quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Variações cantou e afirmou que todos nós temos Amália na voz. 
Depois de alguns anos a estudar Psiquiatria com afinco ingénuo, curiosidade estimulada ou com necessidade laboral, atrevo-me a dizer que além da Amália, também temos um pouco de psiquiatria na voz (atenção, grande ênfase no pouco).
Desde as pequenas melancolices e neurotiquices, ao exaltamento feliz que traga fulgor sexual, grandiosidade e extrema alegria, a um petit peau de parafilias que o mais conservador e aparentemente recatado esconde sigilosamente no armário de casa, à mão e coração que treme em rubor e pânico face a algum acontecimento mais (in)desejável, à escolha ou não de entrar nos submundos das adições com alterações de comportamentos por vezes dignas de uma demência ou esquizofrenia latentes... aos pequenos traços de personalidades que figurando nos manuais como doença ou anormalidade, estão de facto ao nosso redor e nas pequenas relações que efetuamos e nem nos apercebemos...
Desde que tudo o que façamos não mude a personalidade base, se no âmago disso tivermos uma genética simpática, escolhas conscientes e responsáveis, caracteristicas e mecanismos de defesa de personalidade madura e nunca sejam prejudicadas as principais áreas das nossas vidas pelo nosso próprio funcionamento, então estaremos só com uma pequena percentagem de psiquiatria na voz. 
O resto que seja Amália.

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