quarta-feira, 19 de abril de 2017

Disse-me um dia um passarinho que se me pousou na janela:

Hás de aprender a ser mais solta! Não pode ser dar, espreitar, ter optimismo cego, para em seguida te retirares para a gaiola e ver os pensamentos a se auto-incendiarem. O ferro das gaiolas também existe numa cabeça que tenha medo de mudar. Mudar é voar e voar tem possibilidades infinitas, naquilo que sairás mais enriquecida, porque nada é falhar, todo o conhecimento é eterno, útil, e os erros só demonstram que houve vontade em aprender. Seja ela vinda da humildade ou de excesso de confiança. E cada pássaro terá os seus tamanhos de asas, não te culpes por os teus não serem como querias. Responsabiliza-te antes pelo uso que lhes vais dando. 

E depois disto voou para parte incerta e ainda não me voltou a aparecer na janela, muito embora desconfie de o ter visto a espreitar-me um destes dias.

A responsabilidade é nossa

Há lá coisa mais genuína que, em não te comparando com o que os outros fazem ou pensam, mudas o que fazes ou pensas conforme seja o teu padrão!! Porque sinal de inteligência e evolução é esse, saber que fazes frente a uma data de factos, forças e fraquezas que hoje te determinaram. E o que nos determina é lixado, produto genético, educacional, empírico e adquirido. Cá por dentro é um luta constante que não pode perecer em batalhas campais de inércia ou impulsividade. É saber analisar previamente o que sempre se fez e melhorar com isso. É não ser 8 e 80 e 80 e 8, como também não é esbanjar a inteligência e meios motivacionais que cada um tem a obrigação de polir. Não é esperar recebê-lo de outros nem caminhar até outro país para encontrar no fundo de um poço ou no alto de uma  montanha. A mudança está em nós e ela segue-nos sempre na esperança de um dia repararmos que somos o produto de a usarmos ou declinarmos...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A cada dia que passa, por mais que o filtro esteja distorcido e a dureza da vida te vá deixando ora respirar, ora ficar mais apneico, és único. E nessa condição tão sujeita a foto de instagram, post inspirado e incremento em algures, é a única filha da putice de coisa que mereces saber, para seres grato a esta oportunidade, que para outros é mais sofrida, mais injusta, mais conflituosa, dependendo apenas de um andar, rua, localidade ou continente.  
Eu já estive por um auto fé doloroso, esperando que tudo de menos bom tenha ardido, para sem dúvida alinhar com o ponto de recomeço que me seja aguardado. Resta-me saber se algo ainda ficou por arder, ou se tudo o que me impeça de ser melhor está a momentos de ser ardido. Há que saber usar o fósforo bem, porque de purificação a estupidificação, só metade da palava muda. Deus me livre de envergar a metade errada.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Convém não ser uma flor que murcha conforme seja apreciada ou não...
Elas murcham da sua incapacidade em sobreviver.
E essa incapacidade não pode vir de ti.
Senão não és flor.
És natureza morta.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O conceito de cuidar


O conceito do cuidar que hoje me chega, traz harmonia, conciliação, preocupação pelo bem estar quando nos outros vemos negligenciado, união e respeito. Cuidar envolve primeiramente ser humano, compassivo, procurar um sorriso e formar uma ponte em que as pedras só são usadas para serem carregadas juntas em frutífero companheirismo. Cuidar tem um afago no cabelo, uma sopa quente, um olhar atento. Tem as últimas horas do sol de fim de tarde e as primeiras da manhã. Carrega o sentimento de que não se está sozinho porque em algum lugar perto, há alguém que zela por nós. A todos nos quais senti o sentido de cuidar sobre mim, eu agradeço muito. Sou melhor pessoa pelas melhores pessoas que com as melhores intenções me quiseram e querem bem.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Humildade, que estejas sempre presente

Tem de existir um certo foco consciente de que há que manter continuamente a sensação de aprendiz. Ninguém alcança bens maiores sem a companhia e clarividência da sua própria imagem em construção. Espero nunca me esquecer disso. Que existe a lei da gravidade, que as balanças se equilibram, que as energias vão e vêm em retorno e de que, essencialmente, nenhum ramo se enche de folhas sem a raiz ser bem alimentada. E só alimenta a raiz quem valoriza o que teve e tem, sabendo o que são os começos do zero.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Há sempre algo a fazer

Ligo a televisão e assisto ao descontrolo no mundo. Aquele que não me era bem perceptivel quando brincava às escondidas pela rua, quando sofria com materialismo juvenil, ou quando a vida adulta emancipava dor e decisões percepcionadas na escala da ansiedade invidivual. Eu não consigo mudar a guerra na Síria, o tráfico de diamantes, pessoas, orgãos, animais, dogmatismos religiosos e políticos, violência terrorista e política, o degelo, a indiferença quotidiana nos olhos das pessoas, que as redes sociais sempre colocam um pouco mais sorridentes. Não sendo perfeita nem mais do que alguém, é mesmo aí que reside a humildade necessária para me vulnerabilizar e crescer, sabendo a necessidade dos outros e dos outros em mim. Portanto qual poderá ser o meu contributo? Se não posso mudar a uma escala global, essa que me vem chegando atráves de múltiplos canais. 
Posso pensar, sentir e fazer de cada pessoa que passe por mim alguém respeitável, em que consiga transmitir trato gentil e digno pelo que é. Elogiar, sorrir, ver o melhor de alguém e dizê-lo. Saber partilhar um espaço, seja físico ou afectivo. Ser educada, ter bons modos mesmo para aqueles que a moral nos coloca em dilema. 
Por mais que não mude o destino trágico por onde nos movemos (porque a Síria é aqui, África é já ali e nada se move como se não fosse de todos), por agora sei o que preciso trazer na consciência. Fazer do m2 onde me movo, um local onde quem está não seja lixo, indiferença, desnivel ou objecto de inferioridade, frustrações e animosidade. E assim, morrendo sem um activismo global, ao menos que este compromisso com a paz e respeito seja o melhor activismo individual que possa ter exercido

domingo, 2 de abril de 2017

Oh meu bom Carlos Eduardo...

Estou como tu dizias há uns tempos:
"Caiu-me a alma numa latrina, preciso de um banho por dentro!"

Eça de Queiroz, Os Maias