sábado, 16 de abril de 2016

Sentei-me à mesa com o tempo
falei-lhe sobre os meus temores
sorri-lhe face à dúvida
da incerteza dos amores

Ele contou-me entre um copo de vinho
a importância de nos descobrirmos
e que pode acontecer todos os dias
por vezes entre simples suspiros

Falou-me da luta interior, das perdas
das certezas que se consolidam em nós
Da rapidez com que o que julgamos certo
um dia nos deixar numa rua sós

Cantou-me caminhos e guitarras
que tenho de trilhar com o meu próprio esforço
ouvir a chuva na janela de um domingo
e ver as estrelas num sol posto

Desarrumou fantasmas debaixo da cama
ouviu-os esvoaçar nos meus pensamentos
mas provou-me que com a força de duas mãos
somos nós que conseguimos ultrapassar os momentos

Disse-me para transformar o meu sorriso
em pó de estrelas eternas
e colocá-lo no céu todas as noites
no coração das pessoas mais belas

Sorriu entre passos
e disse que não nos voltaríamos a ver
para encarar esta despedida
como o destino que a vida tem a ser

Despediu-se e disse-me
que o calendário se desfolhou
e que agora é comigo fazer do tempo
o tempo que me restou.

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