sábado, 5 de novembro de 2016

"Se não me interessar pelo mundo, este baterá à minha porta pedindo-me contas." José Saramago

Há muito tempo, estudiosos da área transmitiram o aviso de que a inteligência, mais do que uma capacidade de raciocíno de situações complexas, decisivas, vitais, de aprendizagem e aplicação complexa ou abstrata é uma capacidade evolutiva e adaptativa, recordando o perseverante Darwin com a sua teoria da selecção natural. Teoria que, na superioridade narrativa que adopta o ser humano, julgar só acontecer para com os pobres animaizinhos das ilhas galápagos.
Que perspectiva evolutiva há para o mundo onde uma grande parte do mesmo, que tem acesso a cultura e informação, percorre o dia no feed de noticias do Facebook? Em que as preocupações se subjugam a interesses quotidianos, que não sejam publicitados em larga escala, ou repare-se, quando não há união de figuras públicas a alguma causa que os desperte? Quando os 2º e 3º ciclos de estudos não traduzem sempre um crescimento contributivo e aplicado na prática? Não me quero colocar como uma virgem estarrecida perante o mundo que também é o meu, e na qual posso pecar e orar simultaneamente, mas vejo-me na obrigação de exprimir que na constituição de qualquer país civilizado devia  zelar o seguinte dever: CULTIVE A SUA INTELIGÊNCIA.
A nossa casa não se trata só do m2 que com esforço pagamos todos os inícios de mês, ou com sorte (ou paternalismo da vida) não se pague. A nossa casa é todo este mundo maravilhoso onde a cada minuto algo muda, algo acontece, algo há para saber. Algo que foi que pode ser sempre procurado, lido, estudado, reflectido. Da filosofia à religião, da política às ciências naturais, das artes à história da humanidade ou do cosmus. Quem somos nós para vir aqui e não nos interessármos?!
Quero cultivar árvores com raízes densas na inteligência ao invés de nesse precioso lugar ter um campo abundante de estrume que nunca fertilizou.

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