segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Uma das maiores prendas educacionais para um filho

Para pais e não pais de todo o mundo que se atrevem humildemente a realizar o seu caminho na compaixão de que nada se sabe e substancialmente muito pode mudar, ocorre-me dizer que desde há uns tempos me detive numa ideia. Aliás, numa sólida ideia. Existem factos inabaláveis e inquestionavelmente construtivos do ser humano, como seja crescer num ambiente calmo, pleno de amor, afecto, com sentimento especial e vínculo significativo que una positivamente todos. Assim como proporcionar, dentro do sistema moral e cívico de cada um, o melhor que os pais consigam transmitir.
Contudo, não sei se existe algo que vão declinando ou não, conforme o apego e não autonomização dos pequenos, que se chama, educar para decidir. A educação para decidir é preciosa e vital e talvez seja mesmo uma das maiores heranças educacionais. Nela é necessária uma dose grande de coragem, para ajudar os pequenos futuros adultos naquilo que é a responsabilização através do seu olhar.
Por certo, sabemos que a responsabilidade é induzida em qualquer acção para o próprio ou terceiros, mas do que os pais não se lembram é de que, o futuro é moldado pela capacidade que a criança adquiriu em saber decidir (e bem decidir). A responsabilização pede que não se substitua ninguém naquilo a que o próprio é indispensável. E só decidindo se percebe o peso das consequências e só sabendo o que são as consequências é que se consegue decidir. Quase como a intrínseca ligação entre experiência e decisão, decisão e experiência. Uma completa a outra e precisa simultaneamente dela. E não me remeto ao plano da comida, roupa, entre outros bens. Falo da responsabilização progressiva. Porque saber educar a decidir é muito duro. É duro ver um filho a seguir algum caminho que se julga não ser o melhor (e atenção que aqui nem sequer entra campos de risco de vida ou algo similar) e ter a coragem de não agir. Assim como deve ser duro ver um filho a não agir e actuar para o fazer pensar naquilo que está a fazer.
Educar para decidir é colocá-lo como a pessoa mais importante da sua própria vida e transmitir-lhe garra e dinamismo para ser o seu melhor. Não o melhor que alguém imaginou ou as projecções de medos e sonhos. Isso é não respeitar a pessoa que se está a criar, como alguém que vai ser um prolongamento da mão, quando ele já tem as suas duas. E entendo que tudo isso se baseie no amor e medo, onde um e outro toldem a visão e fiquem tão perto que não permitam distinção e controlo. Parece-me que as noites se dormem muito melhor quando se consegue ter os filhos moldados por rédeas do conforto e comodidade. Mas viver em constante conforto, como alguém que pode seguir um traço da linha porque vê sempre o rasto do lápis por baixo, é como viver a vida com anotações, post-its e subterfúgios. E isso não é educar para decidir, através de tornar alguém competente, confiante, individual. É educar para ser esse contrário.

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