segunda-feira, 7 de novembro de 2016

No decorrer das prendas imateriais que possuo felizmente em todos os dias do ano, o céu brindou-me hoje com uma especial. A lua congruente, afirmava comigo um vigoroso quarto crescente, mas nesta noite eu poderia jurar que ao traçar o diâmetro e percebendo o raio, as contas seriam sempre similares, em termos da exibição orgulhosa da metade exacta, do lado escuro e o lado visível.
O que me fez pensar em algo muito importante.
Quando somos mais jovens existem vários momentos novos, plenos de descoberta, incerteza e em que a entrega não pensa imediatamente no peso das consequências. Sente-se, respira-se sem hesitação e na inocência do que há para viver. Com o passar dos anos vamos ficando antiquados, subjugando o peso da nossa história e do ego com que resolvemos nela agir, afastando, não abraçando, vivendo de dúvidas, suspeitas, pessimismos ou confortos delimitados, nada plausíveis com a potencialidade e surpresa que a vida tem para presentear.
Talvez esta lua esteja assim hoje para dizer que, por muito que sejamos luz, preenchimento e alegria, existirá sempre a seguir-nos saudavelmente um espaço escuro e não revelado, que em nada representa medo e terror, mas sim a necessidade imperativa de vivermos na possibilidade do desconhecido. Seja ele conhecer-mo-nos nos maiores limites onde não nos julgaríamos, viver uma vida sem expectativas e exigências aos outros e ao que possam ser, uma obediência cega a  posses, ou descobrir que um lado negro e de luz estão juntos para nos fazerem sempre muito mais completos. Tenho aprendido igualmente que estamos mais sozinhos do que julgamos, não no sentido do amor e afecto ser desvalorizado, mas porque somos lançados neste lindo mundo com a pretensão de descobrirmos que damos o que temos cá dentro e só sabemos aceitar e estar no aqui e agora livres, quando tudo chegou ao destino sem esperar o mesmo em troca. Não utilizo o sozinho rejeitando as pessoas. As pessoas são essenciais, nos relacionamentos que nos dão, para ensinar que só com muito amor partilhado um percurso único tem chão para ser feito. Por isso é que o amor e a felicidade são tão fortes. São um estado de partilha contínua, sólida, que nos envolve e só vem a nós quando é trabalhado em várias direcções, cuja responsabilidade é primordialmente nossa. 
São pequenas e grandes lições que, embora não tendo hoje um aspecto e posses físicas congruentes com o capital e envergadura estimado dos 30 anos, tenho a mente e o espírito altamente agitados e em progresso. E isso para mim, faz-me não ter uma pertença na idade. Faz-me ter com a vida.

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