quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O pódio não é um sítio só

Artemisa em plena contemplação
Pode muito boa gente pensar que os lugares de relevo e conquista pessoal sejam algo latente nessa definição - pessoal, só, sozinho, destacado, individualizado e individualista.
Vou discordar vigorosamente com isto.
O lugar do pódio só consegue ser maravilhoso porque existem pessoas, mas sem que isso implique agressividade, competição adicional e projectada com elas.
E com pódio digo tudo aquilo a que nos vincule um sentimento intenso de realização, que pode estar só a ser percebida entre nós como algo interno que veio para ficar.
Essas pessoas existem para quando chegares ao topo da montanha, depois da caminhada longa, suada e com sacrifício, sentires o céu azul a brilhar de força, o sol como companheiro silencioso, os fios de nuvens desenhados como o rasto de um pincel belo e harmonioso, os pássaros a voarem placidamente, nas suas vidas providas de lógica e instinto animal...
E lembraste das pessoas que estiveram e estão contigo. Nas noites que embalavam a casa, cidade ou o mundo e tu estavas refugiado a pensar e a deter-te no que outros tantos poderão já ter pensado ou sentido, com a mesma lucidez e capacidade de sentir a mudança...
Nos corações e caras que sabes torçerem por ti e que te desejam o melhor do mundo, porque tu também consegues oferecer-lhes o mesmo sentimento generoso e desprovido de exigências.
E pensas na mudança no mundo, no belo mundo que te foi entregue, no esplendor que tudo isso encerra e potencia e sentes-te imensamente grato de poder ser alguém que pensa e sente ao mesmo tempo.
Portanto o pódio nunca será para quem está só...
Atingi-lo é precisamente nunca o ter estado.

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