quarta-feira, 20 de julho de 2016

A sorte do contexto geográfico

Excluindo os que opcionalmente alteraram a sua localização geográfica abrindo milhas de perigos, desafios e desformatação nunca sentida, todos nós, que nascemos em locais e cantinhos abençoados deveremos ficar eternamente gratos, nessa sorte que por nós não foi escolhida. Uma saia ou um vestido justo a exalar sensualidade usado por uma mulher, faz essa mesma mulher toda coberta vergar perante os costumes mais fundamentalistas, ou despertar violações em massa algures. Uma torneira, fonte ou bebedouro que tão resplandecentemente hidratam os mimados sonhos, tem o paralelo com os quilómetros que umas mulheres em África fazem, colocando deliberadamente as vidas em risco, para trazer água potável para a aldeia. Um passeio relaxado num parque natural, o trabalho de vigilante num jardim zoológico e algures no Parque Nacional de Virunga são assassinados diariamente esses mesmos vigilantes, por quem lucra imparavelmente com o tráfico de carne e marfim. Não me querendo alongar em outras múltiplas comparações, e sob pena de o texto soar a melodramático quando é apenas a vida real que nos chega, mas não produz impacto, abandono-me aqui em escrita. Nesta escrita que não me é proibida ou censurada, mas que neste país onde vivo, já chegou a sê-lo. Tenho sorte.

Sem comentários:

Enviar um comentário