terça-feira, 5 de julho de 2016

Dualidades deste Homo que se diz Sapiens

Encontrava-me a procurar uma sombra numa quente praça central de Lisboa, e eis que a visualizando, me digno a sentar sob o toldo convidativo de uma conhecida e reputada agência de viagens. Abro a minha National Geographic, e julgando não estar com vestuário demasiadamente roto e sujo e com alguma cestinha a pedir dinheiro ao meu lado, aborda-me uma das funcionárias da loja. Oferece-me humildemente as suas desculpas, dizendo que teria de abandonar aquele local, envergando um ar sofrido de "não ficar bem" e "se o meu director vê". Portanto... como reagir a tal? Entre a perplexidade e a comoção de verificar que alguns cérebros se encontram a anos luz da verdade e do que realmente interessa, saí desse malfadado espaço, onde somente se pode permanecer de pé ou a consultar preços, não se permitindo sob qualquer instância esse ultraje que por vezes assola o preguiçoso ser humano que é... sentar-se. 
É tão discrepante orgulharem-se de vender sonhos, luxo, acessibilidade ou comodismo para pessoas... E simultaneamente precisarem de mediar a sua presença em frente à vitrine da loja.

"Não nos importamos de viver no lixo, porque saímos à rua perfumados" (Saramago)

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