sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Qual apoiante do filósofo Espinoza ao defender o panteísmo, permito-me sentir o Universo como mãe, criador, amor e uma data de belezas em simultâneo. Pensava que só quem vive grandes tragédias, experiências marcantes de assimetrias de necessidades, ou profissões que todos os dias lidam com a morte e doença, é que tinham, de alguma forma, as ideias bem definidas do que realmente importa. Não coloco isso em causa, não o coloco verdadeiramente. Apenas, e após começar a atentar de modo contínuo em divulgação proveniente de astrofísicos incluo-o estes profissionais dentro do quadro de honra de quem vê mais da vida do que o seu substrato directo. 
Neil Tyson bem diz que são por vezes criticados, devido a dedicarem o seu tempo a estudar mais o céu do que a Terra, esse sitio onde é urgente estar. E ele defende-se bem. Diz que, estudar a vida que houve noutros planetas que já foram idênticos à Terra, oferece resultados sobre como poderemos estar daqui a muito tempo. E podem dizer - mas não há influência agora. E eu pergunto - Será que não? Os primeiros dados expostos há muitíssimos anos por tantos ilustres corajosos, não foram contributivos e importantes para o que se sabe hoje? 
Há tantos factos belíssimos que nos trazem. Como o sermos todos feitos da explosão de estrelas e portanto parte integrante do Universo e nunca algo mais especial ou diferente que ele próprio. Não somos especiais. Especial foi esta oportunidade de cá estar. A ideia de que tudo nasce, renova-se, é útil e utilizado. Têm sentido, ritmo, conteúdo mesmo no ínfimo pormenor.
E penso na vida na Terra. O que está para além de um emprego, estudos, amor, filhos, pertenças a objectos e materialismos, humor, cultura, arte, rotina, betão. Estes pequenos resquícios de todos nós, pouco significam perante a imensidão do que nos rodeia e da qual somos parte. Contudo esse infinitamente grande e eterno é algo onde não sabemos se faremos sempre parte, e se o fizermos, sob que forma. E esta humilde questão também dá consciência da finitude. Da finitude, pequenez e ausência de certezas rígidas... só para nos poder atribuir mais valor à vida e ao que dela vem.

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