quinta-feira, 9 de março de 2017

O que eu quero da comunicação

A comunicação...
Aquela que sai articulada em sons e respirações da nossa boca e a outra que se demonstra pelo olhar, gestos, posturas, enfim, todo o corpo que ao reagir, pode desprezar, assustar, interessar e ser receptivo nos mais variados tons mais ou menos intencionais.
Talvez nada comporte mais bagagens de medos e esperanças do que a nossa comunicação.
Há sempre experiências que marcam, fluências e cadências que revelam à vontade na oratória, vocábulos complexos que denunciam livros a colorir uma divisão da casa (ou da vida). Existe o gaguejar, não frasear tudo, não articular com a força que é olhar nos olhos de alguém, conseguindo transmitir o que pensa ou sente.
A comunicação deixa-nos muito vulneráveis. É para uns campo de minas e defesa imediata, para outros provocação e rebeldia em pleno, em outros a dádiva do que é alcançar e dar o que mora no interior.
O que eu quero? 
Comunicar claramente.
Não quero fazer esgrimas com ninguém muito menos comigo própria.
Quero fluir, quero - nem que as pernas tremam e tudo possa parecer tão agitado e incerto como um barco em alto mar - quero falar, não deixar ruídos, não deixar nada por dizer.
Não imaginar subinterpretações. Não falar comigo. Não jogar ténis com o meu querer e o de outro.
Não brincar com o tempo. No tempo que considero cenário e não o que resta da areia que vai movendo.
Quero procurar a linha mais clara entre quem me ouve e o que ouço de mim, sem ruídos.
Saber que tirando roupas, estatutos, passados, experiências eu sou uma pessoa com tanto direito a felicidade quanto a outra. Com tanto direito a sofrer como a outra, a acreditar, falhar, não garantir. 
Quero saber reconhecer a reciprocidade.
Portanto deixemo-nos de entrelinhas e grutas por onde nos movemos a vida inteira, na segurança de que conseguimos alcancar ou ocultar alguma coisa mais secreta. Até porque o que se extraiu foi não florirem pássaros, borboletas e tudo o que seja libertador, do nosso peito, ou mente, para o de outro alguém. E quanta beleza há nisso, pois a construção e evolução trazem-na incorporada.
Sabemos todos falar de algum assunto trivial, que inquiete o mundo, figure no banal ou se espelhe no quotidiano. Mas o melhor comunicador não é aquele que chega e discursa bem para uma plateia de 10000 pessoas.
É aquele que chegando dentro de si, ouve as palmas da vastidão do seu próprio contéudo e auditório.

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