeita nem mais do que alguém, é mesmo aí que reside a humildade necessária para me vulnerabilizar e crescer, sabendo a necessidade dos outros e dos outros em mim. Portanto qual poderá ser o meu contributo? Se não posso mudar a uma escala global, essa que me vem chegando atráves de múltiplos canais. 
Posso pensar, sentir e fazer de cada pessoa que passe por mim alguém respeitável, em que consiga transmitir trato gentil e digno pelo que é. Elogiar, sorrir, ver o melhor de alguém e dizê-lo. Saber partilhar um espaço, seja físico ou afectivo. Ser educada, ter bons modos mesmo para aqueles que a moral nos coloca em dilema. 
Por mais que não mude o destino trágico por onde nos movemos (porque a Síria é aqui, África é já ali e nada se move como se não fosse de todos), por agora sei o que preciso trazer na consciência. Fazer do m2 onde me movo, um local onde quem está não seja lixo, indiferença, desnivel ou objecto de inferioridade, frustrações e animosidade. E assim, morrendo sem um activismo global, ao menos que este compromisso com a paz e respeito seja o melhor activismo individual que possa ter exercido

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