quinta-feira, 30 de março de 2017

That's it

Por vezes a vida coloca-nos num túnel interessante de decisões em que atrás de ti está terra e em frente tens o mar, onde não sabes o tamanho de ondas, a capacidade do teu barquinho, e sobretudo, se te lembraste dos dias cinzentos quando contemplaste o mar azul de sonho...
Mas a vida é assim.
Dura e dificil.
Maravilhosa e grata.
Madrasta e mãe.
São tudo caminhos.
Alguns são escolhidos na coragem do que queres ser.
Outros pela coragem do que tens sido.

sábado, 25 de março de 2017

Falando de mim sobre mim

A vida no seu construto impressionante vai alertando para o que são padrões ou vicios adquiridos que em nada revelam o potencial ou apenas e tão só, o que realmente proporciona o bem estar. O bem estar tem que surgir de ti para ti e devolvido nos outros sob a forma de percepcionar as situações sem que com isso te sintas inferior, lesada ou ridícula. Todos sentimos, todos pensamos e todos temos o dever de respeitar aquilo que cada um tem no interior. Eu por respeitar o meu, sei que não quero mais casos onde cada salto em comprimento seja realizado com dúvidas prévias, esperando que alguém confirme se passei a barreira por ter dificuldade em acreditar. Caindo ou não, saltando bem ou não, o meu dever esta para comigo. Essencialmente, em sendo gentil com os meus limites e possibilidades. E aí sei que o meu bem estar não está só quando voo pelo ar emergindo do salto bem feito... está quando caí antes do tempo e não me coloquei mais em baixo do que merecia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Não tenho saudades de nenhum passado.
Só de um futuro feliz que não tenha sido alcançado pela minha responsabilidade.

terça-feira, 21 de março de 2017

"Visão de alteridade é ter a capacidade ver o outro como o outro, e não como um estranho."

Mario Sérgio Cortella

Pós de per-lim-pim-pim

Fui comprar morangos frescos e suculentos, para perceber se poderia adjectivar a tua boca também assim.
Preparei tudo aprimoradamente. Não sabendo se estariam doces o suficiente, e contando que não poderíamos despender de nenhum, coloquei-lhes um leve pó de açúcar por cima, um pó tão meloso quanto me gosto de sentir.
Entretanto, quando os trouxe e provaste, amarguei-te com surpresa o paladar, pois na pressa de agradar (como são todos os anseios românticos) utilizei o sal em vez do açúcar. Que tolice a minha! Mas foi nesse dia que entendi que por mais que se tente cortejar, dar o melhor, apaixonar, seduzir, o sal estará sempre presente, nós é que iludidamente o adiamos na esperança que nos vejam sempre perfeitos. Mas também importa e interessa o dia que é menos bom, o defeito menos prático, o lado lunar mais eclipsado, pois confere a perfeição, naquilo que é um total, o total do individual de cada um.
O açúcar extrai-se da cana que é cortada e replantada, enquanto o sal provém do mar, a fonte universal que ondula em semelhança por dentro de nós. Portanto, ao invés de plantar zelosamente canas, vamos deixar também fluir aquilo que temos de mais natural, sem esconder ou ter vergonha. Sob pena de nos tornarmos algo aborrecido com um só sabor.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Dedicado ao amor, deles e delas



Há muito que desconfiava que só uma visão de amor pode coincidir e ajudar a esta passagem terrena!
É como se entrasse numa autocaravana e percorresse todos estes sorrisos, carinhos e boas vibrações que me chegam de gente que conheço há muito, há pouco que pareça muito, e há muito que pareça ainda pouco. Gentes especiais, verdadeiras, bonitas, que sentem também que o amor é a maior força a dar a alguém! Essa autocaravana, se não desfilasse feliz pela natureza do genuíno e dos sorrisos, seria tão só e sozinha. Porque mesmo que chova e tudo indicie um temporal, fazer parte destas paisagens, é saber que quando se vai para fora, se está sempre seguro.
Viver é sem dúvida uma benção generosa quando se ama e é amado! Amar sem intenção maior do que seja fazer e desejar o bem para alguém, sentindo uma envolvência enobrecedora que nos liga a todos, à natureza, aos rios, mares, montanhas, flores a abrir, pássaros a chilrear, nuvens de vento e raios de sol! Que são tanto mais bonitos e captados quanto o coração se sente bem e feliz.
Por mim já estou mais do que contente por, no alto do que sou, sentir tudo isto.
E o que vier de melhor que venha. Porque tratando-se o amor  de qualificar e não quantificar, não sei se consigo imaginar, para já, melhor do que esta sorte em formato infinito. 

domingo, 19 de março de 2017

Estado líquido

O tempo limpa tudo.
Num modo tempestivo, como uma torrente de bátegas vigorosas, depois em rios e pequenos riachos que correm, fluem e derivam no contínuo caudal... persistindo em pequeninas poçinhas, onde com ou sem galochas, se insiste em procurar molhar os pés...
A verdade é que o tempo usa e abusa de água.
Agradeço interminavelmente a todas as mulheres que fui, nesse tempo onde precisava de mais água exterior, para conseguir transformar espaços de fogo e ar, singelos e imaculados, que pesavam dentro de mim. Espaços esses que, mais ou menos crescidos, mais ou menos vividos, mais ou menos felizes, foram fieis a qualquer coisa que tinha lá dentro, mesmo que essa fidelidade fosse o quase compromisso ingénuo com a minha própria responsabilidade. A de, através da opcional vivência de desapegos e apegos, dores e caminhadas, brindes e choros, verificar que a verdadeira opção responsável liberta, não aprisiona. Não me coloca mais rígida, mas em permanente gratidão por companheiros, palavras, noites de chuva e dias sem sol. E chuva no sol ou dias nas noites.
Nada de positivo nasce sem esforço.
Sem acreditarmos que de facto, somos principais na nossa maior história, em conjunto com a honra que temos de entrar, viver e contribuir para a história dos outros.
Por tudo isso, sou muito grata a todos os que me deixaram entrar.
Só para hoje poder dizer que com isso sou mais mulher.
E que os amei a eles, e a todas elas, aquelas que eu fui nesse caminho.
Por vezes quando o cansaço invade, sucumbo e ele garante-me a melhor.
Coloco de lado momentaneamente tudo o que seja a teoria mais positivista, psicanalista, espiritual, filosófica e outras que tais para retorquir que isto funciona em modo selvajaria urbana, com a manada a correr de um lado para o outro, comendo do que pode e caça, procriando para belo prazer e descendência, e que todo este cansaço origina não mais do que o pó de uma passagem veloz e fugaz na eternidade que é a vida.
E portanto, após discorrer tal, penso que o melhor seja ir dormir.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Procurando o que não existe



Procurando o que não existe fui cair em poços de descontentamento emocional, stress auto-infligido, ansiedade desmesurada, sono palaciano, noites longas, preocupações intermitentes...
Esqueçendo que a maior felicidade é não exigir demais.
E com isto não digo ser passivo, não ter opinião formada ou os braços prontamente abertos a tudo o que possa desafiar o juízo moral e crítico.
Digo simplesmente a consciência de estar presente. Estar presente com tudo o que se possa dar no momento, respeitando o apertão que a vida dá em termos de tempo, recursos ou indisponibilidades. Pois isso não é mais do que sinais afetuosos que envia na esperança de nos provar de que somos mais capazes do que julgamos. Porque queremos insistentemente a perfeição, supomos demais, desfocamos do patamar R/C onde estamos, porque a visão já quer alcançar (embora sem ver) o último andar.
Como tal, simplificando sou melhor. Descomplicando sou inteira. E sendo básica, permito-me a atingir pensamentos mais audazes. Tudo porque respeito limites, concretamente o maior deles que me diz que o que é feito com amor e dedicação natural torna tudo justamente perfeito.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Alguns ou muitos têm o hábito de falar em NÓS. O nós como um tempo que não sendo concretamente verbal é manifestamente defensivo. Como uma grande muralha, ou os quilómetros do areal tão perto do mar que constantemente o vem provar e fugiir...
Quão benéficamente usamos esse NÓS?
Para escudar da manifestação bela que é assumir o que é nosso. O que dói, remexe, agita, faz pensar, faz sentir, SER. Faz chorar, temer, ficar pequenino. Manifesta a concreta concretização de um eco, que bate num fundinho bem guardado. Por isso é tão fácil dizer nós. Para criticar, pré-conceptualizar, discriminar, cobrir com as mesmas máscaras num conforto partilhado, dado por adquirido ou em afastamento julgando-se só nos outros...
Por isso eu clamo...não quero dizer mais NÓS.
Quero dizer eu.
EU estou a sofrer.
EU estou a ser feliz.
EU estou encantada
EU estou vulnerável
EU estou autêntica.
Para assim não ter que dar uma máscara a alguém que foi feita apenas e unicamente com as inigualáveis expressões de quem eu sou. Julgo que não poderia oferecer a mim menos do que isso.

terça-feira, 14 de março de 2017

Lição do tempo (Karma)

"Quando um pássaro está vivo, ele come as formigas, mas quando o pássaro morre, são as formigas que o comem. Tempo e circunstâncias podem mudar a qualquer minuto. Por isso, não desvalorize ou magoe ninguém e nenhuma coisa à sua volta. Você pode ter poder hoje, mas lembre-se: O tempo é muito mais poderoso que qualquer um de nós! Saiba que uma árvore faz um milhão de fósforos, mas bata um fósforo para queimar milhões de árvores. Seja bom. Faça o bem."

Moonlight serenade

Estacionaram junto à praia o passado, movidos apenas pelo respeito a ele e avançaram para o areal.
Sob uma lua cheia luminosa, o seu tamanho, luz e reflexo conseguia-se assemelhar ao preenchimento que também sentiam dentro do coração.
O mar estava absolutamente calmo e a maré baixa permitia revelar e colocar a descoberto os sentimentos, mais do que alguma vez havia acontecido. Tanto a rocha selvagem, como a árvore que abanava os ramos suavemente em sinal de aprovação, complementavam o cenário onde a naturalidade era companheira. O escuro da noite não permitia visualizar a distância dos passos percorridos, ficando somente a certeza daquilo que estava mais recente, tal como esse agora, tão forte, onde simplesmente existiam.
O som do mar embalava todos os momentos em que já se tinham sonhado e para onde caminharam sem se saber ou conhecer. E sempre que uma onda deslizava pela areia, dançando no seu regresso ao mar, mais sentiam que estavam unidos, agradecidos e profundamente conectados.
E em tudo o que é extensão, horizonte e plenitude, como o mar sem fim, a lua inalcançável ou a vastidão do céu, tiveram a certeza de o que queriam partilhar era apenas, e tão somente, algo tão bonito como o amor.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Carl Sagan, 1974

Imagem intercalada 1

"(...)Então, aqui está – um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada num raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem as nossas modificações da superfície da Terra, nem as nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidência. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, os humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

Considere novamente esse ponto. É aqui. É o nosso lar. Somos nós. Nele, todos que ama, todos que conhece, todos de quem já ouviu falar, todo o ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. A totalidade das nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas económicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada “superstar”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, num grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto a sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.

Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não há nenhum indicio de que, a ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não há lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual a nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, estabelecer-se, ainda não. Goste-se ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.

Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos… o pálido ponto azul."

sexta-feira, 10 de março de 2017


Deve ter sido muito difícil e duro o Inverno a muito gente.
Todos estão a reparar no despontar das primeiras flores e em como estas lhes sorriem a dizer que tudo vai correr bem.
Reparam em como as árvores exibem o resplendor da sua própria transformação.
Sentem na cor um pedido claro de confiança no que vá aconteçer, não importa o quê, quem onde, quando e como, pois será tudo para nosso bem.
E vamos sorrindo - os que viveram ou não com a sombra da chuva e nuvem - a este desfilar sucessivo e brilhante da natureza.
Da companhia das cores, cheiros, beleza, crescimento, alegria e renovação.
Sem entender que essa beleza da identificação nos é tanto apenas porque também a estamos a rever dentro de nós.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O que eu quero da comunicação

A comunicação...
Aquela que sai articulada em sons e respirações da nossa boca e a outra que se demonstra pelo olhar, gestos, posturas, enfim, todo o corpo que ao reagir, pode desprezar, assustar, interessar e ser receptivo nos mais variados tons mais ou menos intencionais.
Talvez nada comporte mais bagagens de medos e esperanças do que a nossa comunicação.
Há sempre experiências que marcam, fluências e cadências que revelam à vontade na oratória, vocábulos complexos que denunciam livros a colorir uma divisão da casa (ou da vida). Existe o gaguejar, não frasear tudo, não articular com a força que é olhar nos olhos de alguém, conseguindo transmitir o que pensa ou sente.
A comunicação deixa-nos muito vulneráveis. É para uns campo de minas e defesa imediata, para outros provocação e rebeldia em pleno, em outros a dádiva do que é alcançar e dar o que mora no interior.
O que eu quero? 
Comunicar claramente.
Não quero fazer esgrimas com ninguém muito menos comigo própria.
Quero fluir, quero - nem que as pernas tremam e tudo possa parecer tão agitado e incerto como um barco em alto mar - quero falar, não deixar ruídos, não deixar nada por dizer.
Não imaginar subinterpretações. Não falar comigo. Não jogar ténis com o meu querer e o de outro.
Não brincar com o tempo. No tempo que considero cenário e não o que resta da areia que vai movendo.
Quero procurar a linha mais clara entre quem me ouve e o que ouço de mim, sem ruídos.
Saber que tirando roupas, estatutos, passados, experiências eu sou uma pessoa com tanto direito a felicidade quanto a outra. Com tanto direito a sofrer como a outra, a acreditar, falhar, não garantir. 
Quero saber reconhecer a reciprocidade.
Portanto deixemo-nos de entrelinhas e grutas por onde nos movemos a vida inteira, na segurança de que conseguimos alcancar ou ocultar alguma coisa mais secreta. Até porque o que se extraiu foi não florirem pássaros, borboletas e tudo o que seja libertador, do nosso peito, ou mente, para o de outro alguém. E quanta beleza há nisso, pois a construção e evolução trazem-na incorporada.
Sabemos todos falar de algum assunto trivial, que inquiete o mundo, figure no banal ou se espelhe no quotidiano. Mas o melhor comunicador não é aquele que chega e discursa bem para uma plateia de 10000 pessoas.
É aquele que chegando dentro de si, ouve as palmas da vastidão do seu próprio contéudo e auditório.

terça-feira, 7 de março de 2017

Da ideia à clareza

Consigo perceber porque é que a ciência precisa dos seus próprios conceitos, taxonomia, categorizações e etc. Seria impossível concebê-la sem fenómenos específicos e um quadro teórico próprio. Mas julgo que um bom cientista, mais do que a produzir conhecimento e viver com uma curiosidade imparável, tem que ter a capacidade de comunicar o que interroga, produz e sabe. De nada serve uma conjunto complexo de vocabulários específicos e nomenclaturas que ninguém interpreta, se a ciência é só para alguns. Não há elitismos aqui. Há-o em muitas áreas, mas onde todas devem convergir é na necessidade de partilhar algo. Algo que estimule um bem maior. Senão vive-se fechado e enganadoramente encantado nos próprios círculos, quer sejam políticos, sociais, filosóficos, artísticos, pois precisamos é de uma via comum que todos alcancem. Pode sempre estar sujeita a níveis de alfabetização e graus académicos, às capacidades cognitivas e a própria maturidade de cada um. Mas volto a afirmar, tem que ser partilhável, simples, evidente, por mais que a extração até lá tenha sido através de canais de comunicação distintos e incompreensíveis. Senão, ao querer clarificar o mundo tornamo-lo menos acessível. E tenho para mim que esse nunca foi o objectivo da ciência. Ou em última - ou quiçá primeira - instância, o propósito de partilharmos o mesmo planeta.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Num mundo complexo, dinâmico e universal imaginem o que é ficar estático, estagnado na película fotográfica da memória? Nas noções de certo/errado, bom/mau, enfim, de uma panóplia de conceitos que revestem a moral e contribuem para solidificar noções básicas e reger por elas.
Mas como assim? Ser uma barreira de cimento inerte? Não dar por mim a pensar como e quem sou? Com os outros, comigo? Achar que o problema é sempre só meu, achar que o problema é sempre só dos outros? Não considerar a bi-direccionalidade dos actos e intenções, de tudo o que nos reveste que não é directamente visível?
Que sinal de maturidade esse.
Não ser só auto-sustentável em mente e razão. Em contas no fim do mês e gestão responsável de algum papel. É também olhar para si ao longo dos anos, sem sentimento de vaidade, saudade ou paternalismo, mas com orgulho e humildade em ter sido transformado pelo seu próprio pensamento.
Não comporta a transformação camaleónica, que sugere apenas uma intencionalidade de fuga e sobrevivência momentânea, ou algo que enalteça egos e frivolidades.
Antes a transformação que nos permite saber que, naquele ano, era assim que pensávamos, noutro, outras pessoas ou situações nos fizeram reconsiderá-lo, e por aí fora. O melhor agir é somente o melhor porque descobrimos outro, onde nele fomos lúcidos e justos nas limitações e capacidades que havia no momento.
O querer sempre agir melhor não será idealismo ou utopia. Bem como idolatrá-lo em alguém é retirar o que seria a honra da individualidade da própria vivência. É a capacidade da transparência, de deixar ser moldado. Ser maior, aberto, receptivo.
Não há verdades absolutas. As únicas bem poderiam ser o amor e a paz de espírito. Pois toda a nossa vida dependerá sempre da interpretação que destas fizermos. Dos argumentos usados, das acções movidas na sua persecução, que podem ser tangenciais ou em cheio, lentas ou velozes, mas em tudo no seu tempo certo, de acontecer e ser.
Para tal convém não segurar, enlouquecer, enraivecer, dogmatizar, embrutecer ou padecer numa data de verdades relativas que o chão da vida nos prova retirar a qualquer momento. Como aqueles onde se está absolutamente confortável ou dolorosamente penoso.
Mantenhamo-nos atentos.

quarta-feira, 1 de março de 2017

30.000 chibatadas

Diz que de investigação o inferno está cheio, há uma panóplia de investigadores que pretendem descodificar variáveis e variantes, para descobrir a pólvora de um assunto já debatido, por debater ou mais que ultra debatido onde nunca cessam as novas percepções. Espremo - qual sumo de laranja - o gosto refinado da constatação objectiva e provida de cientificidade, mas o meu olhar é pessoal, esotérico, pirado, comunista, verdinho, digamos que muito possivelmente fofo e extremamente imbecil, entre outros atributos que me parece a ciência não compactuar. E agora, serei excluida por autosabotagem ou conseguirei ser mais competente para fazer a análise de contéudo de que pouco ou nada se sabe?