quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Alguém atira uma bóia?

De uma análise minuciosa por aquilo que foi próprio, cumulativo ou de visões periféricas, preocupa-me a situação de reféns que existe em cada coração. Com coração digo aquilo que nos enobrece ou algum orgão que quando devidamente usado seja na manifesta partilha de qualidades e alegrias por outros. Adiante. Quantos de nós foram ou são reféns de algo? De aprovação, ideias inflexíveis, trabalho, sentimentos, pessoas, relações ou compreensão? 
Parece-me que das mais incapacitantes que por aí existe, e uma vez que muito se discutem as anteriores, seja a compreensão. 
Mas não confundamos o potencial inequívoco da comprensão. Compreender uma pessoa é belíssimo e vital, mas tende a ser uma prisão nas relações se houver consequências em vez de resultados.
Todavia, não sei se as expectativas são o alimento para tal ou se é a compreensão que as gera.
Nos nossos genes está carimbado tanto o alívio que sai da partilha, como o fervor que alimenta a discórdia. Se eu fico refém de que aquela pessoa me compreenda sempre, quando exponho o que sou, penso ou sinto, fico à mercê da bóia que me lança. Fico zangado, frustrado, combalido de não receber o que achava meritório. Pois bem, a compreensão não é nem nunca foi transversal e a menos que falemos de direitos humanos, situações legais e deontológicas, não se deve exigir. Para exigir tem que se solicitar da mesma forma empatia, respeito, disponibilidade, um sem fim de inteligência emocional, conceitos para muito desconhecidos ou não aplicáveis sob milhares de razões. Não reclamemos compreensão se nós próprios não entendermos que cada um é, vê e pensa diferente, sob a máxima do "todos iguais". 
Trabalhemos a nossa compreensão e deixamos a dos outros com eles. Para não sermos seres que a toda hora se relacionam com expectativas criadas na direcção errada, acumulando frustrações em vez de independência. O bem, mal estar ou exibição de opiniões sai de cada um e não deve esperar em resposta semelhança, colo, disponibilidade física ou mental sempre.
Saibamos viver esperando e alimentando apenas a nossa própria compreensão para que, quando ela surgir dos outros ser sempre só um acrescento feliz e não a razão da própria felicidade.

A todas as Didis desta vida

Na vida, com a busca incessante do crescimento organizado, planeado ou por forma das circunstâncias imposto, cruzamo-nos com Didis que vão ensinando algumas lições. Eu até engraço com as didis. Também já fui certamente uma delas. Agradeço a posse de algumas jeitosas faculdades mentais que hoje me fazem ter abandonado esse campo pantanoso e assumir em pleno a solidariedade, compaixão e necessidade primordial do bem, para que esse bem também me alcance, nunca da forma como se queria mas no sentido do bem estar sem méritos ou justiças advogadas.
Por estes dias, vendo esse elemento didinozo, não senti culpa, raiva ou sentimento de revolta. Silenciosamente agradeci-lhe e agradeci a mim em maior escala pela capacidade integrativa e de prossecução de ideais maiores. O seu aparecimento, que tanto incorreu em queixume, foi igualmente necessário e contributivo para iniciar sólidos caminhos. Caminhos que não se fixam em atribuir culpas, viver numa escala de projecção de responsabilidades dos outros para mim, mas sim de mim para os outros. Assumindo-me no centro. Da decisão, acção e integridade. De existir voz e agir para pedir princípios e valores quando igualmente se rege e os exerce, sabendo que há um papel e em cada papel, direitos, deveres e, repito, responsabilidades.
Essas queridas didis foram cruciais nisso. Tornaram-se no despertar do que havia para nascer que estava sombrio e em segundo plano, silencioso mas em movimento secreto. Agradeço tanto a sorte e beleza que me envolvem, como as tristezas que sacodem. É que havendo apenas uma estética de harmonia, não sei se era perceptível criar sentido, ir ao fundo da nobreza dos sentimentos e manter a linha firme daquilo que é não mudar o acreditar e a esperança por ninguém, além da que nós próprios criamos, alimentamos e nos faz sonhar ingénua e alegremente. E a isso, não quero nunca deixar de ser fiel.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cosmus

Há muito muito tempo no séc. XVI, existiu Giordano Bruno, um frade italiano que morreu queimado na fogueira sob condenação da Inquisição, por convictamente ter defendido ideias científicas de astronomia e filosofia, absolutamente contrárias às da Igreja Católica. Acreditava na existência de almas, na pluralidade de mundos e que vivíamos num contínuo infinito que onde quer que procurássemos a tal divindade, ela estaria sempre perto de nós, num lugar no nosso íntimo. A visão ampla formada sobre o que nos rodeava, num século tão dominado por dogmas, poder e rigidez do catolicismo, foi um exemplo de coragem e firmeza da sua intuição e pensamento audaz. Ou para os outros, apenas de loucura e heresia. Giordano veio abraçar muito para além das ideias da teoria de Copérnico, um astrónomo polaco que trabalhou a tese de que a Terra não seria o centro do Universo, pois no seu lugar estaria o Sol, o verdadeiro centro.
O exemplo destes pensadores que se situaram a muitos anos luz do seu tempo, ainda hoje nos pode trazer manifestos contributos mentais, mesmo que um tivesse ousado a sua vida pela defesa (Giordano) e o outro não (Copérnico).
Vivemos uma vida onde nos julgamos o astro rei de uma dada galáxia, exigindo, querendo, forçando até ao limite, não respeitando a naturalidade, diversidade e a evolução do contínuo questionamento interior. A mente quer acreditar apenas no visível e palpável, reduzindo as probabilidades, o sem fim de conhecimento e surpresa que é a vida, a um conjunto de escolhas ou certezas finitas. Esquecer que estamos incluídos em algo maior que pode ser visualizado na escala de um país, continente, planeta, sistema solar ou galáxia fez-nos ficar talvez mais passivos, mesmo que paradoxalmente a realidade se instale através de ecrãs nos sofás das nossas casas. 
Sinto-me grata por estes astrónomos terem existido, desafiando as ideias certas do seu tempo e por tal trazerem o progresso e evolução de todos nós. Hoje em dia parece que tudo pode ser contrário e rápido, a informação brota de inúmeros lados, mas o verdadeiro arranque e alavanca consistiu quando a procura do conhecimento precisou de coragem e de trabalhar a uma velocidade tão infinita e credível quanto o Universo.
Somos um produto de pó de estrelas colocado num imensurável caos organizado. E por tal, nunca me senti tão grata e incluída na minha própria pequenez.

sábado, 26 de novembro de 2016

Embotamento cerebral

A constante chuva de acções destrutivas, violentas, corruptas, descredibilizantes do que deveria ser sempre ético e credível, aliada a uma ensinar para obedecer e nunca questionar, estão a massificar os cérebros humanos com o maior embotamento cerebral que há memória. Não vivemos em ditatura, não existe sequer uma policia de vigilância e defesa do estado que controle acções opositoras, mas os reinos legais e democráticos produzem algo há semelhança das vacas em fila no matadouro. A capacidade de exclamar, ter opinião própria exprimida em respeito, surpreender-se com tratamento inferior face a uma data de capacidades e escolhas. É-se ensinado a não contestar, agradecer muito encarecidamente a Deus o facto de ter emprego, tecto, etc, quando o que se deveria sempre agradecer é ter ideias que pensem e nos façam VIVOS e agitem! Que confusão com os conceitos de humildade e gratidão quando o reconhecimento dessa beleza vem de se saber quem é e o que se tem, num passado, presente e futuro em íntegra concordância. Preocupa-me o mundo estar a criar estas vacas em matadouro. Que somos nós, alguém que conhecemos, ou pode ser um filho ou amigo de um filho. Vamos ter a ousadia de nos preocuparmos realmente com o que andamos aqui a fazer. Para alguém ter sido emissário do progresso, inovação, melhoria, desafio esse alguém não esteve a dormir na sombra do que parecia bem. Esse alguém, certamente não pensou em agradar a alguém que não ele próprio com os princípios que tinha em conta. E esse alguém, definitivamente não teve que cortar as pernas, braços, ou um cérebro (a meu ver legitimamente mais preocupante) para entrar na caixa certa e previsível que é o mundo de quem quer ter tudo previsível e controlado. Preocupemo-nos com o mundo e as nossas vidas a uma escala maior do que apenas o cumprimento dos deveres. Lembremo-nos dos direitos, e do direito maior de ser felizes, respeitados e dignos, para relembrar quem se cruza connosco que isso não tem preço. O preço é a própria evolução da humanidade. E parece-me que é isso que está em jogo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O universo respira a nosso favor

Torna-se recorrente ouvir por entre esquinas e ruas que o universo conspira a nosso favor. Ora conspiração, no seu sentido léxico nomeia um atitude de segredo, concretização de uma acção contrária contra algo ou alguém, reunindo planeamento, enredo ou intriga. Isso para mim representa tudo o que universo não é, diz, ou faz. Tudo o que nos rodeia tem uma verdade clara, está disponível, simples, acessível, decorrente de milhares de descobertas e contemplações. Todos nascemos interessados e interessantes e com o tempo, contexto cultural, estimulos, afecto e experiências pessoais divergimos naquilo que nos afasta do nosso objectivo puro que é ser e descobrir. E criamos em nós maldade, acomodação, rigidez de ideias e posturas, egoísmos maleficientes e fraquíssima inteligência emocional que nos prende a atitudes conservadoras, preconceituosas e de uma estreiteza e sofrimento mental atroz. Sonhamos com a segurança quando só deveriamos estar seguros do propósito máximo de que ela é tão ilusória como todas as correntes que nos consigam limitar a ver mais além. Gostamos de romancear e atribuir um sentido lógico dizendo que nada é por acaso, mas não nos conseguimos entregar em pleno a tamanha afirmação quando a verdade nos dói ou entra num compartimento desconhecido. Indagamos a causa mas não colocamos em questão o que realmente teremos a aprender, retirando o melhor de tudo o que nos atinge, para consequentemente ser melhor naquilo que se dará. Portanto, estando ciente destas inúmeras certezas, só posso opiniar que o universo não conspira, ele respira connosco. Dá-nos acontecimentos naturais e encadeados, recheados de lições e oportunidades que só são possiveis com total gratidão e receptividade ao que quer esteja nos nossos caminhos. Claro que pensando em catástrofes ou doenças malignas é sensatamente impossivel recebê-las de braços abertos sem revolta, mágoa ou sensação de plena injustiça e dor. Refiro-me concretamente a tudo o que nos motive a criar uma riqueza interior tão forte que não se materialize em bens mas se materialize no BEM. Envolvamo-nos de coragem, liberdade, consideração pela vida, compreensão, capacidade ampla de pensar e altruísmo generoso, e veremos, de facto, o que nos trás. 

sábado, 19 de novembro de 2016

É comum que todos somos muito do lixo que trazemos, do destino que lhe demos, dos valores e princípios incutidos, continuamente solidificados e colocados em acção nos contextos de relações pessoais, sociais e laborais. Será sempre estranho quando em algum destes contextos uma pessoa não conseguir ser correcta, mas preencher os outros. Parece-me que todos estão em ampla simbiose e revelam a integridade e não aspectos de personalidade orquestrados em molduras personalizáveis. Com tudo isto, o que me apraz dizer é que ninguém é assim ou assado porque o paizinho fez isto, bullying aqui e ali, traição inacreditável do namorado mais querido, situação de doença própria ou de terceiros, uso óculos e aparelho na adolescência, entre outros determinantes não agradáveis mas que em nada contribuem para o TODO da pessoa. Esse todo, implica maturidade. E a maturidade é perceptível na forma como age para si e o mundo e não só em momentos. E esse agir, transparece reflexão, capacidade de introspecção para autoanalisar, que saudavelmente permitem a reciclagem de emoções, colocar raiva, orgulho, inveja definitivamente num buraco negro e saber pedir desculpa, ser humilde, impôr limites com base no respeito próprio, que não vem de magoar alguém intencionalmente ou de apenas perceber os seus próprios pontos de vista. Ser tocante nas vidas com que se cruza porque se aprendeu o poder da empatia, na sua incrivel capacidade que é a de partilhar e ouvir sem julgar, não transmitindo esse julgamento por qualquer via.
Não somos nada do que fizeram de nós, a não ser o que nós próprios fizemos com isso. Se o destino foi ser amargurados, nervosos, desconfiados com a vida, por mais pessoas e situações bondosas que nos sejam colocadas no caminho, vão-se corroer com esta instabilidade.
Permitir o altruísmo, positividade, aprender com a mudança e as dádivas dos outros e encarar a vida como um fluxo de dar e receber sem pretensão de justiças, divindades ou falsas protecções pessoais sabendo que só com a permanência de humildade é que somos melhores. Quem se quer proteger, faz um seguro, usa preservativo, entre outras atitudes legal e pessoalmente possíveis. Quem se quer proteger - e também aos outros -  nunca é rude, agressivo ou desconfiado. Nisto a ingenuidade e abertura alegre é protectiva, pode ser contudo uma rede de pesca por arrasto onde não se consigam diferenciar bem os peixes mais podres dos límpidos, mas ajuda. Ajuda acreditar que as pessoas tendem ao amor. Querem o bem ao outro e fazem por fazer o bem. A não agir mal porque lhe agiram mal. As escolas, manuais de auto ajuda, catequeses e instituições religiosas, muito tendem a apregoar este facto. Por outro lado, os tribunais, prisões e hospitais psiquiátricos são os locais que nos fazem acreditar que por vezes esse amor não existe interiormente ou não foi sequer transmitido ou devidamente ensinado. 
Lá pergunta o outro apresentador de TV, o que dizem os teus olhos. 
Julgo que os meus podem dizer que só sou feliz porque sei o que é a bondade. Porque saber é simplesmente reconhecê-la e exercê-la. Contínua e naturalmente. E isso é a significativa diferença entre quem é bom e quem apenas o tenta.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A mulher sofisticada em jeito natalício

Por esta altura, quando me permito chegar ao centro comercial ou a qualquer agregado contínuo de comércio global por onde passeio, necessito de um forte shot natalício ou um de um soberbo risco de cocaína-santa para conseguir aguentar.
Deparo-me com anúncios da mulher sofisticada, elegante, regojizada e realizada na imensa felicidade e exigência que é dominar as artes do uso de malas, joias, perfumes ou menos rugas. Parece um paradoxo dos tempos modernos. Que a imagem que se projecta da mulher que se quer sofisticada seja uma ideia ainda fortemente baseada em status e não no que deveria ser a realidade de uma mulher que reflicta intelectual, ética e afectivamente. A imagem deste segundo sexo como identificava Simone Beauvoir, sempre foi aliada a um segundo plano, quer seja o cuidar, ser dependente, submissa, com menor força física e/ou mental, entre outros tantos clichés e premissas que se misturam. Hoje, com a literacia e aquilo que significou o emprego fora de casa, a mulher cresceu, modificou ideias e posturas. Eu sou mulher e não reclamo igualdade naquilo que é o facto rígido que me separa geneticamente de um homem, com as suas inevitabilidades ou consequências. Sou grata por em termos geográficos e culturais não sair à rua e esconder o corpo, ou fugir de violações e crimes que não perpetrei, mas tenho que respeitar a genética que não possuo. Assim como o homem respeitar a genética que não tem, traduzindo isso em respeito prático e em leis e normas que protejam grávidas e vulnerabilidades às quais só o nosso corpo pode sucumbir. A mulher sofisticada é a primeira a nunca tratar mal outras e a um homem, na posição da pura discórdia e estabelecimento de desníveis irreais. É a primeira a saber que, por debaixo da roupa todos somos pele e coração, amamos e somos amados, tornamo-nos pequenos, grandes ou assustados. Ninguém é o que exerce e usa. Sabe que, com a inteligência aliada a sensatez e bondade, pode ter o que quiser de quem quiser. Nomeadamente, o respeito.
Entenda-se isso e sigamos em frente com acções de marketing que inspirem o simbolismo do que se use por dentro e não do que se use por fora.  

"A sofisticação é o último degrau da simplicidade" - Leonardo Da Vinci

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Diferença entre sensibilidade e hipersensibilidade

É comum o facto de que determinadas pessoas se ofendem e compadecem com o condão da palavra. Pessoas que são protegidas ou temidas pelos demais e que por vezes contam com a amabilidade alheia do tom caridoso do "ele é muito sensível". Gostaria prontamente de me manifestar sobre tal. Existe uma diferença entre alguém que é sensível, contrariamente a alguém que é hipersensível e que a meu entender, muito se confunde. Os sensíveis não são vulgares florzinhas frágeis para estar expostos ao ar da vida. De facto, a emoção proporciona muitas vezes uma leitura mais humana e que nos aproxima empaticamente dos outros. Já os hipersensíveis, têm seriedade em demasia perante os outros, estando convictos, rígidos ou paradoxalmente, combalidos e submissos.
Ora vejamos.
Podem afastar situações emocionalmente tocantes por precisamente essa vertente se antecipar. Vão-se emocionar, despir, obrigar a estarem nus diante do desaparecimento de uma data de artifícios de fuga. Interpretam erradamente a realidade com base naquilo que anseiam e projectam o que fazem favor de fazer acreditar na plateia, de modo a ser verdade para si. Na inevitabilidade da máscara cair, procuram-na no sentido de continuar firmes na ausência da verdade que dói.  Por outro lado, existem também os hipersensíveis que absorvem o clima de determinada área como seu, não conseguindo discernir que ninguém é desumidificador dos outros. Compadecem-se e ficam à mercê de um estado de emoção que não é o seu. Mesclam identidades, pertenças, afirmações.
Que não se pense que quem se emociona (por emocionar não refiro o choro e comportamentos mentalmente perturbados) ou revela transparência no aguerrido das emoções mais vulneráveis, é um coitadinho que tem menos força para lutar ou encarar o mundo. Ele precisa de muita sim, para poder afirmar/exibir isso perante os outros. num contexto saudável e lúcido daquilo que são os acontecimentos que a vida pode leccionar. Podermos pensar usando emoção e vice-versa, é demonstrar o quanto precisamos desse binónimo para ir continuamente ao fundo de nós, e com isso, melhorar quem somos num contexto de frutífero conhecimento. É um dom para vida, estar atento e receptivo aos seus sinais mais pequenos, que de tão fortes fazem tremer as raízes, colocando em permanente florir. Assim como, saber onde acabam os nossos limites e começam os dos outros, é absolutamente imprescindível para todos não estarem sob o mesmo guarda chuva aberto na deriva da tempestade que caí. Com isso, o hipersensível encarrega-se de entrar em cortejo diverso quando não o precisava, submetendo o seu bem estar, por não dissociar que o que pertence ao outro, não pertence a si.
A sensibilidade permite-nos também estar atentos a tudo o que somos, damos e recebemos. Esta não pode ser concebida como um par de óculos que pintem o mundo mais cor-de-rosa, porque para tal julgo que poderemos antes qualificar o que existe de fantasia, imaginação, criatividade ou inocência. A sensibilidade não precisa de óculos. Ela é em si, o que já está impregnado no olhar, para ajudar a compreender a realidade com a união do sentido do coração e racionalidade da mente, E sabendo que, para existir hipersensibilidade, algum destes dois lados teve de ficar claramente mais desfavorecido.

Uma das maiores prendas educacionais para um filho

Para pais e não pais de todo o mundo que se atrevem humildemente a realizar o seu caminho na compaixão de que nada se sabe e substancialmente muito pode mudar, ocorre-me dizer que desde há uns tempos me detive numa ideia. Aliás, numa sólida ideia. Existem factos inabaláveis e inquestionavelmente construtivos do ser humano, como seja crescer num ambiente calmo, pleno de amor, afecto, com sentimento especial e vínculo significativo que una positivamente todos. Assim como proporcionar, dentro do sistema moral e cívico de cada um, o melhor que os pais consigam transmitir.
Contudo, não sei se existe algo que vão declinando ou não, conforme o apego e não autonomização dos pequenos, que se chama, educar para decidir. A educação para decidir é preciosa e vital e talvez seja mesmo uma das maiores heranças educacionais. Nela é necessária uma dose grande de coragem, para ajudar os pequenos futuros adultos naquilo que é a responsabilização através do seu olhar.
Por certo, sabemos que a responsabilidade é induzida em qualquer acção para o próprio ou terceiros, mas do que os pais não se lembram é de que, o futuro é moldado pela capacidade que a criança adquiriu em saber decidir (e bem decidir). A responsabilização pede que não se substitua ninguém naquilo a que o próprio é indispensável. E só decidindo se percebe o peso das consequências e só sabendo o que são as consequências é que se consegue decidir. Quase como a intrínseca ligação entre experiência e decisão, decisão e experiência. Uma completa a outra e precisa simultaneamente dela. E não me remeto ao plano da comida, roupa, entre outros bens. Falo da responsabilização progressiva. Porque saber educar a decidir é muito duro. É duro ver um filho a seguir algum caminho que se julga não ser o melhor (e atenção que aqui nem sequer entra campos de risco de vida ou algo similar) e ter a coragem de não agir. Assim como deve ser duro ver um filho a não agir e actuar para o fazer pensar naquilo que está a fazer.
Educar para decidir é colocá-lo como a pessoa mais importante da sua própria vida e transmitir-lhe garra e dinamismo para ser o seu melhor. Não o melhor que alguém imaginou ou as projecções de medos e sonhos. Isso é não respeitar a pessoa que se está a criar, como alguém que vai ser um prolongamento da mão, quando ele já tem as suas duas. E entendo que tudo isso se baseie no amor e medo, onde um e outro toldem a visão e fiquem tão perto que não permitam distinção e controlo. Parece-me que as noites se dormem muito melhor quando se consegue ter os filhos moldados por rédeas do conforto e comodidade. Mas viver em constante conforto, como alguém que pode seguir um traço da linha porque vê sempre o rasto do lápis por baixo, é como viver a vida com anotações, post-its e subterfúgios. E isso não é educar para decidir, através de tornar alguém competente, confiante, individual. É educar para ser esse contrário.

domingo, 13 de novembro de 2016

O Alfredo namora com a Genovevazinha.
Genovevazinha tinha uma amiga que gostava de Alfredo.
Alfredo tinha um amigo que gostava da Genovevazinha.
Esse amigo que gostava da Genovevazinha, já namorou com a prima do Alfredo.
A prima do Alfredo, conhece das aulas de piano a Genovevazinha.
O amigo nunca se declarará à Genovevazinha porque namorada de amigo é homem.
A amiga nunca se declarará ao Alfredo porque namorado de amiga é mulher.
A prima do Alfredo ficou sempre na dúvida sobre quem gostava de quem e não a quis esclarecer.
No final, não importando os pressupostos éticos, o amor falará mais forte, na sua anulação ou florescer.
E o único argumento, que separará tanta tolice junta, é o facto de que tudo é tão insignificante, perante aquilo que é o próprio ser.
(Ou a nossa própria finitude).

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"Nothing last forever, even a cold november rain"

Vendi o espaço deste título num supermercado

Hoje fiz-me entrar num daqueles supermercados que só não conseguem vender honra e dignidade e deliciei-me com o banquete de necessidades em montra. 
Quase senti um calafrio inoportuno, pensando na minha extinta bisavó que viveu numa aldeia perdida no interior do país, que já de si, também está perdido de Portugal. Retomando a ideia, recordei a minha bisavózinha porque também ela ficaria entorpecida com a intrigante panóplia de decisões que se afiguram em compras num grande supermercado, quando a vida antes só permitia divagar entre o necessário e o óbvio. Não no tipo de presunto, tomate, granolas ("que é isso filha", parece que a ouço a perguntar), postas de pescada ou fraldas de cores, texturas e cheirinhos. 
É caricato este peso que colocam no vulgar contribuinte, estando ele atormentado na gestão do dinheiro volumoso do seu bolso, não podendo simplesmente optar por A, tem o alfabeto inteiro perfilado para escrutínio. Para ler rótulos, sentir a estética e necessidade promíscua do marketing e quiçás, não encontrar a menina oprimida que observa na esperança de nos borrifarmos para a existência do novo queijo que lhe paga o aluguer da casa (ou do quarto?).
Enfim, é a súmula desta vida. As pessoas julgam estar com maior capacidade de escolher, envergar direitos e consciências, mas não percebem que muito do progresso nos empurrou para pior. Nunca estivemos tão ensimesmados nas nossas escolhas e com tão pouca informação clara. Os gerentes dos supermercardos têm fortíssimas dores abdominais de tanto rirem dos comuns consumidores, pois a confusão está instalada e tão bem orquestrada, que julgamos ser nossa a palavra final. E não percebemos que, nesse final, nós é que somos o seu maior produto em venda.
(E agora ocorre-me uma epifania... parece que não é só nos supermercados).

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

No decorrer das prendas imateriais que possuo felizmente em todos os dias do ano, o céu brindou-me hoje com uma especial. A lua congruente, afirmava comigo um vigoroso quarto crescente, mas nesta noite eu poderia jurar que ao traçar o diâmetro e percebendo o raio, as contas seriam sempre similares, em termos da exibição orgulhosa da metade exacta, do lado escuro e o lado visível.
O que me fez pensar em algo muito importante.
Quando somos mais jovens existem vários momentos novos, plenos de descoberta, incerteza e em que a entrega não pensa imediatamente no peso das consequências. Sente-se, respira-se sem hesitação e na inocência do que há para viver. Com o passar dos anos vamos ficando antiquados, subjugando o peso da nossa história e do ego com que resolvemos nela agir, afastando, não abraçando, vivendo de dúvidas, suspeitas, pessimismos ou confortos delimitados, nada plausíveis com a potencialidade e surpresa que a vida tem para presentear.
Talvez esta lua esteja assim hoje para dizer que, por muito que sejamos luz, preenchimento e alegria, existirá sempre a seguir-nos saudavelmente um espaço escuro e não revelado, que em nada representa medo e terror, mas sim a necessidade imperativa de vivermos na possibilidade do desconhecido. Seja ele conhecer-mo-nos nos maiores limites onde não nos julgaríamos, viver uma vida sem expectativas e exigências aos outros e ao que possam ser, uma obediência cega a  posses, ou descobrir que um lado negro e de luz estão juntos para nos fazerem sempre muito mais completos. Tenho aprendido igualmente que estamos mais sozinhos do que julgamos, não no sentido do amor e afecto ser desvalorizado, mas porque somos lançados neste lindo mundo com a pretensão de descobrirmos que damos o que temos cá dentro e só sabemos aceitar e estar no aqui e agora livres, quando tudo chegou ao destino sem esperar o mesmo em troca. Não utilizo o sozinho rejeitando as pessoas. As pessoas são essenciais, nos relacionamentos que nos dão, para ensinar que só com muito amor partilhado um percurso único tem chão para ser feito. Por isso é que o amor e a felicidade são tão fortes. São um estado de partilha contínua, sólida, que nos envolve e só vem a nós quando é trabalhado em várias direcções, cuja responsabilidade é primordialmente nossa. 
São pequenas e grandes lições que, embora não tendo hoje um aspecto e posses físicas congruentes com o capital e envergadura estimado dos 30 anos, tenho a mente e o espírito altamente agitados e em progresso. E isso para mim, faz-me não ter uma pertença na idade. Faz-me ter com a vida.

domingo, 6 de novembro de 2016

Ode aos 29

Há quem diga que os anos não se compartimentam na passagem de 31 de Dezembro a 1 de Janeiro, mas sim que se iniciam no dia de aniversário até ao outro seguinte. Hoje não se trata de aniversário, mas de alguma forma sinto que tenho de congratular o que os quase vividos 29 fizeram por mim. Para os entendidos na astrologia, aos 29 acontece algo que se chama o retorno de Saturno, um planeta que precisa de 29 anos para fazer o mesmo movimento que a Terra faz à volta do Sol num 1 ano. Corresponde a um ciclo de agitação e crescimento que atribui pesos, decisões, responsabilidades e mudanças. Algo como uma ambivilência produtiva na reflexão entre o que a vida deu e o que lhe demos, e sobretudo, nessa substanciosa aprendizagem, perceber o que com isso queremos ser e agir.
Valorizo tanto os pequenos e grandes momentos de felicidade, que sei como o sofrimento sempre me moldou muito e trouxe, no meio dos seus vendavais e chuvas cinzentas, as contribuições fortíssimas para apurar o que ainda estava verde e carente de acção.
Acredito que para muitos o que relato não signifique necessariamente um acontecimento de 29 anos. Todos estamos sujeitos aos tormentos de imprevistos, previstos e momentos que perfazem a fluência e ritmo da vida. E para nossa sorte, no sentido de crescer e aprender, devem existir e marcar integrativamente, desde que nos permitamos ter inteligência suficiente para tal.
Posso afirmar que os 29 foram um misto incrível entre sofrimento e crescimento, e refiro-me ao sofrimento como algo produtivo e não como uma bandeira mártir e de vitimização, que em tempo algum foi companheira de quem pretenda ser feliz. 
Somente quem se permita atravessar, mergulhar e entregar naquilo que dói, não sabe e quer mudar, ganha coragem, resiliência, amor e entrega com conhecimento. Ou humildade, lucidez e o infinito por dentro. Não sei se podem ter sido essas todas as minhas lições. Sei que muitas mais ficaram aqui a ser plantadas para colher na melhor altura. E não será a altura em que surja alguém, algo ou a fantasia de um futuro mais auspicioso.
Porque auspicioso? Auspicioso sou eu.

sábado, 5 de novembro de 2016

"Se não me interessar pelo mundo, este baterá à minha porta pedindo-me contas." José Saramago

Há muito tempo, estudiosos da área transmitiram o aviso de que a inteligência, mais do que uma capacidade de raciocíno de situações complexas, decisivas, vitais, de aprendizagem e aplicação complexa ou abstrata é uma capacidade evolutiva e adaptativa, recordando o perseverante Darwin com a sua teoria da selecção natural. Teoria que, na superioridade narrativa que adopta o ser humano, julgar só acontecer para com os pobres animaizinhos das ilhas galápagos.
Que perspectiva evolutiva há para o mundo onde uma grande parte do mesmo, que tem acesso a cultura e informação, percorre o dia no feed de noticias do Facebook? Em que as preocupações se subjugam a interesses quotidianos, que não sejam publicitados em larga escala, ou repare-se, quando não há união de figuras públicas a alguma causa que os desperte? Quando os 2º e 3º ciclos de estudos não traduzem sempre um crescimento contributivo e aplicado na prática? Não me quero colocar como uma virgem estarrecida perante o mundo que também é o meu, e na qual posso pecar e orar simultaneamente, mas vejo-me na obrigação de exprimir que na constituição de qualquer país civilizado devia  zelar o seguinte dever: CULTIVE A SUA INTELIGÊNCIA.
A nossa casa não se trata só do m2 que com esforço pagamos todos os inícios de mês, ou com sorte (ou paternalismo da vida) não se pague. A nossa casa é todo este mundo maravilhoso onde a cada minuto algo muda, algo acontece, algo há para saber. Algo que foi que pode ser sempre procurado, lido, estudado, reflectido. Da filosofia à religião, da política às ciências naturais, das artes à história da humanidade ou do cosmus. Quem somos nós para vir aqui e não nos interessármos?!
Quero cultivar árvores com raízes densas na inteligência ao invés de nesse precioso lugar ter um campo abundante de estrume que nunca fertilizou.

Aprovação por parte dos outros

Resultado de imagem para sartre e beauvoir

"Concedemos um carácter mais real à forma como os outros nos vêem do que à forma como nos vemos a nós próprios. Assim, estamos a ver-nos a nós mesmos como um objecto, perdendo a essência de quem realmente somos."
Jean-Paul Sartre

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Empowerment, o caraças.

Temos, na língua portuguesa, alguns estrangeirismos que adoptámos com orgulho, tão versados que somos em falar bem o inglês entre outras línguas que permitam demonstrar, qual habilidade de circo, o quanto o QI roça limites dignos de exclamação superior. Pois bem, focalizando um pouco, apetece-me dizer algo.
Hoje em dia há empowerment para tudo. Só de dizer a palavra, sinto-me inundada subitamente por uma fortaleza de aptidões, carácter e capacidades.
Vou citar exemplos.
Quando desvio a minha bicicleta do local habitual, para a empregada de limpeza do prédio realizar o seu trabalho mais afincadamente.
Quando elogio um micro passo, dado por uma micro pessoa, num micro espaço de tempo.
Quando se fazem pesquisas no google para diagnóstico, estatística, promoção de ideias, factos e filosofias de bolso fáceis de divulgar.
Quando existem reuniões de serviço, questionários de satisfação, boletins de voto ou o canal da assembleia em divulgação livre.
Quando me voluntario por causas, de preferência nobres, mui nobres.
Quando ajudo alguém a escolher, sendo dele a autonomia.
Quando sou eu a escolher, lembrando-me que é minha a autonomia.
Entre outros, outros e outros.
Será preciso muito para simplesmente admitir que, aqui por baixo, todos os dias, são dias de luta pela sobrevivência?! Do corpo, da mente, do espírito, de quem somos...
Empowerment, oh caraças! Termos laureados para florear o facto cru e duro de que, viver, é decidir a todo o momento. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um novelo emaranhado

Pareceu-me uma grande novidade avistada no horizonte, assim que o meu cérebro denotou a realidade que é trabalhar hoje em Portugal. Consigo sentí-lo na identidade de pessoas próximas, que ao recordar há muito anos atrás, se demonstravam felizes no meio laboral. Dizem-me algumas vozes mais pacíficas que se deve acalmar a revolta porque, enfim, não estaremos nós nivelados como Etiópias, Vietnames e outros que tais. Mas daí secalhar surgirá mesmo a revolta. Um país que floriu de um Abril apinhado de cravos, direitos e ideais, é o mesmo que se verga perante uma qualidade de trabalho decrépita face ao que são as qualificações e o próprio bom senso e solidariedade que dizem que abunda ou nasce subtilmente com o ser humano. A gravidez não é um acontecimento natural, trata-se de algo paranormal do campo do impensável ... as doenças e baixas quando acontecem são uma lástima, já que programados que são os humanos quando nasceram de uma vagina ou barriga robôtica, não constaria tal no manual de instruções. Um recibo verde foi chamado assim para simbolizar alegremente o verde de esperança, quando nada mais acalenta a passagem para uma vida profissional estruturada. E o esforço interior que fica nas longas horas passadas, não tem muitas vezes paralelo com o recibo de vencimento. Muito está em modo conta gotas, com filas de espera anuais em parelelo com pedidos inquietantes que ordenam que seja para ontem, proliferando o desejo de que ninguém faleça, para não faltar ao trabalho no dia a seguir (é que é muito engraçada a idade de reforma, estou-me agora a lembrar). Quando os humanos inventaram esta transição de competências por bens, qualificando-o de trabalho, seria mesmo isto que tinham em mente? Criar um mundo insano, onde a mesma hierarquia que contrata é aquela que não actua nas condições que fornece? Haver conjuntos de pessoas com medo, preterindo a sua saúde mental ao seguimento cego do que tem de ser feito? Existir sofrimento crónico que advém do não se conseguir lidar com o stress a que se vai ser exposto? Figurarem estudos a médio, longo prazo, investigações, etc mas os rácios, distribuição equitativa e respeito ficarem aquém? Não.. dá-me ideia que não foi para isso que inventaram o trabalho. Não me esqueço que todos temos direitos e deveres e que existem trabalhos que compensam abonatóriamente mais uns que outros... Mas trata-se somente de um ponto de vista irredutível... o trabalho foi feito para servir o interesse do Homem. E não o contrário.

O passado e o futuro de tempo nenhum

A forma como se encara a vivência dos tempos verbais e a inclusão destes para extraír o agir e estar nas nossas vidas, influencia grandemente a saúde mental de cada um. Um presente polvinhado em sentimentos amargurados, de culpa, arrependimento e em permanente dúvida ou equacionamento do passado, oferece que contributos? Da mesma maneira que, um estado contínuo de projecção futura do que ainda não se viveu, oferecerá realmente o controlo e sossego pretendidos? Serão raros os que vivem no agora, centrando o agora das relações, consigo, com outros e nas escolhas que fazem. Apesar da ligeira menção e não querendo aprofundar os conceitos de carpe diem ou de hedonismo, o que pretendo esclarecer com o viver no agora, é a honestidade e lucidez de estar numa mente mais livre e limpa. Porque uma mente refém do que fez no passado ou do que ainda não sabe do futuro, está sozinha, longe de si e do seu melhor. Está polida apenas com a prisão das suas próprias expectativas e frustrações. E estar no agora, não significará alhear-se ou negligenciar tudo o que teve a aprender com o passado, ou não se preocupar de forma saudável com o futuro. Trata-se apenas de um entendimento cordial e tácito entre todos. De entender que, a sabedoria que provém do que teve de acontecer habitar num lugar único, ao qual há que deixar ir para nele conseguir florescer a liberdade. A coexistência pacífica com o futuro, na ideia de que, só sendo amplos e inteiros com o agora, poderemos estar mais bem preparados para enfrentar o que quer que chegue amanhã que não saibamos. Embora seja premissa que os seres humanos são racionais, Aristóteles defendeu que a racionalidade é em si uma capacidade que precisa de ser desenvolvida através do hábito e prática. Parece-me que é urgente aprendermos a viver no agora, nesse agora que nos permita trabalhar respeito, congruência e bem estar. E, em tudo o que seja atraído por nós de diferente, que saibamos usar por fim, dessa aclamada racionalidade.