segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Francisca (espaço para nome pomposo em seguida). Mãe de alguém. Trabalhadora em qualquer sítio que pague. Dona de casa. Praticante de um qualquer desporto. Arranha uma artcraft qualquer. Leitora compulsiva. Especialista em blabli. Interessada e versada em tal tal tal.

Na apreciação de um livro, gosto de ver como se autobiografam. Como os interesses fazem quem são. Como múltiplos papéis promovem a pessoa como mais isto e aquilo. É inevitável pensarmos que alguém envolvido em mil tarefas é pró-activo, que outro que viva em modo automático de trabalho casa pouco sabe do mundo, e mais ainda quando tudo isso amplamente nos parece definir e rotular. Mas quem seremos nós, verdadeiramente nós à parte de tudo isto?
Somos seres. Portanto, o que nos define é SER. É por exemplo ser alguém que vê apenas o pior dos outros e sub-interpreta acções no seu estilo analítico persecutório ou egoista, ou somos alguém que se entrega ao outro por ampla carência. Poderemos ser quem confia abertamente porque também é alguém confiável, ser alegria porque gostamos de a ver nos outros e a receber em nós, entre infindáveis formas de ser, que balançem entre o nosso melhor e pior. 
Definimo-nos por aquilo que somos para os outros. Portanto guardem as metadefinições de profissionais de tal, interessadas em não sei quê, blogger disto, afinidade e trabalho de campo nisto e naquilo, porque o que realmente se quer saber, o que concretamente importa é aquilo que são para aos outros. E o que fazem com aquilo que foram para vocês.

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