quinta-feira, 30 de junho de 2016

Ar fresco do astrofísico Neil Tyson



" As crianças deviam ter permissão para quebrar as coisas com mais frequência. Isso é uma consequência da exploração. Exploração é o que você faz quando não sabe o que está a fazer"

“Acredito que as maiores pessoas que já estiveram na sociedade nunca foram versões de outras pessoas. Eles forem eles próprios”

“Não há problema em não saber todas as respostas. É melhor admitir a nossa ignorância do que acreditar em respostas que podem estar erradas. Fingir que se sabe tudo fecha a porta para a descoberta do que realmente estava lá"

“Não há limites quando está rodeado de pessoas que acreditam em si, ou de pessoas cujas expectativas não são definidas por atitudes míopes da sociedade, ou por pessoas que ajudam a abrir portas de oportunidade e não a fechá-las”

“Passamos o primeiro ano da vida de uma criança ensinando-a a andar e falar e o resto da vida dela ensinando-a a se calar e a se sentar. Há alguma coisa errada”

“Não sei de nenhum momento da história da humanidade em que a ignorância foi melhor que o conhecimento”

terça-feira, 28 de junho de 2016

Bon Iver


Julgo compreender a razão
de te dignares a chegar tarde
será porque o amor só consegue ser mais puro
quando em qualquer lado cresce em id(entid)ade?

Ouço o vento soprar pela janela, e cúmplice,
observo as searas abanarem-se suavemente.
Se até elas aguardam envoltas em serenidade
porque haveria eu de querer ser diferente?

Lanço para o rio uma corrente de paciência, entrega, verdade
e retiro as pedras que barricam os egos, medo, submissão.
Assim, a corrente vai ficando fluida e transparente
para te poder reflectir o que tenho no coração.
Certa vez, notei um homem sentado perto de Jerusalém. Todas as vezes que eu passava ali, ele continuava no mesmo lugar. Perguntei ao meu guia, quem era ele, e ele, rindo, disse-me que o velho tinha enlouquecido.
Então, resolvi aproximar-me, e perguntei.
" O que estás a fazer ?"
" Estou a olhar os campos ", respondeu o homem.
" E o que mais?", quis eu saber.
" Isto, não é o suficiente para entender a vida?" , respondeu o tal homem a quem chamavam louco.

Kahlil Gibran

domingo, 26 de junho de 2016

Novas perspectivas sobre o envelhecimento

O envelhecimento ocorre apenas dos 25 aos 30 anos.
O que se obtém até esse momento é o que se conservará para sempre.
Friederich Hebbel

sábado, 25 de junho de 2016


Neste pequeno grande planeta
onde tantas pessoas se vão cruzar
será sorte ou sabedoria
conseguir saber aquelas que nos vão tocar?

Com diversas formas esféricas
e rectas que se desenham em alternados comprimentos
a quanto tempo e distância se situam
os mais relevantes e sonhados acontecimentos?

Continuaremos a rodopiar e passear
sem perceber o incrível poder dos encontros.
Porque só neste reconhecimento se consegue unir e entender
todos aqueles círculos, linhas e pontos.

sábado, 18 de junho de 2016

Vida pura... ou vida puta?

Em vida pura

De pura a puta a diferença semântica reside em contar a partir de uma letra, mais duas singelas e singulares letrinhas do alfabeto. Modestas, obtusas, profanas ou simplesmente, existentes no caminho. Como alguém que surgiu no caminho de outro para o mudar para sempre, ou roubar e dar um sonho, essas letrinhas no alfabeto existem de igual maneira para diferenciarem, marcarem, distinguirem factos, posturas e idiossincrasias. Qual é de verdade a puta e a pura? E em quantos momentos elas não se fundem, repudiam, desejam-se? Naqueles momentos em que nos prostituímos por pessoas e verdades em que não se acredita, compactua ou reconhece? E noutros em que, ao assumir o que se sente verdadeiramente, de feliz ou lânguido, somos um espelho límpido e honesto do que trazemos cá dentro?!
Portanto de pura a puta... Não existe uma diferença sexual, pornográfica ou oferecida. 
Todos possuímos estas cordiais palavras no nosso âmago. E que não exista puritano que se afronte, ou puta que repudie a sua origem.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Os 128 anos, ou os anos que se possam fazer quando se é eterno

Meu querido Fernando Pessoa. Admiro-te!
Sem um quê de vedetismo, histrionices ou endeusamento da tua pessoa.
Talvez uma forma mais modesta de admiração interior, que me faz pensar que quando te vejo exibido em cadernos, canecas, porta-chaves, posters, outdoors de cafés, terías um colapso nervoso com todos os teus heterónimos juntos, ao constatá-lo.
Se te conhecesse, podia-te pedir um mapa astrológico, com o Rafael Baldaia a lançar os preços da consulta? Perguntar-te como foi lidar com o medo de herdar a loucura da tua avó psiquiátrica, quando acabaste por lhe herdar a tipografia? Das saudades de uma familia que ficou na infância, de África do sul? Do complexo de inferioridade com os colegas na escola, que te fez fingir seres o teu próprio psiquiatria e enviar uma carta em nome de Faustino Antunes a pedir informações sobre ti aos professores? Da amizade/amor com Sá Carneiro, da amorosa história com a Ofélia, o teu (talvez) verdadeiro amor feminino, e ao qual renunciaste por pertença a um "universo maior"? Da tua inspiração única - que poeta algum difícil e muito arduamente conseguirá através dessa naturalidade - entrar no mais profundo do coração e fazê-lo respirar, emocionar, sorrir e combalir como tu fazias? 
Um crítico acérrimo e indomável, um permanente desassossegado de alma, falavas tão bem dos mais belos e doridos sentimentos apenas porque todos eles residiam muito forte dentro de ti. E nessa imensidão fazias-te tão vulnerável e poderoso. Doente e alcoolizado. Deus e humano.
Se pertences a algum lado, é e será sempre há Lingua Portuguesa e aos sentimentos. No coração e mentes de todos aqueles que, através da tua leitura, procuram, encontram e soltam bocados do seu interior. De uma recordação de infância, um amor apaixonado, uma vontade que ficou só, um suspiro afagado, de um lugar por sentar na natureza dos dias, ou da vida. Tanto para dizer sobre tanto a que permites a pensar e sentir.
Como tal, admiro-te. E não sei se é ainda a pouco. Só por aquilo que me trouxeste.

"Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes ao dia."

"Merda! Sou lúcido!"

"Não sei se os astros mandam neste mundo. Nem se as cartas - as de jogar ou as de Tarot, podem revelar qualquer coisa. Não sei se deitando dados se chega a qualquer conclusão. Mas também não sei se vivendo como o comum dos homens se atinge qualquer coisa."

"Dá-me mais vinho porque a vida é nada".

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Bombomzinhos filosóficos

"É impossível pensar em alguma coisa no mundo, ou na verdade até além dele, que se possa considerar boa sem limitação alguma, a não ser uma vontade boa. Uma vontade boa é um bem não devido aos seus efeitos, nem devido ao que ela consegue obter, nem devido à sua adequação para atingir uma qualquer finalidade visada; é um bem exclusivamente pela sua vontade, ou seja, em si mesma"

"Age de tal maneira que uses a tua humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio"


Immanuel Kant, Fundamentação da metafísica dos costumes (1785)

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O que acontece quando recebes uma prenda e afinal a caixa está vazia? E mais penoso ainda, o que sentir quando foste tu que a deste? Quando sabes tão convictamente que as prendas que entregas - e a quem entregas - não são vãs, ocas, inúteis, despropositadas e sem alma...
Não podendo devolver o embrulho, refazê-lo estará fora de questão.
O mesmo papel e fita, se autênticos e originais, não se encontrão mais.
E o que colocas na caixa, na continuidade da premissa anterior, torna-se irrepetível. 
Pensando em tudo, observas novamente a caixa.
E começas a perceber, que essa ausência de conteúdo permite-te apoderar do que quiseres. Interpretar, dar forma, carregar no significado conforme aquilo que queres trazer para a tua vida. Integrar as aprendizagens. Viver na mágoa e inspirar a incompreensão que semeia mal estar fortuito. Ou ser grato por tudo o que a vida trás, que te faça mais robusto, sensível, distinto. Que faça conhecer-te. Conhecer os outros. Conhecer um pouco mais da vida.
Desta forma tudo o que damos e recebemos não é vazio. Não fica no vazio. 
Mesmo que o pareça numa primeira, frustrada e sôfrega ponderação.
Somos nós que atentando nessa caixa, lhe daremos a configuração - um imenso vazio ou uma imensa galáxia. Em conhecimento. Em qual nos queremos ficar?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

As circunferências do tempo


Perto do círculo polar ártico

Desde muito pequena fui ensinada a cumprir horários de forma criteriosa. Começei a depreender que chegar na exacta prontidão da hora, não seria de bom tom. Tinha de ser mais cedo. Ou quase. Para conseguir cumprir a expectativa, compromisso e solenidade de esperar ou ser esperada por alguém, que me foi educadamente incutido. O ponteiro dos minutos fazia questão de ser rigoroso e nunca ser forçado a assumir-se depois da hora marcada.
Surge paradoxalmente o tempo da minha vida, que se revelou mais divergente. Cumpria horários, mas  por muitas vezes me separei inconscientemente dos horários que regiam o todo. Não estive antes do minuto marcar o tempo exacto. O exacto que a sociedade difunde, escrutina e julga. Como se a vida de cada um não fosse suficientemente digna e dona das suas próprias conquistas.
Que mundo é este onde é preciso uma mente aberta para perceber que o mais importante em alcançar nos anos que se fazem, é a serenidade, fidelidade e autoconhecimento para com os valores, ideias, paz de espírito e com isso estar cada vez mais em sintonia consigo próprio?
O que cada um faz e tem em todos os momentos, necessita de ser apenas um passo mais na direcção do seu próprio tempo. Não do dos outros. Não naquilo que a sociedade define para todos. No sentido de entender quem é, o que o faz feliz e de que modo pode ser mais sincero consigo e com os que o rodeiam. E essa é uma conquista que não é valorizada. Porque contém o seu próprio ritmo, suor, lágrimas, paciência, dor, amor, perseverança e como tal não consegue ser mensurável em bens materiais, alianças, filhos e demais exigências visíveis. Porque uma pessoa pode ter tudo isso e nunca se ter respeitado e conhecido, dentro do tempo. Do seu próprio tempo. E eu não quero viver dessa forma.
Entende o teu tempo e nunca mais terás de te guiar pelo de alguém.