segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mudando o chão

No estudo exploratório as pessoas movem-se na diagonal, horizontal, vertical, em direcções multi laterais das quais é impossível planear, antecipar, perguntar. Há os mais descrentes que estão de pé atrás com as relações e eu não me refiro às amorosas que gastam tanto miocárdio, mas sim as relações afectivas que se originam, esbatem, fortificam ou estagnam conforme soa a música interior. Eu adoro pessoas, na sua infinita complexidade e subjectividade, mas cada vez mais sei que não se adivinha ninguém. Não se prevê comportamentos, quais dados estatísticos co-relacionais. As pessoas surpreendem, fazem esgrima com elas próprias e os outros, dão luz, sombra e tudo isto é apenas um despontar do reflexo que todos nós trazemos por dentro. O quotidiano suga-nos qual espiral centrífuga de tempo por utilizar, movem-nos valores e características que enaltecem e conferem igualmente a precisão da lei da gravidade. Este texto é uma homenagem a mim, a ti, a ele, a ela, aos outros, a todos os que sabem que tanto se é como não é, em que a essência do ser humano pode ser comparativa a um perfume, com odor e frescura a fluir no ar em intensidade e leveza, mas que também sabe ser difuso e guiado pelo vento. Não está concentrado em todo o lado, a todo o tempo e entregando tudo, querendo tudo. Quer seja pensamentos, ideias, temperamentos, mudanças, objectivos. Ser é partilhar apenas o que se quiser disso, sem posses, expectativas, previsões ou encantamentos. Afinal, o maior encantamento passa pelo conhecimento próprio que proporcione um modo de estar mais humilde. 

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