domingo, 16 de outubro de 2016

As grandes lições que gentilmente nos sacodem

Uns mais que outros conseguem sentir e observar a certeza de que nada é nosso. Porque tudo o que são pessoas e sentimentos não tem anexado visceral e firmemente, carimbos, vinhetas, assinaturas digitais ou artísticas. Vivemos numa doce ilusão de que podemos, porventura, possuir vontades e sentimentos e adivinhar expectativas ou posições alheias, qual custódia reclamada em amplo espectro. Pois bem, a vida não se coaduna com esta salomónica realidade. Pode existir porém um sentimento de união, fraternidade, cordialidade que conflua na exigência de um mínimo de possibilidades. Seria totalmente aristotélico e contudo inutilmente produtivo. O ser humano também é ser para sonhar, sair, estar e não estar, querer e não querer. De se vender quando a oportunidade surge e de se perder quando fica inebriado em si.  Por isso esta exigência trás em si sofrimento, porque quem sofre é o ego, desamparado, frio, orgulhoso e construtor de ideais. Paradoxalmente a uma lição incomparável de sobrevivência por fome, frio e sede, essa satisfação de funções da maior vitalidade, vem outra que é a de aprendermos a ser totais sem esperar que alguém nos venha completar em afectos, argumentos, companhia ou compreensão. E aceitar assim, tudo o que somos e tudo o que os outros possam ser.

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