segunda-feira, 13 de junho de 2016

Os 128 anos, ou os anos que se possam fazer quando se é eterno

Meu querido Fernando Pessoa. Admiro-te!
Sem um quê de vedetismo, histrionices ou endeusamento da tua pessoa.
Talvez uma forma mais modesta de admiração interior, que me faz pensar que quando te vejo exibido em cadernos, canecas, porta-chaves, posters, outdoors de cafés, terías um colapso nervoso com todos os teus heterónimos juntos, ao constatá-lo.
Se te conhecesse, podia-te pedir um mapa astrológico, com o Rafael Baldaia a lançar os preços da consulta? Perguntar-te como foi lidar com o medo de herdar a loucura da tua avó psiquiátrica, quando acabaste por lhe herdar a tipografia? Das saudades de uma familia que ficou na infância, de África do sul? Do complexo de inferioridade com os colegas na escola, que te fez fingir seres o teu próprio psiquiatria e enviar uma carta em nome de Faustino Antunes a pedir informações sobre ti aos professores? Da amizade/amor com Sá Carneiro, da amorosa história com a Ofélia, o teu (talvez) verdadeiro amor feminino, e ao qual renunciaste por pertença a um "universo maior"? Da tua inspiração única - que poeta algum difícil e muito arduamente conseguirá através dessa naturalidade - entrar no mais profundo do coração e fazê-lo respirar, emocionar, sorrir e combalir como tu fazias? 
Um crítico acérrimo e indomável, um permanente desassossegado de alma, falavas tão bem dos mais belos e doridos sentimentos apenas porque todos eles residiam muito forte dentro de ti. E nessa imensidão fazias-te tão vulnerável e poderoso. Doente e alcoolizado. Deus e humano.
Se pertences a algum lado, é e será sempre há Lingua Portuguesa e aos sentimentos. No coração e mentes de todos aqueles que, através da tua leitura, procuram, encontram e soltam bocados do seu interior. De uma recordação de infância, um amor apaixonado, uma vontade que ficou só, um suspiro afagado, de um lugar por sentar na natureza dos dias, ou da vida. Tanto para dizer sobre tanto a que permites a pensar e sentir.
Como tal, admiro-te. E não sei se é ainda a pouco. Só por aquilo que me trouxeste.

"Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes ao dia."

"Merda! Sou lúcido!"

"Não sei se os astros mandam neste mundo. Nem se as cartas - as de jogar ou as de Tarot, podem revelar qualquer coisa. Não sei se deitando dados se chega a qualquer conclusão. Mas também não sei se vivendo como o comum dos homens se atinge qualquer coisa."

"Dá-me mais vinho porque a vida é nada".

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