terça-feira, 7 de março de 2017

Da ideia à clareza

Consigo perceber porque é que a ciência precisa dos seus próprios conceitos, taxonomia, categorizações e etc. Seria impossível concebê-la sem fenómenos específicos e um quadro teórico próprio. Mas julgo que um bom cientista, mais do que a produzir conhecimento e viver com uma curiosidade imparável, tem que ter a capacidade de comunicar o que interroga, produz e sabe. De nada serve uma conjunto complexo de vocabulários específicos e nomenclaturas que ninguém interpreta, se a ciência é só para alguns. Não há elitismos aqui. Há-o em muitas áreas, mas onde todas devem convergir é na necessidade de partilhar algo. Algo que estimule um bem maior. Senão vive-se fechado e enganadoramente encantado nos próprios círculos, quer sejam políticos, sociais, filosóficos, artísticos, pois precisamos é de uma via comum que todos alcancem. Pode sempre estar sujeita a níveis de alfabetização e graus académicos, às capacidades cognitivas e a própria maturidade de cada um. Mas volto a afirmar, tem que ser partilhável, simples, evidente, por mais que a extração até lá tenha sido através de canais de comunicação distintos e incompreensíveis. Senão, ao querer clarificar o mundo tornamo-lo menos acessível. E tenho para mim que esse nunca foi o objectivo da ciência. Ou em última - ou quiçá primeira - instância, o propósito de partilharmos o mesmo planeta.

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