segunda-feira, 25 de julho de 2016

Biológica é a minha avó

Neste poderoso caldeirão que é discursar sobre a sustentabilidade ecológica, editar livros, documentários, entre outros que tangencialmente roçam a moda, qual a distância entre algo que é insuflado para a tumultuosa sociedade de consumo e a real reflexão sustentada? Fazem-se festivais com consciência ética, festeja-se o solstício e a lua cheia de mãos dadas, reflectem-se hábitos em formato best-seller e o verde surge saudavelmente anexado em etiqueta de mercado. E apesar de muito nos ter distanciado em conhecimento cientifico e cultural, não consigo abster-me de pensar na minha avó, e em qualquer "avó" que nos tenha transmitido verdadeiramente alguns hábitos ecológicos valiosos, por serem intemporais. O não desperdiçar inutilmente, não gastando mais do que possuimos - seja recursos, alimentos, dinheiro...Ou algo tão lato como o tempo, honra, amizade e amor. Guardar o necessário, porque em o sendo, eventualmente o futuro nos fará procurá-lo.  Não tolerar o descartável. Apreciar o que resta da vida, pessoas e natureza, vendo-as, sentindo-as. Todos eles foram bios, ecos, e agora finalizam essas mesmas vidas entregues a aparelhos eletrónicos inventados para lhes roubar a essência da sua própria companhia. Que mundo tão eco!

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