segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

É partilhado por muitos a associação do final de relações com o acumular de anos partilhados, qual tesouro conservado em depósito maior, na pretensão não de ostentar números, mas do peso e influência destes em nós e em quem somos. Talvez nos vamos esquecendo que uma das riquezas que alicerçou esses anos foi o que existiu em si de genuíno e puro, nesse inicio e fim de um espaço temporal. A ideia de que o amor é bonito quando tem um curso, tal como as águas de um rio correm fluídas numa direcção, e onde ambos se atrevem instintivamente a percorrê-la. Mas como rio que é, formado nessas pequenas partes que todos nós somos, existem tantas direcções a ponderar. O rio pode encontrar outro rio ou um lago e misturar-se. Pode secar ou degenerar no solo. Ou pode encontrar caminhos sublimes, se avistar virtuoso um oceano.
Muitos dos amores que arrebataram o coração e intelecto, conseguiram ser pródigos em percorrer estes caminhos e direcções. Confiantes, inesperados, receosos, mas felizes e inevitáveis.
Nada há a lamentar em cada um deles, seja o seu desfecho num solo seco ou num lago que ficou suspenso numa fotografia amarelecida de Outono.
Nenhum fim é desprestigiante ou pouco compensatório.
Há que pensar para onde fluiu essa água, relembrando que todo o fim tem que tender para o oceano, esse oceano vasto e imenso, onde nunca estamos sós. E para tal, só o amor dado sem prisões, submissões, oportunismos de tempo e causalidades, controlos, força bruta, oferece essa bela finalidade. Se nessa ausência - e no final de tudo - é encontrada oportunidade, reconhecimento, respeito, dádivas e vontade de amar novamente, então teremos a certeza que não avistámos só mais água. Fundimo-nos nela.

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