terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cosmus

Há muito muito tempo no séc. XVI, existiu Giordano Bruno, um frade italiano que morreu queimado na fogueira sob condenação da Inquisição, por convictamente ter defendido ideias científicas de astronomia e filosofia, absolutamente contrárias às da Igreja Católica. Acreditava na existência de almas, na pluralidade de mundos e que vivíamos num contínuo infinito que onde quer que procurássemos a tal divindade, ela estaria sempre perto de nós, num lugar no nosso íntimo. A visão ampla formada sobre o que nos rodeava, num século tão dominado por dogmas, poder e rigidez do catolicismo, foi um exemplo de coragem e firmeza da sua intuição e pensamento audaz. Ou para os outros, apenas de loucura e heresia. Giordano veio abraçar muito para além das ideias da teoria de Copérnico, um astrónomo polaco que trabalhou a tese de que a Terra não seria o centro do Universo, pois no seu lugar estaria o Sol, o verdadeiro centro.
O exemplo destes pensadores que se situaram a muitos anos luz do seu tempo, ainda hoje nos pode trazer manifestos contributos mentais, mesmo que um tivesse ousado a sua vida pela defesa (Giordano) e o outro não (Copérnico).
Vivemos uma vida onde nos julgamos o astro rei de uma dada galáxia, exigindo, querendo, forçando até ao limite, não respeitando a naturalidade, diversidade e a evolução do contínuo questionamento interior. A mente quer acreditar apenas no visível e palpável, reduzindo as probabilidades, o sem fim de conhecimento e surpresa que é a vida, a um conjunto de escolhas ou certezas finitas. Esquecer que estamos incluídos em algo maior que pode ser visualizado na escala de um país, continente, planeta, sistema solar ou galáxia fez-nos ficar talvez mais passivos, mesmo que paradoxalmente a realidade se instale através de ecrãs nos sofás das nossas casas. 
Sinto-me grata por estes astrónomos terem existido, desafiando as ideias certas do seu tempo e por tal trazerem o progresso e evolução de todos nós. Hoje em dia parece que tudo pode ser contrário e rápido, a informação brota de inúmeros lados, mas o verdadeiro arranque e alavanca consistiu quando a procura do conhecimento precisou de coragem e de trabalhar a uma velocidade tão infinita e credível quanto o Universo.
Somos um produto de pó de estrelas colocado num imensurável caos organizado. E por tal, nunca me senti tão grata e incluída na minha própria pequenez.

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