sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O Bar do Fred

Todos nós já entramos no Bar do Fred.
Uns durante momentos ou anos, outros por força de circunstâncias às quais não se negaram e alguns sem a intangível ideia de que teriam responsabilidade de maior para não o efectuarem.
De facto a bebida é perigosa, figuram diversas associações e movimentos, estudos, mestrados, investigações e objectos de doutoramento e fibrilhações auriculares.
A verdade é que há idades que são protegidas na forma de Deus no Olimpo pelo fervor alcóolico, qual acto messiânico e divino de tudo poder fazer, assistir e rir. Porque o amanhã não é longe demais, o amanhã nem sequer entra como dádiva meditacional, qual chama budista do viver no aqui e agora.
E por ele quantas relações entraram em ruptura sísmica, quantas apalpões não foram dados por baixo da mesa ou da saia, quanta porrada alguém ou o próprio levou. Quantos carros se conduziram com o dedo mindinho - ou com o focinho (desculpem-me mas não resisti ao sarcasmo fácil da rima), desafiando a própria sorte de quem manipula a marioneta lá em cima por nós.
De qualquer forma, há algo puramente divino que protege todas as criaturas que se aventuram a entrar neste bar do fred que são os devaneios, alegrias e turpores alcóolicos, saindo vivo e com todos os dentes. Com a carta. Com o corpo. Ou com o que resta de alguma relação.
Este é o tributo a Coimbra, o tributo a ser-se jovem e inconsequente. O tributo a outras cidades, aldeias, gentes, nesses sitios onde o líquido for instituição e institucional. Nos milhares, milhares e milhares de gentes, que se presenteiam, deleitam, descontrolam ou simplesmente usufruiem do que é estar possuido pela alcoolémia. Que tanto pode ser docemente poética, como estupidamente hostil ou ridiculamente predisposta.
Coincidência ou não, retrato-a num dia em que parte do mundo, pelo menos o Ocidental que se julga mais evolúido, festeja o amanhã como se não o houvesse. E afinal, quando acordarem, sempre chegou.
E concluo com um brinde a todos nós, de copo bem cheio!

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