domingo, 29 de janeiro de 2017

A beleza inigualável da escrita de Eça de Queiroz (ou do amor)


- Quanto incómodo por minha causa!- disse ela. - Realmente como lhe hei-de eu agradeçer?...
Calou-se; mas os seus belos olhos ficaram por um instante pousados nos de Carlos, como esquecidos, e deixando fugir irresistivelmente um pouco do segredo que ela retinha no seu coração.
Ele murmurou:
- Por mais que eu fizesse, ficaria bem pago de tudo se me olhasse outra vez assim.
Uma onda de sangue cobriu toda a face de Maria Eduarda.
- Não diga isso...
- E que necessidade há que eu lho diga? Pois não sabe perfeitamente que a adoro, que a adoro, que a adoro!
Ela ergueu-se bruscamente, ele também - e assim ficaram mudos, cheios de ansiedade, trespassando-se com os olhos, como se se tivesse feito uma grande alteração no Universo, e eles esperassem, suspensos, o desfecho supremo dos seus destinos...
(...)
- Diz-me ao menos que és feliz - murmurou Carlos.
Ela lançou-lhe os braços ao pescoço; e os seus lábios uniram-se num beijo profundo, infinito, quase imaterial pelo seu êxtase.

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