quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ela regressou a casa de um dia caótico e infernal de trabalho, daqueles em que se questiona com alguma audácia e incredulidade qual terá sido a razão de o Homem se ter convertido tão resignadamente num ser que explora e é explorado, ousando nomeá-lo de emprego. Na mesma proporção da ignorância de respostas, resolveu desconhecer por momentos os malefícios ambientais de um bom banho de imersão, perfumado de sais e tranquilidade. Preparou tudo com a dedicação de quem sabia estar a confecionar só para si um prazer aprimorado, deslizando voluptosamente pela água. Os cabelos molhados, desenhando-se sob o relevo dos seios, ocultavam-lhe o seu volume. A pele suave e delicada, transparecia o desfrutar da liberdade de quem sabe como se entregar ao momento. Emergida na embriaguez dos próprios sentidos, não repara que a porta se abre, com curiosidade e vagarosamente. Era ele. Ele observava-a com o mesmo desejo com que ela se entregava à nudez que tinha por companhia. Tentava percorrê-la, saboreá-la com o olhar, mas os cabelos compridos e o sabão espalhado pela água, ocultavam aquilo que ele mais queria ver e do qual já não resistia mais em querer sentir. E foi assim que ela o viu. Ávido, libidinoso, sedento, entregue. Pleno de amor. A querer unir-se a ela. Entrou por detrás dela, permitindo que se deitasse sob o seu corpo, sôfrego em tê-la.
E conseguiu.

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