sábado, 16 de abril de 2016

Cândido de Voltaire

"Encontrava-se à mesa um homem sabedor e de bom gosto que apoiou o que a marquesa dissera. Falou-se em seguida de teatro. A dama perguntou porque é que havia peças que se podiam suportar em cena, mas que não se conseguia ler. O homem de gosto explicou muito bem como uma peça poderia ter interesse e não possuir mérito algum. Provou em poucas palavras que não era bastante apresentar duas ou três situações extraídas dos romances e que seduzem sempre os espectadores, mas que era preciso ser-se novo sem se ser bizarro, muitas vezes sublime e sempre natural, conhecer o coração humano e fazê-lo falar, ser um grande poeta sem que, contudo, nenhuma das personagens da peça seja poeta, e sobretudo conhecer perfeitamente a sua língua, falá-la com pureza e com uma harmonia contínua, sem que, porém, a rima prejudique o sentido."

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