quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A mulher sofisticada em jeito natalício

Por esta altura, quando me permito chegar ao centro comercial ou a qualquer agregado contínuo de comércio global por onde passeio, necessito de um forte shot natalício ou um de um soberbo risco de cocaína-santa para conseguir aguentar.
Deparo-me com anúncios da mulher sofisticada, elegante, regojizada e realizada na imensa felicidade e exigência que é dominar as artes do uso de malas, joias, perfumes ou menos rugas. Parece um paradoxo dos tempos modernos. Que a imagem que se projecta da mulher que se quer sofisticada seja uma ideia ainda fortemente baseada em status e não no que deveria ser a realidade de uma mulher que reflicta intelectual, ética e afectivamente. A imagem deste segundo sexo como identificava Simone Beauvoir, sempre foi aliada a um segundo plano, quer seja o cuidar, ser dependente, submissa, com menor força física e/ou mental, entre outros tantos clichés e premissas que se misturam. Hoje, com a literacia e aquilo que significou o emprego fora de casa, a mulher cresceu, modificou ideias e posturas. Eu sou mulher e não reclamo igualdade naquilo que é o facto rígido que me separa geneticamente de um homem, com as suas inevitabilidades ou consequências. Sou grata por em termos geográficos e culturais não sair à rua e esconder o corpo, ou fugir de violações e crimes que não perpetrei, mas tenho que respeitar a genética que não possuo. Assim como o homem respeitar a genética que não tem, traduzindo isso em respeito prático e em leis e normas que protejam grávidas e vulnerabilidades às quais só o nosso corpo pode sucumbir. A mulher sofisticada é a primeira a nunca tratar mal outras e a um homem, na posição da pura discórdia e estabelecimento de desníveis irreais. É a primeira a saber que, por debaixo da roupa todos somos pele e coração, amamos e somos amados, tornamo-nos pequenos, grandes ou assustados. Ninguém é o que exerce e usa. Sabe que, com a inteligência aliada a sensatez e bondade, pode ter o que quiser de quem quiser. Nomeadamente, o respeito.
Entenda-se isso e sigamos em frente com acções de marketing que inspirem o simbolismo do que se use por dentro e não do que se use por fora.  

"A sofisticação é o último degrau da simplicidade" - Leonardo Da Vinci

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