sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Empowerment, o caraças.

Temos, na língua portuguesa, alguns estrangeirismos que adoptámos com orgulho, tão versados que somos em falar bem o inglês entre outras línguas que permitam demonstrar, qual habilidade de circo, o quanto o QI roça limites dignos de exclamação superior. Pois bem, focalizando um pouco, apetece-me dizer algo.
Hoje em dia há empowerment para tudo. Só de dizer a palavra, sinto-me inundada subitamente por uma fortaleza de aptidões, carácter e capacidades.
Vou citar exemplos.
Quando desvio a minha bicicleta do local habitual, para a empregada de limpeza do prédio realizar o seu trabalho mais afincadamente.
Quando elogio um micro passo, dado por uma micro pessoa, num micro espaço de tempo.
Quando se fazem pesquisas no google para diagnóstico, estatística, promoção de ideias, factos e filosofias de bolso fáceis de divulgar.
Quando existem reuniões de serviço, questionários de satisfação, boletins de voto ou o canal da assembleia em divulgação livre.
Quando me voluntario por causas, de preferência nobres, mui nobres.
Quando ajudo alguém a escolher, sendo dele a autonomia.
Quando sou eu a escolher, lembrando-me que é minha a autonomia.
Entre outros, outros e outros.
Será preciso muito para simplesmente admitir que, aqui por baixo, todos os dias, são dias de luta pela sobrevivência?! Do corpo, da mente, do espírito, de quem somos...
Empowerment, oh caraças! Termos laureados para florear o facto cru e duro de que, viver, é decidir a todo o momento. 

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