domingo, 11 de dezembro de 2016

A sonhar

Venho declarar que me apraz muitíssimo imaginar que no mundo:
- Não existisse a permanente e subjugante sustentação das pessoas ao sistema bancário, os verdadeiros assaltantes e violadores da equidade que tanto se apregoa como Direito Humano Universal. Acrescento aqui as seguradoras, parasitas que relembram que há que ter a finitude, doença e bens em carteira, sob pena da surpresa, esse pequeno choque incontrolável que assola com frequência quem está vivo;
- A habitação não fosse um luxo acessível a um chorudo empréstimo sujeito a saques e compromissos de vida que nem os casamentos cumprem (ou que engraçado, até a própria vida). A renda de uma casa valer metade do que uma pessoa trabalha, quando os impostos de um rendimento poderiam por exemplo, contribuir para suportar uma suave parte, se prevalecesse uma noção de partilha e dignidade e não de rendas baseadas em apetites fixos pelo dinheiro fácil;
- A educação fosse livre, sem rigidez e criação de pessoas que não questionem, já ensinadas a  ficar presas a identidades e instituições, sem ideia geral de que um grande caminho é o do progresso e inovação que não beneficie a vida particular. O direito à educação continua por muito mais do que o 12ºano, devendo as empresas fortalecer, promover, dando condições laborais e orçamentais para que se continue activo mentalmente, sem julgamento da procura de áreas completamente distintas da sua;
- As crianças não tivessem que pagar bilhetes de transportes, cultura, entre outros, quando não são independentes para fazer e entender;
- Onde a Natureza fosse mais entendível e respeitada que artigos de jornais de fim de semana, rótulos de instagram, e qualquer fuga momentânea à rotina e betão. Ela É a nossa vida, parte integrante e indissociável do que somos e nos originou. A fuga para o betão e rotina foi o que se fez para esquecer por momentos o bem espiritual e mental que esta dá, sem acesso a nada que não seja sentir, respeitar e aprender silenciosamente da sua contemplação;
- Onde os empregos não fossem sinônimo de escravidão de tempo, não contestação de directivas superiores, fonte de terrores para idas a psiquiatras e psicólogos, em que os novos elementos trouxessem frescura e não o bilhete sem volta, que é fazer o que todos fazem, não importando os sonhos e visões, o que interessa é ser gostado e aceite... Empregos em que fosse respeitado o aspecto incrível que é a opinião e crescimento num todo, inserido onde realmente se gosta de trabalhar (cada qual entregue ao que quer, e não ao que é possivel, sob pretexto de ser feliz e fazer consequentemente os outros)
- Onde o amor fosse a fonte principal e que entendessem que isso não é criar intimidades e afecto com qualquer um, mas sim o sentimento mais digno que origina e permite a união e reconhecimento de uma ligação permanente que é a igualdade e generosidade, naquilo que são as diversidades e pluralidades de milhares de milhões de existências...

Sob pena de isto ficar demasiado político quando assumidamente é apenas contestação de uma pequena cabeça, silencio-me pois todos têm capacidade de pensar isto e muito mais. E exigir e fazer. Em micro sitios, em micro locais. Mas fazer. Ou pensar. Porque já pensando a vida ganha um tom. Que não precisa de ser de rebeldia e anarquia completa. Mas de pesar nas acções. De onde coloco o meu dinheiro. Nos bens, essencialmente. A quem o dou, pesando as consequências. A quem dou o meu voto. Entre um rol de outras escolhas ponderadas e não adquiridas. Que seguramente não se faz se não se procurar, pensar, incomodar e querer saber mais além do vísivel.

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