domingo, 6 de novembro de 2016

Ode aos 29

Há quem diga que os anos não se compartimentam na passagem de 31 de Dezembro a 1 de Janeiro, mas sim que se iniciam no dia de aniversário até ao outro seguinte. Hoje não se trata de aniversário, mas de alguma forma sinto que tenho de congratular o que os quase vividos 29 fizeram por mim. Para os entendidos na astrologia, aos 29 acontece algo que se chama o retorno de Saturno, um planeta que precisa de 29 anos para fazer o mesmo movimento que a Terra faz à volta do Sol num 1 ano. Corresponde a um ciclo de agitação e crescimento que atribui pesos, decisões, responsabilidades e mudanças. Algo como uma ambivilência produtiva na reflexão entre o que a vida deu e o que lhe demos, e sobretudo, nessa substanciosa aprendizagem, perceber o que com isso queremos ser e agir.
Valorizo tanto os pequenos e grandes momentos de felicidade, que sei como o sofrimento sempre me moldou muito e trouxe, no meio dos seus vendavais e chuvas cinzentas, as contribuições fortíssimas para apurar o que ainda estava verde e carente de acção.
Acredito que para muitos o que relato não signifique necessariamente um acontecimento de 29 anos. Todos estamos sujeitos aos tormentos de imprevistos, previstos e momentos que perfazem a fluência e ritmo da vida. E para nossa sorte, no sentido de crescer e aprender, devem existir e marcar integrativamente, desde que nos permitamos ter inteligência suficiente para tal.
Posso afirmar que os 29 foram um misto incrível entre sofrimento e crescimento, e refiro-me ao sofrimento como algo produtivo e não como uma bandeira mártir e de vitimização, que em tempo algum foi companheira de quem pretenda ser feliz. 
Somente quem se permita atravessar, mergulhar e entregar naquilo que dói, não sabe e quer mudar, ganha coragem, resiliência, amor e entrega com conhecimento. Ou humildade, lucidez e o infinito por dentro. Não sei se podem ter sido essas todas as minhas lições. Sei que muitas mais ficaram aqui a ser plantadas para colher na melhor altura. E não será a altura em que surja alguém, algo ou a fantasia de um futuro mais auspicioso.
Porque auspicioso? Auspicioso sou eu.

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