terça-feira, 2 de agosto de 2016

"À volta de um mestre, tinha-se formado um círculo de intelectuais e eruditos. O mestre quase nunca falava, mas o discípulos não paravam de bisbilhotar e de se perder em todo o género de opiniões e pontos de vista. Durante horas, distraíam-se com todo o tipo de hipóteses e conjecturas metafísicas e em abstracções filosóficas. Todos falavam e ninguém prestava atenção aos outros, apenas às suas opiniões. Certo dia, o mestre disse: 
- São como lavadeiras! 
- Lavadeiras? - Perguntaram perplexos - Não percebemos o que temos a ver com lavadeiras. 
- As lavadeiras têm muita roupa, mas vêm os proprietários da mesma, levam-na e elas ficam sem nada. Vocês têm muitas opiniões tiradas de livros, textos, filósofos, mas nada vos pertence. Estão vazios. Continuam a especular, mas assim não vão obter nem uma grama de sabedoria e continuarão a ser como lavadeiras.

O conhecimento é informação, dados, opiniões reunidas; A sabedoria é conhecimento vivo, experiência, compreensão clara, entendimento livre de juízos e preconceitos. O conhecimento é superficial, parcial e condicionado. A sabedoria vê no modo final de ser das coisas e liberta-se dos conhecimentos produzidos pelos modelos, padrões, esquemas e preconceitos. O conhecimento baseia-se no pensamento e no que está para lá do pensamento. O conhecimento é transmitido de uns para aos outros, é de todos e de ninguém. A sabedoria é pessoal e não é transferível. Eu posso dar-te conhecimento e tu podes dar-me conhecimento, mas nem eu posso dar-te a minha sabedoria, nem tu me podes dar a tua. O conhecimento informa, a sabedoria liberta. O conhecimento ilustra, a sabedoria transforma. O conhecimento usa a mente, a sabedoria mente e coração."

Os melhores contos espirituais do Oriente, de Ramiro Calle

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