sábado, 15 de outubro de 2016

Miguel Torga x 2

Coimbra, 11 de Março de 1953

Destino

Sozinho, como um sapo que passeia
Por entre a noite cega que o não vê
Arredo os reposteiros de silêncio,
E é mais silêncio ainda...
Mas prossigo esta ronda penitente
De sereno dum mundo adormecido...
Guarda dos versos de quem vive ausente
Dos tesoiros que tem no próprio ouvido.


Coimbra, 5 de Abril de 1952

Ponta seca

Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz
Artes que o instinto sabe ou adivinha...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.

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