segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Foi num Verão quente e seco que li uma entrevista de Benjamin Clementine onde este afirmava não se considerar um cantor, mas sim um expressionista. E até hoje esta afirmação despretensiosa e honesta, continua a ter eco em mim. Faz-me sentir que muito longe de ser ou ousar ser escritora - faltam-me bases cognitivas, metodológicas e motivacionais para tal - sou uma simples expressionista. Enquanto me permitir a ter a base genética, cognitiva e emocional com que percepciono e penso no mundo, em mim, nos outros, com um filtro polido da realidade que só poderia ter a minha impressão, serei uma expressionista. Não me pode preocupar quem e quando lê e o que pensa sobre tal. Se voltam muitas vezes ou se nunca mais voltaram. Preocupa-me um dia ficar sem meio de expressão ou de perder essa beleza invisível que me faz querer expressar.
E aí, serão palavras, articuladas meticulosa e harmoniosamente na certeza porém de que perderam o seu elemento agregador mais genuíno. 

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