terça-feira, 26 de julho de 2016

O amor é pró-activo

Regozijem-se os poetas e sofredores de esquina, chorem os corações moles de emotividade literária ou cinematográfica, o amor real necessita de acção, iniciativa, raciocínio, assertividade e uma data de conjugações auspiciosas que não se encontram nos astros, pedras da calçada ou imaginação. A vida real é crua, dura, e nem o filtro mais colorido consegue disfarçar a aspereza com que ela nos engole e impõe viver na firmeza, em detrimento de um mar de superficialidade. Mas se a todo este leque conseguirmos juntar um discreto, porém existente, toque de pó de estrelas - seja ele um bocadinho de fantasia, um arrebatamento simpático ou um querer delicado - será que tudo não fica um pouco mais suportável? Ou o que torna suportável é filtrar com pensamento crítico e lógico? Resta saber não nos dominar por demasiada literacia romântica, porque o mundo não está, nem nunca esteve para isso. A arte está, pois grande parte dela são suspiros da vida real que ficou por fazer. Mas a vida não. A vida não pode imitar a arte. Sob pena de também ela ficar por fazer.

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