terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O que dizem as mudanças??
Dizem que és fracote se pensas como é bom ser gostado, apreciado, valorizado!!
Quem gosta disso é o filho da mãe do ego, que se regozija em estar no quentinho tipo berço!
Mas a vida não acontece só no quente, precisa que cries e te prepares para desconforto inevitável e opcional!!
Que o que está à volta não te pode dar força, tu  é que tens de ser a força motora disso mesmo.
Se o fores, qualquer que seja o cenário ou gente perto de ti te irá sempre ser favorável.
Porque és criador, não passivo.
Porque és natural e não alimentado.
E isso não é só uma benção das mudanças...
É a própria vida a manifestar-se. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Xutos e queimas

Existirá alguma arte como a música?? 
Com o poder de nos recolocar naquele exacto ponto, não sendo isso uma memória fidedigna em detalhes, mas a ligação com a emoção que existiu, a ideia que ficou de quem fomos nessa altura?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

John Donne

Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mudança

Fazendo um som qualquer retrospectivo como quem desliza quatro dedos por um piano, atinge-me a ideia de que as mudanças são o que de mais catalítico existe!! Sendo a catálise para a química o aumento da velocidade de reacção por adição de uma substância, não será mesmo de admirar a rapidez com que uma qualquer engrenagem da vida, esteja lá nas profundezas de um calabouço ou na harmonia de uma harpa, começa a funcionar. Veloz ou na velocidade necessária e adequada - seja então rápida ou hiper-mega-lenta, ela dá-se e começa a dar-se, activa outras roldanas, que por sua vez actvarão outras e assim sucessivamente. As que possam estar ligadas a outros, a acontecimentos, a sobretudo activações químicas interiores de predisposição para viver com maior disponibilidade. É como se dois dedinhos lançassem com minúcia e respeito a peça de dominó que fica  erecta, medrosa e estática e esta fosse por ali e por ali a deitar as outras todas, sem que isso se traduzisse nalguma superioridade ou desgraças, mas no toque simbiótico da mudança. Como o eu mudo, atinjo outro que mudou ou já pensa em mudar e por aí sucessivamente. Como se fosse a evolução pessoal de um a contribuir para um todo e o todo a contribuir para um, produzindo a queda, racha, toque, dança.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Não me posso sentir mais agradecida a um ano que trouxe tanto para trabalhar, tanta ferrugem para limpar, pó para soprar, água para deixar fluir e fogo para queimar. E nisto, não sei se todas foram extintas no sentido do melhor potencial, mas sei que para lá caminho. Com paciência, com vontade, com sobretudo amizade por esse caminho que não conheço mas preciso de estar lá inteira. Só assim sou mais polida para a vida, faço escolhas com mais coerência e vivo com mais verdade. É duro, é tramado, mas no final compensará. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

E ali estava eu, a fazer frente a um lixo que tinha acumulado perto da cama, que ao invés de ser apenas um amontado de cotão, cabelos, entre outros, a mais tenebrosa magia afigurou-o num sapo bem nojento, embora não seja compassivo e delicado ofender um ser que não escolheu o seu aspecto e disposição. O incrível é que o vi formar-se perante mim, e pior, era eu a querer tratar-lhe da saúde pela perplexidade em habitar o mesmo m2 com aquele animal e ele a dar-me luta como se dissesse "não, cheguei, o espaço é meu, era o que mais faltava". Ainda por cima formadinho de todos os meus medos, nhenhices, receios e limitações, acrescentou a psicanálise subentendida. 
Nisto, havia uma maçã por perto que não surgiu dos gasganescos de adão, nem do chão rolante do Newton, e imbuída de um misto de estupidez e coragem, atirei-lha para cima, como se fosse os olímpicos ou a seleção natural em forma de bowling. E não é que lhe acertei? Verdade, sem querer, numa vertigem oblíqua da pobre maçã que não estava destinada a ser um homicida involuntário, acerto naquela coisa, coiseca, coisona que me estava a amedontrar. Com medo, aproximo-me e vejo-o estendido, patas e cabeça na horizontal, um aspecto tolhido, enquanto me sinto uma envergonhada vencedora. Quando desvio o olhar, talvez para começar um funeral com a dignidade que não lhe havia oferecido antes, vejo que já não se encontra no lugar onde o havia fotografado mentalmente. Estava a mover-se e arrastar-se, como quem pede clemência à vida e sabe que esta lhe saciará as maleitas. Narcisicamente, retiro de um chinelo qualquer que parecia saído da natação e esborracho-o. Sim, esborracho-o. Nada bonito igualmente. E senti que a vida começou a mudar, nalgum escaninho da memória ou da acção que se vai prontificar, porque, não encontrando o príncipe, esborrachei as hipóteses de alimentar o meu próprio sapo.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

É preciso deixar aquilo que estiver para acontecer, acontecer simplesmente. E eu não afirmo ou incluo nisto o analisar demais, confiar em algo com fé cega como se a minha intervenção não tivesse lugar activo. Tem sim, deixando ir, deixando acontecer. Não transmitindo mensagens inversas, não andar numa dualidade que perturba aquilo que precisa de ser claro. Tanto mix de sinais errados. Tanta mensagem interior cheia de ruído e de tubos e tubos e tubos de mensagens. Para quê? Onde te fez levar isso? Que mérito tens em te auto-deturpares e defraudar? Vai para um sitio mais bonito e põe-te a fazer acontecer. Somente.

domingo, 19 de novembro de 2017

Hoje disse bom dia a qualquer coisa em mim nova.
Qualquer coisa que toma figura, que se desprende de velhos padrões.
Algo que agradece a elementos que já se estão a ir, que serviram em utilidade os propósitos orientadores de desaguar nesta fase.
Os caminhos não são todos iguais, não o são.
A sabedoria nem está em perceber a rotulagem do melhor e pior.
Está em compreender essencialmente o que é o OUTRO caminho.
Que não tem que significar novidade, excitação, descoberta e isso ser a base e a atractividade.
O outro não significa que o não escolhido já não tem nada a mais a oferecer.
As aprendizagens surgem de muitos pólos, de tropeços, de acontecimentos e pessoas. Como tal, nada do que se deixa deve ser sentido com a noção de estar esvaziado. Seria uma falta de ética e arrogância perante as grandes escolas que são os outros, a nossa ignorância, a grande força que é aprender no tempo.
Não, nada disso.
Simplesmente sente-se que esse OUTRO, precisa acontecer.
Precisa.
E isso faz a diferença entre respeitar tudo aquilo que aprendemos a escolher.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

- Vou tirar um tempo celibatário para decidir o que quero para a minha vida.
- Ai sim? Então? Psicologia, auto-ajuda, meditação, natureza, desporto?
- Na. Putas e vinho verde.
- Epa, parece-me que vêm aí grandes decisões então.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O novelo vai se desembaraçando a uma velocidade entusiasmante, muito escrevi sobre costuras, teares, bordados, mas de facto, a vida é algo que se vai desen-novelando de trás para a frente e não da frente para trás, embora os sentidos sejam sempre respeitantes ao avançar e nunca retroceder. A coisa é feita para ficar mais simples, descomplicada, e chegarmos a um estado tal de catarse que a única premissa é estar o mais cheios possiveis com o novelo já desenrolado.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Era uma vez um porquinho que era tão inseguro que andava sempre por perto dos outros porquinhos, não havia ele de tomar uma decisão e não se sentir capaz de escolher. Havia outro porquinho que, apesar de ser um pouco mais seguro não conseguia lavar a própria cauda, então tinha outro porco sempre por perto para ajudar a lavar a caudinha. Havia outro porquinho que era gerente de restaurante, mas não conseguia viver sem outro porco para lhe fazer o fecho de contas do mês. Todos queriam mudar de vida, um queria deixar de ser inseguro, o outro queria saber lavar o rabo e o outro aprender a fazer todas as continhas. Mas nenhum tinha coragem para atravessar o estreito caminho de ser algo mais do que já era. Final de história, os porquinhos continuaram a papar tudo o que sempre paparam, sem dramas, maleitas, mudanças e outros equívocos de maior. E assim reinou a paz na pocilga.

domingo, 12 de novembro de 2017

Um 31

Quem contempla um céu estrelado
o que quer que tem em mente?
Talvez a ideia que o fascínio ou caos
Lhe estejam longe inversamente...

Se a realidade da ordem constrita
Conspirava um futuro mais evoluído
é curiosa a forma como a vida presenteia lições,
Na dualidade da beleza e perigo.

Como os astrónomos pretendem desvendar
a ordem de um universo desconhecido
Eu vou fluindo sem pressas
No que quer que me esteja concedido.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Se vier, é por bem.
Se não vier, também é por ele.

O que aprendi com aprender

Os anos passam e a verdade é que há quem seja mais sapiente para algo naturalmente, mais prático para outros tantos, possuir disponibilidade e paciência para outros versos... Cada um tem que ter a lucidez de perceber onde é que a terra não está a deixar nascer, arrancar meticulosamente cada erva daninha, cada bicharada que só se auto alimenta e não simbiótica a coisa... Pelo meio disso vamos tendo companheiros especiais, pode ser aquela conversa trocada num autocarro qualquer, um amigo que abalou qualquer coisa, uma contemplação de um futuro nunca sonhado, ou o caminho com folhas de Outono no chão.
Sei que comigo, as coisas forçam-se a ver e a acontecer resultado de alguma displicente forma que tenho de apurar objectividade nalgumas situações que vão além da metafísica pura. Já me puni muito, já julguei que tenho o que mereço e mereço o que tenho, mas também sei que pensando assim sou a filha da puta de uma inimiga! E a vida interior também ela, é para ser levada no maior esforço em que a amizade e concórdia prevaleçam até à sua naturalidade.
As coisas chegam quando estamos preparados para elas, se bem que o pior erro é ficar à margem do rio a contemplar as condições mais especiais de passagem. A passagem muitas vezes precisa de acontecer não sabendo nós se ficaremos todos indrominados, pés gelados, roupa molhada, uma dentada de peixe aranha... mas arriscar isso, é também ver que não importa o que aconteça, quando alcançarmos o tal outro lado enncontra-se um nível mais iluminado e honesto de conhecimento. 
Por isso e por muito, não me quero mais deixar estar nesta margem.
Vou passar, vou para o outro lado,
e que se foda.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Golden year, por haver golden days

A vida contemporânea é uma foda, realmente.
Não havendo azares para concentrar na manutenção do que é realmente essencial, a mente enche-se de vivacidade para pensar em literais caganices, como melodramas nada afamados ou inquietações que nada têm de inquietante. Falta um bocadinho de resiliência para entender que tudo isto é algo maior, um sonho lúcido de alguém que aprende a sonhar, uma visão enorme de um campo de estrelas que brilham independentemente do quê e quando. Há igualmente crueza e rocha fria, mas não as ignorar é já saber que tudo é parte da vida e o ilusório é querer acolchoar fofura onde esta não precisa de entrar.
Não imaginando o que poderá estar encetado nas malhas do destino que vou criando, sei que a força interior e a permanência de algum rasto de infância enquanto se é logicamente adulto, é simpático para proporcionar as transformações que possam acontecer. Não há Primaveras anunciadas enquanto não existir o sentimento claro de quem se é, do que se quer. O resto, quem, onde, de que forma, virá por si.
Imagino a vida num caminho bonito de terra batida, onde vou vendo todas as pessoas que passam, ficaram ou sairam, vou-as cumprimentando, agradecendo, sorrindo. Algumas agarram-me a mão, outras olham-me de fugida, outras abraçam-me com força, outras ainda com um abraço muito suave como que não sabendo bem se me devem abraçar. Em todas elas fico muito grata a este potencial do caraças que é a vida, na forma como nos coloca nos passos uns aos outros para sinalizar mutuamente a nossa caótica imensidão interior.  
E por muito longínquo que seja o âmago da vida, ele está nesses riachos que correm, no vento que desliza pelas encostas, no silêncio do que foi e naquilo que irá ser, nos sorrisos contemplados e tudo isso tem uma ressonância brutal em mim, dizendo que o tempo certo de contemplar a vida é sempre este, é sempre aqui. Onde me vou construindo com mais integridade, desejando que a vida não me ofereça uma oportunidade menos completa do que isso. 
Obrigada a quem deu sol aos 30🌻

domingo, 5 de novembro de 2017

Sem medo caralho!
E digo caralho porque é um versado eufemismo de um pleonasmo existencial.
Caralho fica bem, é bonito, rima com saias rodadas, montanhas em degradé, serviço universal da natureza a nosso favor.
Caralho é expressivo como um complemento de uma generosa coprolália quando a vida oferece surprises, sorprises e surpresas.
Sou a favor do caralho como aditivo de especiaria.
Alho com as suas propriedades anti-inflamatórias revitaliza, expande e cura.
Quero lá eu melhor equação do que essa toda?
Caralhos me fodam se não quero!!

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Um arco irís de música em crescente abundância

Não me pode ser mais precioso o facto de poder tocar na vida de outras pessoas.
Porque sempre que eu toco na vida de outros, a vida deles toca em mim como se o reflexo se oferecesse ao reflectido, como se a dádiva se desse ao doador, como uma flor que se cheira mas também se delicia  na carícia de quem a alcança.
Julgo que só se consigo ser humana quando eu perspectivo um todo. Não é a tal, o tal, é ele imaginando o seu fim de dia ao chegar a casa, as dores que o percorrem quando se deita, as orações que alguém deita no silêncio de uma noite, o passado ou o futuro que alguém percorreu e está a percorrer. Com pressa, sem ela, dorido, triste, ansioso, sonhador. É imaginar todas essas constelações, estrelas, buracos negros que nos apertam, entorpecem, colorem, dão dignidade, amor, fel, humanismo, humildade.
É como tocar em alguém e sentir uma luz a acender-se em qualquer lado.
E será um lado que todos nós ainda desconhecemos mas que nos conecta a uma frequência universal e simples.
A vida é procurá-la, entendê-la. 
E deixar ser.

domingo, 22 de outubro de 2017

Dido e Eneias

Tenho a sorte de ter bençãos na vida, mas nada que seja premeditado ou sentido de mão beijada. Primeiramente, grande parte delas não escolhi, algumas são naturais e nunca me entregam a um sentimento de solidão e outras alcançam-me quando períodos de maior escuridão interior catapultam a ser melhor forçosamente.
Uma dessas benções foi partilhar um pedaço de noite, embora não saiba se era o seu fim ou prelúdio, onde a paisagem que se figurava diante dos meus olhos era extensa, cinematográfica e misteriosa. Quase diria que já ali estive, a vi e senti, contudo sei que a memória se trai constantemente com a complexa informação que lê de diversos canais. Sei que o rio estava distante mas sentia o seu cheiro, as rachas desenhadas na areia determinavam planos de composição tão belos quanto naturalidade o permite e a ponte, lá ao longe, transmitia a ideia de que nada faltava para compôr este quadro de beleza viva. Se a palavra perfeito surgiu para caracterizar a excelência de algo, era ali, era aquilo, naquela mistura viva, urbana, natural e onde a noite entregava o dom da magia. 
Nessa noite senti a benção da amizade. A amizade é de facto uma força poderosíssima. Os amores passam, como passa o tempo, os pertences, os ciclos, mas a amizade quando é verdadeira e resgata e estimula o melhor de cada um, não tem tempo. Não tem lugar, não tem inveja, ciúme, vergonhas. Eu agradeço bastante por poder experimentar essa sensação de ser compreendida sem rejeição ou julgamento, mas num sentimento bondoso de querer o bem do outro por aquilo que ele genuinamente é. Faz-nos mais capazes por dentro. Sem originar dependências com o que está fora.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Alaska

Caminhava pelos campos de primavera ainda a recordar-te, tal como um balão que permanece avistado num lugar distante dos céus.
Deitei-me na relva que se assemelhava a um ombro amigo num dia escuro e sorri ao horizonte, experimentando cerrar os olhos e saber como seria o seu sorriso na forma inversa. Nesse fragmento de tempo senti um ar frio a surgir, parecendo um nevoeiro de uma paisagem misteriosa que não se desfigurou.
Eras tu que me contemplavas de perto. Eu não sabia se te contemplava igualmente, dado que a robustez do teu olhar não me concedia essa permissão. Era como se a troca não estivesse equilibrada, porém, que troca o é quando os corações não se conseguem transparecer?
Estava dominada nesse olhar como se ele me conseguisse aprisionar, mas com a particularidade de aparentar oferecer uma qualquer porta aberta, talvez uma apologia poética da tua forma de ser livre com endereço. Eu sabia que a saída existia e não almejava realizar esse caminho já conhecido, que tantas vezes tentei percorrer para me conformar ao presente. Desta vez, pretendi enfrentar-te, sabendo que enfrentar-te era estar a enfrentar-me e que o abismo em ti se abriria inevitavelmente para o abismo em mim. Rasgada, aberta, receosa. Mas firme.
Contemplei-te sentindo o ar frio que me inquiria e pesquisava de uma forma crua. Ténue era a percepção que a minha mente lógica captava, para compreender se estaria a ser descoberta ou a receber uma despedida.
Até hoje não sei se o que te percorria era medo, curiosidade ou a gelada inevitabilidade do que não pode ser, como quem constata melancólico um jardim de infância onde nunca brincou.
Não me fizeste sentir quente. Mas o que guardei de ti, tal como a melhor versão de mim sozinha, é o que me mantém cálida e a querer caminhar. Não ultimes alternativas ou reúnas um qualquer simbolismo reconfortante se a tua intenção não for proporcionar melhor do que isso.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Hino a ré maior

Estava a tocar flauta pelos montes herminios e diz—me uma cabrita:  "Amiga, levaram—me o bode porque acusaram—no de expiação, mas a verdade é que quem é raro carrega nas costas o mundo inteiro. E se o que está às costas pesa, eu, que estava no seu coração era a única coisa que nunca lhe devia ter pesado."
E posto isto, já não consegui tocar mais flauta nesse dia, sabendo talvez o porquê.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

"O que vejo em ti, corrijo em mim"

É um óptimo sinal orientador quando, através do que percepciono de menos bom nos outros imediatamente me retenho e detenho em mim e penso se não é precisamente aí que eu tenho de mudar.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Gosto tanto de prolongar a noite em trabalhos e imaginar a cidade toda a adormecer, da cidade salto para outra, e para uma vila, aldeia... Tudo dorme, tudo sonha o que poderia ser, o que não está a ser, o que está dentro de si para ser, esperando apenas a abertura de uma porta que não é mágica ou trágica é a força e possibilidade da acção..
Ahhh como gosto de sentir o embalo da noite, nos sonhos acordados que hão-de vir...
Na vulnerabilidade do rosto humano perante se entregar ao que não sabe.
Onde todos, do mau ao bom, do pobre ao rico, do inteligente ao limitado, do sensato ao tolo, todos têm esse olho fechado, na ingénua ou humilde esperança que o dia traga o que ainda não foi...

sábado, 7 de outubro de 2017

Nem sempre o interessado faz o interessante e repare-se não é de originalidade o que me refiro. Posso ser interessada em escalada mas ser quadrada a subir os muros de desafios da minha vida, apaixonada por filosofia mas o meu processo de pensamento estar moribundo, adorar teatro mas na vida real não ser verdadeira comigo e com quem estou... Portanto, já muito pensei que quem tem interesses se revela sempre interessante. É possivel e justo parcialmente, mas como o que é verdadeiro pode trazer ou não justiça e a justiça apenas existe inteira, fica-me esta última assim tremida. Pensemos nos interesses e naquilo que nos proporcionam a ser - connosco e os outros - principalmente enquanto não estão a ser exercidos. Se o interesse afastar mais do que convergir, estamos do ponto de vista do limite do interessado. Mas quando o interesse amplia, aproxima e ajuda a desenvolver, é que se abre o incrível e estrondoso campo do que é interessante. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Quando o coração está escuro
o que quer que lá nasceu?
é adubo, terra fértil revirada
à espera que serenes no que a moveu.

Se espreitas para esse abismo interminável
de onde querias estar e a tua própria dor
de que serve no presente a tortura
de quem a si próprio não está a oferecer amor?

A diferença não é olhar do mais fundo para cima
é apenas contemplar o céu com nevoeiro por abrir
e saber que a força da tua evolução
há-de ser aquilo que se seguir.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Já estive nesses pequenos e grandes filmes indianos, a dança não era bollywood e não havia tudo a papar à mesa, mas consigo rever essa evolução, e a forma como a vida vai lançando os dados de situações semelhantes a estimular—te para ver se és semelhante ou dissonante, principalmente com aquilo que já tens acumulado dentro de ti. Sei que dentro de mim ainda existe escuridão, lixo, coisas menos belas mas à luz de uma lua tão bonita, é bom que o que se precise de revelar fique cada vez menos misterioso.
É muito nobre quando o coração consegue ser nobre.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Engraçado como todos caminhamos na mesma esfera em voltas elípticas, paralelas, perpendiculares, mas a verdade é que todos nos acabamos por cruzar, seja num futuro próximo, ou ligando um passado distante. Cada vez mais observo isso, que esses pontos vão fazendo uma bela tecelagem nas malhas que são as artes de viver, não pode existir assim atitude altiva ou submissão a algo, pois todos temos que estar preparados para viver os dois lados da mesma experiência, ver o outro lugar, obter uma perspectiva mais distante e completa. Sou muito grata pela capacidade de ver a ligação invisível entre todos e e todas, e como isso me deixa muito mais calma para receber e aceitar o que tiver que ser, pois o que virá, vem para ligar.
Por vezes as pessoas sabem que não precisam, ou não é de todo necessário, mas como já está pago, é grátis, leva-se. Julgo que existe um paralelismo enorme com as pessoas. Essa cruel ideia do já foi meu, da posse em presença transparente. Da pessoa que nem importa, importando mais o possuir o objecto, mesmo que o tempo já tenha passado e todas as cadências indiciem que o rumo se finou, bifurcou, dividiu, já se deixou de ver a sombra para ver apenas a memória. Mas não. Por vezes as pessoas querem mesmo só para sentir que têm, não que o querem. E isso é uma deselegância enorme perante a naturalidade do desejo.
A criação flui como água,
Não é de ninguém
Não tem pertenças e donos, snobismos e eli-tiques
A criação é um canal, não há começo e fim nisso.
Importante porque não se importa, só deixa fluir, deixar ser.
Eu só crio neste presente se a minha consciência futurista não estiver obnibulada no passado, nas amarras fortes de chão, num corpo cruente de preconceitos e locais quotidianos.
Enquanto estou aí não crio, estou nos lugares comuns.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Hoje sinto os pés de toda a gente.
Os pés apressados, que correm para um lado e outro.
Fazem compromissos, conectam pontos, são o compromisso.
Fazem toc-toc pela calçada, escorregam com a sola, caminham firme em plano neutro ou mais lateralizado.
Têm galochas, sabrinas, sapatilhas, chinelos, botas.
Mas todos têm qualquer coisa calçada, ninguém tem o pé nu, completamente nu. Ninguém se quer revelar por inteiro. Fica sempre algo a cobrir, não por segredo mas por a todos inibir colocar a pele mais ao sol. Iluminar algum vestígio de pêlo. Ou deixar o pé simplesmente descobrir a luz, como o fiel submisso a algo que nunca chegou bem a perceber, um caracol que só espreita pela carapaça com medo de como saberá a luz no corpo.
Todos esses pés caminham. Observo a sua impaciência, a acção, o acto de agir. O tempo neles, o tempo fino de areia.
Mas hoje olho para os meus e estão nus. 
Talvez queiram começar a parar.
Para receber a luz...

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A maior covardia

A maior covardia
Não é recusar enfrentar ventos e tempestades
Ou não encarar com bravura
outras vis impetuosidades...

Não é,
a impossibilidade de firmeza de peito erguido
perante o tiro que se prevê,
Nem fugir assustado do inimigo
No primeiro clamor que dê...

A maior covardia
é fugir de revelar a alguém
o que se sente por dentro
por saber que é igual também.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Eu fujo,
E dou 7 passos para à frente, depois para a direita, olho duas vezes para a esquerda.
Pareço louca, corro, corro, nem sei bem de que raio estou a fugir, é desta sensação esquisita que se me transfigura na pele, não sei se é amor se é dor, se ardor, se paralisia e porque raio seria paralisia se ainda estou a andar e movimentar-me tão bem...
Olho para trás e ouço zumbidos, abelhas, abelhões, vespas, enxames destas coisas com asas que fazem um bzzz bzz tramado na minha orelha, aquela que não ouviu o conselho da mãe, da amiga que parece um templo sabedor, dos colhões de livros que tenho no quarto, das luas cheias e novas desta vida...
Lá estou eu, corro corro nessa estrada, além das sensações agora o céu colore-se de azuis fortes, arroxeados, azuis densos e bem escuros, anunciando trovoada... mas eu não consigo ver trovões, nem sentir aquele cheiro de terra seca de Agosto a regojizar-se por saber que vai ser molhada..
É tão imbecil. Mantenho a corrida, eu que nunca fiz grandes quilómetros, já bem esbaforida, sempre com um receio persecutório-niilista, não vejo ninguém, mas assusta-me aquela sombra esbatida, como se fosse um comboio que já partiu e que me vê de perto, da mesma forma que eu o contemplo. Medimos forças, esse comboio com o fumo, potência do motor, passageiros descontraidos a olhar para a paisagem, nos seus movimentos norte-sul-este-oeste, e eu. Eu a ver vista que se esconde por detrás de um vidro espelhado e esse vidro espelhado a espelhar a minha vista. Eu, minimal perante esse comboio e esse comboio tão gigante perante o meu próprio ser. Tão insignificante, faminto, dorido, tolo, que corre corre corre. 
Acho que agora começo a sentir esse rumo,
Vou para norte.
Seja lá ele o que for.
O que trouxer, o que der, quem vier nele. Nesse norte, que baralhando letras faz tenor, a voz masculina mais aguda produzida.
Ainda bem,
estou a precisar variar dos graves.

sábado, 23 de setembro de 2017

Lindão

Estoicismo

(A Manoel Duarte de Almeida) 

Tu que não crês, nem amas, nem esperas, 
Espírito de eterna negação, 
Teu hálito gelou-me o coração 
E destroçou-me da alma as primaveras... 

Atravessando regiões austeras, 
Cheias de noite e cava escuridão, 
Como n'um sonho mau, só oiço um não, 
Que eternamente ecoa entre as esferas... 

— Porque suspiras, porque te lamentas, 
Cobarde coração? Debalde intentas 
Opôr á Sorte a queixa do egoísmo... 

Deixa aos tímidos, deixa aos sonhadores 
A esperança vã, seus vãos fulgores... 
Sabe tu encarar sereno o abismo! 

Antero de Quental, in "Sonetos" 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

George Orwell, Animal farm

"Quanta labuta, quanto suor para ceifarem todo o feno! Mas o esforço valeu a pena, já que a colheita superou os seus sonhos mais ousados."
Há que ter o gentil cuidado entre o ser doce, mas não submisso ou tendencioso, imparcial mas ainda assim coerente, exigente mas sem snobismo, ter coração mas sem rigidez geral. Uma vida de nenúfar em nenúfar com a elegância de uma pata de elefante, pois assim seremos seres melhores vivendo vidas plenas de interioridade convicta e não de julgadora ou devota exterioridade. Seja-se feliz por dentro. Para depois opinar por fora.

domingo, 3 de setembro de 2017

Inevitavelmente, a vida tenderá a ser um ciclo não de sucessivas repetições mas de graus e estadios de desenvolvimento de acordo com as tuas percepções e experiências. Ainda há um ano estava a fazer e hoje estive a ver, e isso fez-me pensar o que daqui a um ano posso estar a ver quando estive agora a fazer, assim como o seu contrário. Estamos sempre em rodas, rectas, elipses, espirais, tudo em movimento e sentido e cada momento capta o seu próprio sentido para dar continuidade ao outro. 
Por vezes um ano tem anos dentro do seu tempo.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Coisas que se ouvem sobre o amor

"Toda a Humanidade está no nosso inconsciente relativo, agora passarem ao subconsciente é muito complicado... e depois há um longo caminho entre dois para poderem estabelecer um diálogo na consciência"

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

— Boa tarde.
— Boa tarde! Olhe, já tem ficha cá?
— Ah, não não.
— Peço desculpa então.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Algo que rejeitas determinantemente, é onde precisas exatamente de ir.
- Durante uns anos reprimi sentimentos...
- Sim...
- Há muito tempo, não sei se já tinha nascido.
- Os sentimentos são intemporais.

domingo, 13 de agosto de 2017

sábado, 12 de agosto de 2017

Há tanta vida além da vida, que origina mais vida ainda.
Múltiplas formas de estar, pensar, de ter assimilado aquilo que a cultura, a infância, os sítios por onde se passou, amou e foi amado. É incrível como tanta diversidade produz tanto conhecimento, mas o conhecimento muitas vezes não fica a par dessa diversidade. Enclausuramo-nos em muros de betão citadinos, barrando outras coisas de acontecerem. Esse estar no agora é simplesmente o que se chama de futuro. O futuro não acontece. É só uma projecção do que estás a ser agora, de um contínuo agora.

domingo, 6 de agosto de 2017

Este presente onde vivo é extremamente bonito.
E só é bonito porque é extremamente PRESENTE.
O extraordinário é a simplicidade em estar.
Se não estiver estou numa constante aceitação.
Disto e daquilo, de uma treta aqui, um biscate ali, uma planificação furtada, um sonho não atendido.
Se só me deixar estar e receber sorrindo, e sorrindo e recebendo, mesmo que isso signifique uma ausência, tudo começa a organizar-se para gerar presença.
A minha.
E só nesse tom tudo fica extremamente indiscutível.

sábado, 5 de agosto de 2017

O que é natural é natural por inteiro, não o é só em metade, três quartos, um oitavo...
Já dizia o querido, querido Pessoa.
Atente-se nisto para entender o tipo de ligações que se cria e mantém.
Não dá para forçar nada.
Não se pode querer mais do que poder, a ordem jamais conseguirá ser trocada no que toca à naturalidade.
Tudo o que queres podes, mas nem sempre podes o que queres.
Tudo o que é natural vem a nós uma fração de milésimo de nano-segundo implacável.
Não se reanimam pessoas ou pescam sentimentos. O viver implica um cegar da não naturalidade. O reatar implica ultrapassar o que foi feito de não natural. Só se restabelece a ordem do que já está ordenado, do que não foi roubado, tolhido, fingido, guardado em força. A naturalidade não se pede, flui no vento e na água.
Oxalá os meus timings possam ser compativelmente naturais com quem mais me venha ensiná-los.

domingo, 30 de julho de 2017

Pensava eu que os sinais eram umas luzes de avistamento do farol, ou melhor ainda, do mar que se abria sobre ele..
Mas não.
Os sinais são exatos. São aquilo e aquilo mesmo e precisam de obter uma transfiguração em ti, na tua pessoa. Sinalizam é o próprio caminho interior, não sujeito a interpretações de ordem contextual.
Por isso eu digo que se lixe.
Que se lixe esse vaso que se espreita em raso fundo. A terra está plana, o castanho mantém-se bonito, mas estático. Digo então que se lixe outravez. E abro a janela para entrar ar, muito ar fresco. Sobretudo aquele que conquistei pela mudança do centro do meu próprio pensamento.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Ser e parecer

Que grande conquista esta, alicerçada em todos os níveis de crescimento.
Quantos são? Quantos parecem?
Quantas vezes não confundimos um e outro?
Em nós e em alguém?
Eu quero ser. Ser simplesmente e simplesmente ser.
Porque o ser oferece calma. Não há agitação, burburinho interior, falta de pertença, algo a provar. Ser compreende a conexão com tudo o que é visível e invisível. Com todas as dificuldades que lidaste, as vezes em que não te aceitaste, a tristeza, o caminho que parecia perdido. Contém o oposto de tudo isso na alegria extrema de uma felicidade revigorante que não passa por ninguém, mas por ti.
Força nisso.
Vamos lá a ser.

domingo, 23 de julho de 2017

Que é isso de "Já sabia há muito"?
"Li há anos", "Se não fosse eu?"
Isso, é vilipêndio do ego.
Da próxima vez que o quiseres dizer, respira fundo.
Porque, no reverso dos reversos, um dia é a vida que te diz a sorrir, complacente, "já tinha lido há muito isto".

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Emancipação de consciência.
Não escrevo isto com alguma falsa pretensão de prepotência e superioridade.
Para mim, é tudo o que essa emancipação não emana, borbulha ou ilumina.
Algures muito para trás, houve uma pequena sementinha que foi plantada e sendo regada entre calma e anseio. Muito anseio até. Muita agitação por forma a querer resultados, sem a sapiência prática de que os resultados surgem em congruência com aquilo que o mais profundo de ti é e quer. E se esse mais profundo tem que doer à farta, tem que evoluir em pressão darwiniana, então nada será compatível com um simples querer.
Mas algures nesse tempo, em que essa sementinha foi plantada, os ramos verdes despontaram. Despontaram divinamente interligados com o céu, com as surpresas, com os sorrisos, com a sabedoria. Com a calma, a calmia.
O mar não está bravo.
Há qualquer coisa nele que pede apenas que me deixe boiar.
Deixe ir.
E eu vou aproveitar.
Até já.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Fazes tão bem em intelectualizar...
Isso! Intelectualiza...
(agora até pareço aquela voz critica e julgadora quando as pessoas não têm compaixão do outro)
(mas é de propósito, fica sabendo)
Isso, intelec + tu + aliza aí qualquer coisinha porque vai ajudar... porque decompondo essa esperteza que estás a fazer, digo-te que simplesmente estás a moldar o intelecto na tua direcção.
Então não é mais fácil? Colocar lógica e organização!
Quem te disse que o sabes? Que sabes o que tenho para ti? O que é para viver, para fazer!
Sou eu que ordeno! Eu é que legitimo o que se está a passar.
Mas é comigo. Nos meus bastidores.
Por agora o que te peço é só sentir. Sentir e deixar ir. Não é racionalizar e deixar ir. Isso precisas para uma data de acções práticas, para libertares o peso ou quotidiano delas e ires seguindo rumo.
O amor tem tudo menos lógica.
Se for lógico não é amor.
É uma contratualização, um esquema, um facilitismo para a vida em geral.
Quando é amor só precisas sentir, de senti-lo. Não podes encontrar justificações enroladas em papel de caixa registadora ou balanças. Tenta perceber que atraímos e somos atraídos para vivenciar aquilo que o mais fundo de nós precisa. Esse que sabe onde não existe o lógico. E o amor, apesar de bom, é dual, harmoniza-se na dor e na alegria, não penses que vives muito bem só do pólo feliz. Alguém feliz é quem conhece, vive e trabalha a dor.
No amor digo que a única lógica é divinal. E aí, não encontramos argumentos ou algum algoritmo ou método.
Por isso sente, sente tudo, de um pólo ao outro.
Quando chegar ao fim perceberás a lógica... a lógica de nunca teres saido do seu início.

sábado, 15 de julho de 2017

Um grande desafio desta vida reside na compreensão de que o amor que dás a ti próprio tem de conter a mesma espontaneidade e intenções que cordialmente ofereces ao outros.
Como aceitar tudo de alguém e não aceitar em ti?
Que amor vem a ser esse, que não começa em ti, mas nos outros?
Que te desvaloriza e eleva o outro?
Talvez por isso, quando o outro te deixa de amar como entendias, tudo fique corrosivo e questionável. Ou caótico e ingrato.
Tem mas é juízo e começa a ver que o tal projecto de vida, acima de tudo, será teu, é por ti.
Quem se quiser juntar, força
Quem vier por bem, que venha.
Mas nunca para completar, aprofundar, uniformizar, esperar sedento uma prenda ou expectativa ancorada qualquer.
Há que estar ciente da realidade de cada um, mantendo os caminhos individuais. O sinal da subtracção é apenas uma linha, e na multiplicação ou soma, há um cruzamento de duas linhas mas só num local definido, o centro, em harmonia. Nada esta sobreponivel. Pensemos nisso.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

"You say goodbye, and I say hello"

Eu não vou dizer esquecer! Não vou forçar, abandonar, fugir, partir! Até porque tudo o que se força, agindo a vida em eco, ela também sabe imprimir mais força para que continue a chegar até nós. Para parar de resistir, ceder, perder a luta. Eu não vou culpar, atribuir factor externo a tudo aquilo que foi originado pela minha própria energia e vontade. Vou acreditar que serei digna de viver apenas congruentemente com tudo o que sinto. Com tudo o que sinta, legitimando-o. Não quero sensações densas e pesadas, mas o propósito é também senti-las para que possa harmonizar o que foi suave.  A dualidade é assim, está aí para te lembrar que o ar e a terra andam de mãos dadas e nunca será possível viver ou acreditar só em um. Tem que se viver os dois. Porque os erros, são assim chamados quando se cometem diversas vezes da mesma forma. E não, quando  sob a mesma forma, se abrem múltiplas perspectivas de o poderes vivenciar. Isso chama-se aprender com a vida.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Confiar no processo.
Mesmo que pareça tudo estagnado, as roldanas avançam oleadas...

sábado, 8 de julho de 2017

Quando a capacidade de alterar te lateja um pouco na dignidade, não é para alterar. É para deixar ir.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Querido Universo,
vou confiar que trazes sempre o que tiver de ser, no tempo certo. Mesmo que pareça desorganizado, ilógico, doloroso. És tu já a preparar, já a pôr no caminho. Que se de alguma forma somos poeira e explosões cósmicas de mil milhões de anos, o teu conhecimento e energia está em mim, como em todos os que por aqui andam. Que sabes as escolhas, porque te escolherei inconscientemente, pois encaminho-me para ti, à minha maneira, nas decisões, escolhas e ideias que vou tendo. No que vou conhecendo e quero conhecer. Na amplitude que me permito a ter para ir vendo as plantinhas a crescer, o amor nascer, o melhor de mim a vir. Sabes bem que não quero ser cinzenta, monocórdica e absolutamente limitada. Se vim de ti é para não o ser. E sabendo isso, aceito tudo o que possa vir, porque nessa certeza eu sei que não estou só a crescer. Estou a expandir.

terça-feira, 27 de junho de 2017

domingo, 25 de junho de 2017

E chego a casa. Dirijo-me vagarosamente para a janela, como quem sabe que a espera tem sempre um retorno, um sentido, um presente. Abro aquelas superfícies duras em par e o meu coração solta-se num uníssono com a paisagem. A paisagem que tantas vezes contemplei e que me ensinou a saber amar. A ser livre como só ela, numa altura onde eu queria ser tudo menos livre. Fazia exatamente o contrário. Tinha pertenças, pertences e a entrega era condicionada. Só ali me encontrei ao ver aquela vastidão dos dias, as nuvens a desfazerem-se nas serras, a lua a balouçar sob a perfeição, as árvores vigorosas e calmas que testemunhavam a passagem dos anos. Essa paisagem, pudesse eu levá-la. Pudesse eu sonhá-la todas as noites, aconchegar-me o coração quando tudo é betão e descartável. Conseguisse eu conversar com ela e dizer-lhe que fiquei mulher. Que aprendi a largar, a ceder, a não vitimizar. Que a natureza não tem dramas e certezas e que justamente aí, eu me quis associar à sua vida. Para ser mais maleável, mais íntegra e inteira. Foi isso que a paisagem sempre pediu, em silêncio, quando agitava o vento nas encostas, quando as nuvens traziam mudanças e o sol, o calor dos dias que foram. Mas principalmente, o sol dos dias que ainda estavam por vir, quando o interior fica gradualmente mais iluminado.
"Em boa verdade, as relações só nos revelam a nós próprios. Concedemos às pessoas pistas como podem amar-nos, como eles vêm a amarmo-nos. E é verdadeiramente sobre nós e da nossa relação connosco, o que é reflectido. Nós atraímos pessoas que nos vão permitindo crescer, que nos convidam a crescer e que ajudam a subir os mais altos degraus da auto-expressão. E não acontece sempre conscientemente ou de forma agradável... simplesmente acontece. Aproveita as oportunidades de os outros te mostrarem o quanto te amas."


sábado, 24 de junho de 2017

"Eu não quero protecção, impunidade, segurança ou domínio! Eu quero ser eu própria, sentir, vibrar e poder ter um êxtase, uma vez na vida. Quero o risco de ser quem sou. Quero acreditar que sou protegida pela luz, mas não para ser impune. Não para ser impune. Pelo contrário! Para poder viver tudo o que tiver para viver, todas as emoções, alegrias e tristezas, para finalmente ser uma pessoa inteira, completa, verdadeira. Uma pessoa que não se esconde."
Solnado

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Don't Let Me Down



Ai o amor o amor...
Esse sentimento que nos vem ensinar tanto através das ligações com os outros.
As visíveis num sorriso, as visíveis na forma como os olhos percorrem o pescoço e entram no olhar do outro profundamente...
As invisíveis na forma como o coração está a sorrir, está a cantar, está embalado, está tolo, ouve passarinhos e moinhos e água a descer pelas encostas...
O AMOR! Esse sentimento que quando verdadeiro nos ensina a querer sem posse, a identificar sem pertença, a respeitar com identidade. O amor, esse, que quando chega, muda as nossas vidas...
Eu conheci o amor. E por conhecê-lo, deixo-o ir onde ele tem que pertencer...
Ao vento fresquinho.
Ao que está por vir.

E no meio disso, eu também serei embalada para outros ventos.

Quiçá, algum, que me diga "ainda bem que aprendeste a amar, pois aguardei-te nisso".

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sincronismo é a forma como o Universo vai enviando mensagens, que a mente interpreta súbita ou indirectamente como fontes que aproximam e sensibilizam a um caminho interdependente. Só a astúcia e lucidez poderão ajudar a definir que fonte é essa, para onde corres, qual o tempo. Sê paciente, sorri, sente humildemente e repara como é grato todo este sentimento de pertença a algo maior... 
Cheira a mar dentro de ti.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Caetano, você é linda, digo eu sobre a vida

Ainda me lembro quando deveria ter uns 20 anos e de ouvir em estado meditativo-introspectivo, esta música num rádio distante. Eram aqueles anos em que sentimos as inconsequências à flor da pele, onde tudo é arrebatado mas incerto e tão doloroso quanto maravilhoso. Como que ainda não existindo um limite definido entre o florir das experiências e o que possivelmente se deveria prestar atenção nas suas advertências encobertas. 
Sei que nessa altura, pensava eu sobre o amor. A ouvir os assobios, a melodia, a bateria, enquanto a noite inundava o céu e o meu coração. Recordo-me do sofrimento, porque estava a começar a dar os primeiros passos naquilo que são as aprendizagens que se perpetuaram até hoje e que,para minha evolução, muito precisam de continuar.
Amor é dignidade. Humildade. Para connosco e os outros. Não é posse, exigência, dar por adquirido. Ter gozo ou ser gozado. É honra nos comportamentos. Assertividade natural que flui e se potencia em conjunto. É paciência, compreensão, entrega incondicional. Acreditar que o livre arbítrio é tão forte quanto o encaminhamento que o Universo oferece. 
Amar é ser livre e ser livre é amar, tendo paz e sendo paz para alguém. É encher de respeito o coração e não a boca.
E hoje, ao ouvir o Caetano a dizer você é linda, apetece-me dizer que ele fala da vida, caracteriza-a assim, tão simplesmente. A vida é linda quando o amor nos vem mostrar outravez como é que se aprende a amar. Tudo novamente.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Em miúdos, não sei se seria pela tolice impulsionada pelas revistas, mas gostávamos de colocar perguntas triviais a nós, muito antes de chegarem as mais metafísicas como quem sou eu, de onde venho, ou qual o nosso propósito e ligações. Lembro-me que se gostava de perguntar com alguma ingenuidade na voz "que animal serias?" e de ouvir muitos dizerem cão, gato, golfinho, estrela do mar. Tento recordar-me e acho que falava muito em ovelhas e felinos, contudo não consigo precisar a resposta. Sei que era algo fofo e afectuoso sempre, porém não descarto que algum felino mais feroz me possa ter fascinado.
Hoje dei por mim a pensar por entre as ternas vicissitudes da vida, estas leves questões. E apraz-me dizer que não seria nem mais nem menos que um pássaro. Não queria pertencer a determinados ambientes e climas, contextos e grupos. Queria estar na montanha, depois na água, sobrevoar uma floresta, sentir o aconchego de um ramo de árvore, permitir-me a entender as leis da física existentes na progressão de um voo. Acho que assim sim, sentiria a vida, em toda a sua plenitude. Tal como sinto agora, embora os meus pés ainda façam alguma força para se quererem agarrar ao chão. A pergunta agora já não é qual seria o animal, mas o que quero de mim revendo-me nele.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Através de Brian Weiss

"Inverteste a realidade e a ilusão. A realidade é o reconhecimento da tua imortalidade, divindade e eternidade. A ilusão é o teu mundo transitório tridimensional. Esta inversão está a prejudicar-te. Anseias pela ilusão da segurança em vez da segurança da sabedoria e amor. Anseias por ser aceite quando, na realidade, nunca podes ser rejeitado. O ego cria a ilusão e esconde a verdade. O ego deve ser eliminado para que então a verdade possa ser vista. Com amor e compreensão vem a perspectiva da paciência infinita. Qual é a pressa? De todas as formas o tempo não existe; apenas parece que existe. Quando não estás a viver o presente, quando estás absorvido pelo passado ou preocupado com o futuro, infliges a ti próprio grande desgosto e angústia. Também o tempo é uma ilusão. Mesmo no mundo tridimensional, o futuro é apenas um sistema de probabilidades. Por que te preocupas tanto?"
O tempo de parar não é o tempo de morrer, perecer, ficar estático.
É o tempo de contemplar o céu, deitado no chão do que a vida trouxe de frio e inevitável.
E não unir os pontinhos especiais e brilhantes com as mãos, mas com uma imaginação que seja puramente intuitiva e não permita o lógico perturbar o indizível. Porque o infinito, na mesma proporção em que não tem uma medida exata, também nos deve relembrar que o nosso coração é permanentemente extensível.
E assim, deitada nesse chão, eu não uno só as estrelas. Junto-me a elas.

sábado, 10 de junho de 2017

Alguém 1 - (...) Lá está, agora quero evitar sorrisos, olhares, conversas de circunstância...
Alguém 2 - Enfim... você quer evitar a vida. E isso... não dá.

(E fez-se luz)

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Estar numa praia deserta
e nesse horizonte perdido
não saber se me transformo em sal
ou num luar reflectido...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Pedaços de inspiração

A Amélia coube a então difícil tarefa de se desvincular da linha histriónica que o mestre professava. Rosa não era um actor qualquer, mas o prestigiado co-fundador da companhia à frente do Teatro Nacional. Formado na eloquente escola de declamação romântica, dominada por abundante gesticulação e regulada pose e alternada por lágrimas, suspiros e gritos de todas as tonalidades. Mas em meio tão adverso à nova corrente, o derrube de velhos códigos e práticas de representação terá sido um processo moroso e híbrido.
Amélia parece percepcionar o excesso de academismo das aulas do mestre. Conta "eu tinha muito bom ouvido, apurado naturalmente no meio musical em que tinha nascido (...) à força de querer obedecer cegamente a meu mestre, nos textos em que trabalhávamos juntos, sem ter o propósito de o imitar, tinha, ao que parece, apanhado muitas das suas inflexões, a tal ponto que o caso já começava a ser comentado a meu desfavor. Chamou-me um dia a sua casa, o meu amigo Dr. Afonso Lopes Vieira, e ali, na sua biblioteca a sós comigo, durante umas horas tentou convencer-me a que, ao iniciar a minha carreira profissional, eu devia esforçar-me por me libertar da influencia do Mestre e provar o que poderia fazer só por mim (...) Não pretendia, é claro, criticá-lo mas somente - e com muita razão - fazer-me compreender "o seu a seu dono", e que o que naquele grande artista era um sinal da sua poderosa personalidade, na minha boca e juventude se tornaria pretensioso e feio."

Fotobiografias do Séc XX, Amélia Rey Colaço

Para mim, talvez não exista algo tão singular numa profissão que cuida dos outros como seja o zelar pelo sono de alguém. Permanecer no mesmo espaço, sendo um terno cúmplice da cadência entre o luar e a consciência, constatando como nos tornamos tão idênticos com os olhos fechados.
Como os que se sentem fracos, sonham ser fortes.
Como na força, houve dor e escolha.
Como há cor, coragem, amor, beleza.
Como existe tanto que em verbalizações, ideias e ousadias ainda se pode prometer.
Como estamos vulneráveis, frágeis, serenos, meninos.
Observar tudo o que nos fez, nesse tempo adormecido.
As montanhas, rios, brisas quentes de um passado distante.
As saudades, desejos e suspiros, a melancolia e agitação, o que ficou por fazer, o que não se conseguiu obter, quem quer acreditar e quem definha na esperança.
Enquanto dormimos, repousa em nós alguma substância terrena que nos permite aproximar muito mais das constelações, estrelas, galáxias e das poeiras cósmicas de mil milhões de anos.
Pudéssemos nós senti-lo mais vezes enquanto acordados.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O efeito do tempo e a mutabilidade das coisas

Deveríamos ter sempre diante dos olhos o efeito do tempo e a mutabilidade das coisas, por conseguinte, em tudo o que acontece no momento presente, imaginar de imediato o contrário, portanto, evocar vivamente a infelicidade na felicidade, a inimizade na amizade, o clima ruim no bom, o ódio no amor, a traição e o arrependimento na confiança e na franqueza e vice-versa. Isso seria uma fonte inesgotável de verdadeira prudência para o mundo, na medida em que permaneceríamos sempre precavidos e não seríamos enganados tão facilmente. Na maioria das vezes, teríamos apenas antecipado a acção do tempo. Talvez para nenhum tipo de conhecimento a experiência seja tão imprescindível quanto na avaliação justa da inconstância e mudança das coisas. Ora, como cada estado, pelo tempo da sua duração, existe necessariamente e, portanto, com pleno direito, cada ano, cada mês, cada dia parecem querer conservar o direito de existir por toda a eternidade. Mas nada conserva esse direito, e só a mudança é permanente. 

Prudente é quem não é enganado pela estabilidade aparente das coisas e, ainda, antevê a direcção que a mudança tomará. Por outro lado, o que via de regra faz os homens tomarem o estado provisório das coisas ou a direcção do seu curso como permamente é o facto de terem os efeitos diante dos olhos, sem todavia entender as suas causas. Mas são estas que trazem o germe das mudanças futuras, enquanto os efeitos, únicos existentes para os olhos, nada contêm de parecido. Os homens apegam-se aos efeitos e pressupõem que as causas desconhecidas, que foram capazes de produzi-los, também estão na condição de mantê-los. Nesse caso, quando erram, têm a vantagem de fazê-lo sempre em uníssono. Sendo assim, a calamidade que, em decorrência desse erro, acaba por atingi-los, é sempre universal, enquanto a cabeça pensante, caso erre, ainda permanece sozinha. Diga-se de passagem que temos aqui uma confirmação do meu princípio de que o erro nasce sempre de uma conclusão da consequência para o fundamento. 


Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Por Carlos Braz Saraiva

"Porque se diz que os não heróis não têm lugar na História, o medo do fracasso perpassa continuamente. Trata-se de uma perigosa armadilha, na medida em que perante o teste da realidade não existe nenhuma super-estrutura psicológica capaz de se alcandorar ao ponto de ultrapassar todas as fasquias sociais. Se não admitirmos escapatórias para as pequenas frustrações do quotidiano, próprias da condição humana, logo poderemos interpretar qualquer dissabor ou contratempo como uma humilhante derrota pessoal. E isto é confundir a árvore com a floresta. A parte com o todo."

sexta-feira, 26 de maio de 2017

" O amor existe, não podemos fazer nada para obter amor ou para o encontrar. A nossa única missão consiste em afastarmos cada vez mais aquilo que não é amor. O resto pura e simplesmente acontece."
R.S

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Por vezes gostava de saber a razão do meu coração se transmutar num tabuleiro redondo de dardos, onde culmino na primazia em dirigir a seta, que formulada em muito boa intenção, é firmemente espetada nos locais com maior número de pontos.
Entendendo que tudo é evolução, sendo proporcionada mediante a nossa responsabilização, eu digo alto, bem alto, no cume da montanha do meu próprio valor, que quero ser feliz!!! Longe de qualquer minuto onde possa adiar esse estado por culpas, autodesvalorização ou foco mal centrado.
O meu músculo cardíaco já provou ter uma força insondável.
Agarra vidas que passam para outro lado, pessoas a quem ninguém queria sorrir e sobretudo, uma competência para ser interiormente bonita para quem se partilha comigo.
Por tudo isto e muito mais, afirmo que não é só músculo. É vida que trago em mim, e hei-de aproveitá-la, talvez agora de uma maneira particularmente diferente. Para não fazer do músculo algo que só melhore com a dor, mas algo que melhore com o amor, o amor também sentido por mim. E esse amor não me faz ter decisões egoístas, narcísicas ou altivas. Faz-me saber onde me situo. E essa é a diferença entre quem se quer lamentar e quem quer receber.

terça-feira, 9 de maio de 2017

:)

Há tanto tempo que aqui não escrevo.
Seguramente para quem me segue, espreita ou respeita, poderá ser curioso, já que os posts eram regulares.
Para mim, não é nada curioso.
É que a vida não é nada estanque. Não somos rígidos e adivinháveis ou adivinhados.
Ninguém deverá julgar ou prever. Comportamentos, posturas, reflexões.
Tempos, cronicidades, compassos.
Não existe um trabalho mais inigualável do que aprenderes tudo isso sozinho, pois só te descobres, tudo o que vês externo são oportunidades e reflexos desses conhecimentos que precisam aflorar...
A vida tem tantas oportunidades..
Não vivamos desesperados a perceber onde estão elas!!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Disse-me um dia um passarinho que se me pousou na janela:

Hás de aprender a ser mais solta! Não pode ser dar, espreitar, ter optimismo cego, para em seguida te retirares para a gaiola e ver os pensamentos a se auto-incendiarem. O ferro das gaiolas também existe numa cabeça que tenha medo de mudar. Mudar é voar e voar tem possibilidades infinitas, naquilo que sairás mais enriquecida, porque nada é falhar, todo o conhecimento é eterno, útil, e os erros só demonstram que houve vontade em aprender. Seja ela vinda da humildade ou de excesso de confiança. E cada pássaro terá os seus tamanhos de asas, não te culpes por os teus não serem como querias. Responsabiliza-te antes pelo uso que lhes vais dando. 

E depois disto voou para parte incerta e ainda não me voltou a aparecer na janela, muito embora desconfie de o ter visto a espreitar-me um destes dias.

A responsabilidade é nossa

Há lá coisa mais genuína que, em não te comparando com o que os outros fazem ou pensam, mudas o que fazes ou pensas conforme seja o teu padrão!! Porque sinal de inteligência e evolução é esse, saber que fazes frente a uma data de factos, forças e fraquezas que hoje te determinaram. E o que nos determina é lixado, produto genético, educacional, empírico e adquirido. Cá por dentro é um luta constante que não pode perecer em batalhas campais de inércia ou impulsividade. É saber analisar previamente o que sempre se fez e melhorar com isso. É não ser 8 e 80 e 80 e 8, como também não é esbanjar a inteligência e meios motivacionais que cada um tem a obrigação de polir. Não é esperar recebê-lo de outros nem caminhar até outro país para encontrar no fundo de um poço ou no alto de uma  montanha. A mudança está em nós e ela segue-nos sempre na esperança de um dia repararmos que somos o produto de a usarmos ou declinarmos...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A cada dia que passa, por mais que o filtro esteja distorcido e a dureza da vida te vá deixando ora respirar, ora ficar mais apneico, és único. E nessa condição tão sujeita a foto de instagram, post inspirado e incremento em algures, é a única filha da putice de coisa que mereces saber, para seres grato a esta oportunidade, que para outros é mais sofrida, mais injusta, mais conflituosa, dependendo apenas de um andar, rua, localidade ou continente.  
Eu já estive por um auto fé doloroso, esperando que tudo de menos bom tenha ardido, para sem dúvida alinhar com o ponto de recomeço que me seja aguardado. Resta-me saber se algo ainda ficou por arder, ou se tudo o que me impeça de ser melhor está a momentos de ser ardido. Há que saber usar o fósforo bem, porque de purificação a estupidificação, só metade da palava muda. Deus me livre de envergar a metade errada.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Convém não ser uma flor que murcha conforme seja apreciada ou não...
Elas murcham da sua incapacidade em sobreviver.
E essa incapacidade não pode vir de ti.
Senão não és flor.
És natureza morta.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O conceito de cuidar


O conceito do cuidar que hoje me chega, traz harmonia, conciliação, preocupação pelo bem estar quando nos outros vemos negligenciado, união e respeito. Cuidar envolve primeiramente ser humano, compassivo, procurar um sorriso e formar uma ponte em que as pedras só são usadas para serem carregadas juntas em frutífero companheirismo. Cuidar tem um afago no cabelo, uma sopa quente, um olhar atento. Tem as últimas horas do sol de fim de tarde e as primeiras da manhã. Carrega o sentimento de que não se está sozinho porque em algum lugar perto, há alguém que zela por nós. A todos nos quais senti o sentido de cuidar sobre mim, eu agradeço muito. Sou melhor pessoa pelas melhores pessoas que com as melhores intenções me quiseram e querem bem.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Humildade, que estejas sempre presente

Tem de existir um certo foco consciente de que há que manter continuamente a sensação de aprendiz. Ninguém alcança bens maiores sem a companhia e clarividência da sua própria imagem em construção. Espero nunca me esquecer disso. Que existe a lei da gravidade, que as balanças se equilibram, que as energias vão e vêm em retorno e de que, essencialmente, nenhum ramo se enche de folhas sem a raiz ser bem alimentada. E só alimenta a raiz quem valoriza o que teve e tem, sabendo o que são os começos do zero.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Há sempre algo a fazer

Ligo a televisão e assisto ao descontrolo no mundo. Aquele que não me era bem perceptivel quando brincava às escondidas pela rua, quando sofria com materialismo juvenil, ou quando a vida adulta emancipava dor e decisões percepcionadas na escala da ansiedade invidivual. Eu não consigo mudar a guerra na Síria, o tráfico de diamantes, pessoas, orgãos, animais, dogmatismos religiosos e políticos, violência terrorista e política, o degelo, a indiferença quotidiana nos olhos das pessoas, que as redes sociais sempre colocam um pouco mais sorridentes. Não sendo perfeita nem mais do que alguém, é mesmo aí que reside a humildade necessária para me vulnerabilizar e crescer, sabendo a necessidade dos outros e dos outros em mim. Portanto qual poderá ser o meu contributo? Se não posso mudar a uma escala global, essa que me vem chegando atráves de múltiplos canais. 
Posso pensar, sentir e fazer de cada pessoa que passe por mim alguém respeitável, em que consiga transmitir trato gentil e digno pelo que é. Elogiar, sorrir, ver o melhor de alguém e dizê-lo. Saber partilhar um espaço, seja físico ou afectivo. Ser educada, ter bons modos mesmo para aqueles que a moral nos coloca em dilema. 
Por mais que não mude o destino trágico por onde nos movemos (porque a Síria é aqui, África é já ali e nada se move como se não fosse de todos), por agora sei o que preciso trazer na consciência. Fazer do m2 onde me movo, um local onde quem está não seja lixo, indiferença, desnivel ou objecto de inferioridade, frustrações e animosidade. E assim, morrendo sem um activismo global, ao menos que este compromisso com a paz e respeito seja o melhor activismo individual que possa ter exercido

domingo, 2 de abril de 2017

Oh meu bom Carlos Eduardo...

Estou como tu dizias há uns tempos:
"Caiu-me a alma numa latrina, preciso de um banho por dentro!"

Eça de Queiroz, Os Maias

quinta-feira, 30 de março de 2017

That's it

Por vezes a vida coloca-nos num túnel interessante de decisões em que atrás de ti está terra e em frente tens o mar, onde não sabes o tamanho de ondas, a capacidade do teu barquinho, e sobretudo, se te lembraste dos dias cinzentos quando contemplaste o mar azul de sonho...
Mas a vida é assim.
Dura e dificil.
Maravilhosa e grata.
Madrasta e mãe.
São tudo caminhos.
Alguns são escolhidos na coragem do que queres ser.
Outros pela coragem do que tens sido.

sábado, 25 de março de 2017

Falando de mim sobre mim

A vida no seu construto impressionante vai alertando para o que são padrões ou vicios adquiridos que em nada revelam o potencial ou apenas e tão só, o que realmente proporciona o bem estar. O bem estar tem que surgir de ti para ti e devolvido nos outros sob a forma de percepcionar as situações sem que com isso te sintas inferior, lesada ou ridícula. Todos sentimos, todos pensamos e todos temos o dever de respeitar aquilo que cada um tem no interior. Eu por respeitar o meu, sei que não quero mais casos onde cada salto em comprimento seja realizado com dúvidas prévias, esperando que alguém confirme se passei a barreira por ter dificuldade em acreditar. Caindo ou não, saltando bem ou não, o meu dever esta para comigo. Essencialmente, em sendo gentil com os meus limites e possibilidades. E aí sei que o meu bem estar não está só quando voo pelo ar emergindo do salto bem feito... está quando caí antes do tempo e não me coloquei mais em baixo do que merecia.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Não tenho saudades de nenhum passado.
Só de um futuro feliz que não tenha sido alcançado pela minha responsabilidade.

terça-feira, 21 de março de 2017

"Visão de alteridade é ter a capacidade ver o outro como o outro, e não como um estranho."

Mario Sérgio Cortella

Pós de per-lim-pim-pim

Fui comprar morangos frescos e suculentos, para perceber se poderia adjectivar a tua boca também assim.
Preparei tudo aprimoradamente. Não sabendo se estariam doces o suficiente, e contando que não poderíamos despender de nenhum, coloquei-lhes um leve pó de açúcar por cima, um pó tão meloso quanto me gosto de sentir.
Entretanto, quando os trouxe e provaste, amarguei-te com surpresa o paladar, pois na pressa de agradar (como são todos os anseios românticos) utilizei o sal em vez do açúcar. Que tolice a minha! Mas foi nesse dia que entendi que por mais que se tente cortejar, dar o melhor, apaixonar, seduzir, o sal estará sempre presente, nós é que iludidamente o adiamos na esperança que nos vejam sempre perfeitos. Mas também importa e interessa o dia que é menos bom, o defeito menos prático, o lado lunar mais eclipsado, pois confere a perfeição, naquilo que é um total, o total do individual de cada um.
O açúcar extrai-se da cana que é cortada e replantada, enquanto o sal provém do mar, a fonte universal que ondula em semelhança por dentro de nós. Portanto, ao invés de plantar zelosamente canas, vamos deixar também fluir aquilo que temos de mais natural, sem esconder ou ter vergonha. Sob pena de nos tornarmos algo aborrecido com um só sabor.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Dedicado ao amor, deles e delas



Há muito que desconfiava que só uma visão de amor pode coincidir e ajudar a esta passagem terrena!
É como se entrasse numa autocaravana e percorresse todos estes sorrisos, carinhos e boas vibrações que me chegam de gente que conheço há muito, há pouco que pareça muito, e há muito que pareça ainda pouco. Gentes especiais, verdadeiras, bonitas, que sentem também que o amor é a maior força a dar a alguém! Essa autocaravana, se não desfilasse feliz pela natureza do genuíno e dos sorrisos, seria tão só e sozinha. Porque mesmo que chova e tudo indicie um temporal, fazer parte destas paisagens, é saber que quando se vai para fora, se está sempre seguro.
Viver é sem dúvida uma benção generosa quando se ama e é amado! Amar sem intenção maior do que seja fazer e desejar o bem para alguém, sentindo uma envolvência enobrecedora que nos liga a todos, à natureza, aos rios, mares, montanhas, flores a abrir, pássaros a chilrear, nuvens de vento e raios de sol! Que são tanto mais bonitos e captados quanto o coração se sente bem e feliz.
Por mim já estou mais do que contente por, no alto do que sou, sentir tudo isto.
E o que vier de melhor que venha. Porque tratando-se o amor  de qualificar e não quantificar, não sei se consigo imaginar, para já, melhor do que esta sorte em formato infinito. 

domingo, 19 de março de 2017

Estado líquido

O tempo limpa tudo.
Num modo tempestivo, como uma torrente de bátegas vigorosas, depois em rios e pequenos riachos que correm, fluem e derivam no contínuo caudal... persistindo em pequeninas poçinhas, onde com ou sem galochas, se insiste em procurar molhar os pés...
A verdade é que o tempo usa e abusa de água.
Agradeço interminavelmente a todas as mulheres que fui, nesse tempo onde precisava de mais água exterior, para conseguir transformar espaços de fogo e ar, singelos e imaculados, que pesavam dentro de mim. Espaços esses que, mais ou menos crescidos, mais ou menos vividos, mais ou menos felizes, foram fieis a qualquer coisa que tinha lá dentro, mesmo que essa fidelidade fosse o quase compromisso ingénuo com a minha própria responsabilidade. A de, através da opcional vivência de desapegos e apegos, dores e caminhadas, brindes e choros, verificar que a verdadeira opção responsável liberta, não aprisiona. Não me coloca mais rígida, mas em permanente gratidão por companheiros, palavras, noites de chuva e dias sem sol. E chuva no sol ou dias nas noites.
Nada de positivo nasce sem esforço.
Sem acreditarmos que de facto, somos principais na nossa maior história, em conjunto com a honra que temos de entrar, viver e contribuir para a história dos outros.
Por tudo isso, sou muito grata a todos os que me deixaram entrar.
Só para hoje poder dizer que com isso sou mais mulher.
E que os amei a eles, e a todas elas, aquelas que eu fui nesse caminho.
Por vezes quando o cansaço invade, sucumbo e ele garante-me a melhor.
Coloco de lado momentaneamente tudo o que seja a teoria mais positivista, psicanalista, espiritual, filosófica e outras que tais para retorquir que isto funciona em modo selvajaria urbana, com a manada a correr de um lado para o outro, comendo do que pode e caça, procriando para belo prazer e descendência, e que todo este cansaço origina não mais do que o pó de uma passagem veloz e fugaz na eternidade que é a vida.
E portanto, após discorrer tal, penso que o melhor seja ir dormir.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Procurando o que não existe



Procurando o que não existe fui cair em poços de descontentamento emocional, stress auto-infligido, ansiedade desmesurada, sono palaciano, noites longas, preocupações intermitentes...
Esqueçendo que a maior felicidade é não exigir demais.
E com isto não digo ser passivo, não ter opinião formada ou os braços prontamente abertos a tudo o que possa desafiar o juízo moral e crítico.
Digo simplesmente a consciência de estar presente. Estar presente com tudo o que se possa dar no momento, respeitando o apertão que a vida dá em termos de tempo, recursos ou indisponibilidades. Pois isso não é mais do que sinais afetuosos que envia na esperança de nos provar de que somos mais capazes do que julgamos. Porque queremos insistentemente a perfeição, supomos demais, desfocamos do patamar R/C onde estamos, porque a visão já quer alcançar (embora sem ver) o último andar.
Como tal, simplificando sou melhor. Descomplicando sou inteira. E sendo básica, permito-me a atingir pensamentos mais audazes. Tudo porque respeito limites, concretamente o maior deles que me diz que o que é feito com amor e dedicação natural torna tudo justamente perfeito.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Alguns ou muitos têm o hábito de falar em NÓS. O nós como um tempo que não sendo concretamente verbal é manifestamente defensivo. Como uma grande muralha, ou os quilómetros do areal tão perto do mar que constantemente o vem provar e fugiir...
Quão benéficamente usamos esse NÓS?
Para escudar da manifestação bela que é assumir o que é nosso. O que dói, remexe, agita, faz pensar, faz sentir, SER. Faz chorar, temer, ficar pequenino. Manifesta a concreta concretização de um eco, que bate num fundinho bem guardado. Por isso é tão fácil dizer nós. Para criticar, pré-conceptualizar, discriminar, cobrir com as mesmas máscaras num conforto partilhado, dado por adquirido ou em afastamento julgando-se só nos outros...
Por isso eu clamo...não quero dizer mais NÓS.
Quero dizer eu.
EU estou a sofrer.
EU estou a ser feliz.
EU estou encantada
EU estou vulnerável
EU estou autêntica.
Para assim não ter que dar uma máscara a alguém que foi feita apenas e unicamente com as inigualáveis expressões de quem eu sou. Julgo que não poderia oferecer a mim menos do que isso.

terça-feira, 14 de março de 2017

Lição do tempo (Karma)

"Quando um pássaro está vivo, ele come as formigas, mas quando o pássaro morre, são as formigas que o comem. Tempo e circunstâncias podem mudar a qualquer minuto. Por isso, não desvalorize ou magoe ninguém e nenhuma coisa à sua volta. Você pode ter poder hoje, mas lembre-se: O tempo é muito mais poderoso que qualquer um de nós! Saiba que uma árvore faz um milhão de fósforos, mas bata um fósforo para queimar milhões de árvores. Seja bom. Faça o bem."

Moonlight serenade

Estacionaram junto à praia o passado, movidos apenas pelo respeito a ele e avançaram para o areal.
Sob uma lua cheia luminosa, o seu tamanho, luz e reflexo conseguia-se assemelhar ao preenchimento que também sentiam dentro do coração.
O mar estava absolutamente calmo e a maré baixa permitia revelar e colocar a descoberto os sentimentos, mais do que alguma vez havia acontecido. Tanto a rocha selvagem, como a árvore que abanava os ramos suavemente em sinal de aprovação, complementavam o cenário onde a naturalidade era companheira. O escuro da noite não permitia visualizar a distância dos passos percorridos, ficando somente a certeza daquilo que estava mais recente, tal como esse agora, tão forte, onde simplesmente existiam.
O som do mar embalava todos os momentos em que já se tinham sonhado e para onde caminharam sem se saber ou conhecer. E sempre que uma onda deslizava pela areia, dançando no seu regresso ao mar, mais sentiam que estavam unidos, agradecidos e profundamente conectados.
E em tudo o que é extensão, horizonte e plenitude, como o mar sem fim, a lua inalcançável ou a vastidão do céu, tiveram a certeza de o que queriam partilhar era apenas, e tão somente, algo tão bonito como o amor.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Carl Sagan, 1974

Imagem intercalada 1

"(...)Então, aqui está – um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada num raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem as nossas modificações da superfície da Terra, nem as nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidência. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, os humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

Considere novamente esse ponto. É aqui. É o nosso lar. Somos nós. Nele, todos que ama, todos que conhece, todos de quem já ouviu falar, todo o ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. A totalidade das nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas económicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada “superstar”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, num grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto a sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.

Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não há nenhum indicio de que, a ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não há lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual a nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, estabelecer-se, ainda não. Goste-se ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.

Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos… o pálido ponto azul."

sexta-feira, 10 de março de 2017


Deve ter sido muito difícil e duro o Inverno a muito gente.
Todos estão a reparar no despontar das primeiras flores e em como estas lhes sorriem a dizer que tudo vai correr bem.
Reparam em como as árvores exibem o resplendor da sua própria transformação.
Sentem na cor um pedido claro de confiança no que vá aconteçer, não importa o quê, quem onde, quando e como, pois será tudo para nosso bem.
E vamos sorrindo - os que viveram ou não com a sombra da chuva e nuvem - a este desfilar sucessivo e brilhante da natureza.
Da companhia das cores, cheiros, beleza, crescimento, alegria e renovação.
Sem entender que essa beleza da identificação nos é tanto apenas porque também a estamos a rever dentro de nós.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O que eu quero da comunicação

A comunicação...
Aquela que sai articulada em sons e respirações da nossa boca e a outra que se demonstra pelo olhar, gestos, posturas, enfim, todo o corpo que ao reagir, pode desprezar, assustar, interessar e ser receptivo nos mais variados tons mais ou menos intencionais.
Talvez nada comporte mais bagagens de medos e esperanças do que a nossa comunicação.
Há sempre experiências que marcam, fluências e cadências que revelam à vontade na oratória, vocábulos complexos que denunciam livros a colorir uma divisão da casa (ou da vida). Existe o gaguejar, não frasear tudo, não articular com a força que é olhar nos olhos de alguém, conseguindo transmitir o que pensa ou sente.
A comunicação deixa-nos muito vulneráveis. É para uns campo de minas e defesa imediata, para outros provocação e rebeldia em pleno, em outros a dádiva do que é alcançar e dar o que mora no interior.
O que eu quero? 
Comunicar claramente.
Não quero fazer esgrimas com ninguém muito menos comigo própria.
Quero fluir, quero - nem que as pernas tremam e tudo possa parecer tão agitado e incerto como um barco em alto mar - quero falar, não deixar ruídos, não deixar nada por dizer.
Não imaginar subinterpretações. Não falar comigo. Não jogar ténis com o meu querer e o de outro.
Não brincar com o tempo. No tempo que considero cenário e não o que resta da areia que vai movendo.
Quero procurar a linha mais clara entre quem me ouve e o que ouço de mim, sem ruídos.
Saber que tirando roupas, estatutos, passados, experiências eu sou uma pessoa com tanto direito a felicidade quanto a outra. Com tanto direito a sofrer como a outra, a acreditar, falhar, não garantir. 
Quero saber reconhecer a reciprocidade.
Portanto deixemo-nos de entrelinhas e grutas por onde nos movemos a vida inteira, na segurança de que conseguimos alcancar ou ocultar alguma coisa mais secreta. Até porque o que se extraiu foi não florirem pássaros, borboletas e tudo o que seja libertador, do nosso peito, ou mente, para o de outro alguém. E quanta beleza há nisso, pois a construção e evolução trazem-na incorporada.
Sabemos todos falar de algum assunto trivial, que inquiete o mundo, figure no banal ou se espelhe no quotidiano. Mas o melhor comunicador não é aquele que chega e discursa bem para uma plateia de 10000 pessoas.
É aquele que chegando dentro de si, ouve as palmas da vastidão do seu próprio contéudo e auditório.

terça-feira, 7 de março de 2017

Da ideia à clareza

Consigo perceber porque é que a ciência precisa dos seus próprios conceitos, taxonomia, categorizações e etc. Seria impossível concebê-la sem fenómenos específicos e um quadro teórico próprio. Mas julgo que um bom cientista, mais do que a produzir conhecimento e viver com uma curiosidade imparável, tem que ter a capacidade de comunicar o que interroga, produz e sabe. De nada serve uma conjunto complexo de vocabulários específicos e nomenclaturas que ninguém interpreta, se a ciência é só para alguns. Não há elitismos aqui. Há-o em muitas áreas, mas onde todas devem convergir é na necessidade de partilhar algo. Algo que estimule um bem maior. Senão vive-se fechado e enganadoramente encantado nos próprios círculos, quer sejam políticos, sociais, filosóficos, artísticos, pois precisamos é de uma via comum que todos alcancem. Pode sempre estar sujeita a níveis de alfabetização e graus académicos, às capacidades cognitivas e a própria maturidade de cada um. Mas volto a afirmar, tem que ser partilhável, simples, evidente, por mais que a extração até lá tenha sido através de canais de comunicação distintos e incompreensíveis. Senão, ao querer clarificar o mundo tornamo-lo menos acessível. E tenho para mim que esse nunca foi o objectivo da ciência. Ou em última - ou quiçá primeira - instância, o propósito de partilharmos o mesmo planeta.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Num mundo complexo, dinâmico e universal imaginem o que é ficar estático, estagnado na película fotográfica da memória? Nas noções de certo/errado, bom/mau, enfim, de uma panóplia de conceitos que revestem a moral e contribuem para solidificar noções básicas e reger por elas.
Mas como assim? Ser uma barreira de cimento inerte? Não dar por mim a pensar como e quem sou? Com os outros, comigo? Achar que o problema é sempre só meu, achar que o problema é sempre só dos outros? Não considerar a bi-direccionalidade dos actos e intenções, de tudo o que nos reveste que não é directamente visível?
Que sinal de maturidade esse.
Não ser só auto-sustentável em mente e razão. Em contas no fim do mês e gestão responsável de algum papel. É também olhar para si ao longo dos anos, sem sentimento de vaidade, saudade ou paternalismo, mas com orgulho e humildade em ter sido transformado pelo seu próprio pensamento.
Não comporta a transformação camaleónica, que sugere apenas uma intencionalidade de fuga e sobrevivência momentânea, ou algo que enalteça egos e frivolidades.
Antes a transformação que nos permite saber que, naquele ano, era assim que pensávamos, noutro, outras pessoas ou situações nos fizeram reconsiderá-lo, e por aí fora. O melhor agir é somente o melhor porque descobrimos outro, onde nele fomos lúcidos e justos nas limitações e capacidades que havia no momento.
O querer sempre agir melhor não será idealismo ou utopia. Bem como idolatrá-lo em alguém é retirar o que seria a honra da individualidade da própria vivência. É a capacidade da transparência, de deixar ser moldado. Ser maior, aberto, receptivo.
Não há verdades absolutas. As únicas bem poderiam ser o amor e a paz de espírito. Pois toda a nossa vida dependerá sempre da interpretação que destas fizermos. Dos argumentos usados, das acções movidas na sua persecução, que podem ser tangenciais ou em cheio, lentas ou velozes, mas em tudo no seu tempo certo, de acontecer e ser.
Para tal convém não segurar, enlouquecer, enraivecer, dogmatizar, embrutecer ou padecer numa data de verdades relativas que o chão da vida nos prova retirar a qualquer momento. Como aqueles onde se está absolutamente confortável ou dolorosamente penoso.
Mantenhamo-nos atentos.

quarta-feira, 1 de março de 2017

30.000 chibatadas

Diz que de investigação o inferno está cheio, há uma panóplia de investigadores que pretendem descodificar variáveis e variantes, para descobrir a pólvora de um assunto já debatido, por debater ou mais que ultra debatido onde nunca cessam as novas percepções. Espremo - qual sumo de laranja - o gosto refinado da constatação objectiva e provida de cientificidade, mas o meu olhar é pessoal, esotérico, pirado, comunista, verdinho, digamos que muito possivelmente fofo e extremamente imbecil, entre outros atributos que me parece a ciência não compactuar. E agora, serei excluida por autosabotagem ou conseguirei ser mais competente para fazer a análise de contéudo de que pouco ou nada se sabe?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mudando o chão

No estudo exploratório as pessoas movem-se na diagonal, horizontal, vertical, em direcções multi laterais das quais é impossível planear, antecipar, perguntar. Há os mais descrentes que estão de pé atrás com as relações e eu não me refiro às amorosas que gastam tanto miocárdio, mas sim as relações afectivas que se originam, esbatem, fortificam ou estagnam conforme soa a música interior. Eu adoro pessoas, na sua infinita complexidade e subjectividade, mas cada vez mais sei que não se adivinha ninguém. Não se prevê comportamentos, quais dados estatísticos co-relacionais. As pessoas surpreendem, fazem esgrima com elas próprias e os outros, dão luz, sombra e tudo isto é apenas um despontar do reflexo que todos nós trazemos por dentro. O quotidiano suga-nos qual espiral centrífuga de tempo por utilizar, movem-nos valores e características que enaltecem e conferem igualmente a precisão da lei da gravidade. Este texto é uma homenagem a mim, a ti, a ele, a ela, aos outros, a todos os que sabem que tanto se é como não é, em que a essência do ser humano pode ser comparativa a um perfume, com odor e frescura a fluir no ar em intensidade e leveza, mas que também sabe ser difuso e guiado pelo vento. Não está concentrado em todo o lado, a todo o tempo e entregando tudo, querendo tudo. Quer seja pensamentos, ideias, temperamentos, mudanças, objectivos. Ser é partilhar apenas o que se quiser disso, sem posses, expectativas, previsões ou encantamentos. Afinal, o maior encantamento passa pelo conhecimento próprio que proporcione um modo de estar mais humilde.