quarta-feira, 23 de março de 2016

O antes e o durante

Pragmatismo, habilidade, destreza e superação emocional de uns, distanciamento e relativização de outros quantos, o caminho que se percorre do antes ao durante tem a verdade e entrega que lhe quisermos colocar.
De nada adianta fazer a função do tempo.
Tudo chega, tudo se dá. Com calma. Essa palavra tão irritante quando o que mais queremos é antecipar o progresso.
E nisto, sem nos apercebermos bem, surge a primeira folha verde que desponta nos ramos nus e frágeis que estiveram expostos ao Inverno duro e rigoroso. Porém, paciente e resignadamente o suportaram, esperando e na esperança do que estava para vir, mesmo que o que sentissem no imediato fossem só ramos nus (Há sempre algum ramo nu ao nosso lado mesmo que disfarçado).
As transformações são lentas. E o que realmente se compreende é doloroso. Doloroso porque poderíamos ter sido melhores. Quiçá mais felizes. Talvez mais conscientes. Não nos levasse pessoas que nos foram especiais. Mas o que podemos fazer nós perante quem e o que não fomos? Lutar, chorar, praguejar, esmorecer? Não, não pode ser para isso que serve a vida, as relações e principalmente a nossa própria companhia. As transformações exigem submeter-mo-nos ao nosso próprio resgate. A lidar com tanta coisa suja e indefinível que determinou este durante tão sofrido. A dar-lhe forma para que a sua compreensão consiga fazer-nos mais verdadeiros connosco e com os outros. E nessa verdade, só pode existir espaço para perdoar, integrar, agradecer. E libertar. Porque aconteceu antes, não aconteceu agora que o compreendeste. Nesse agora, o tempo é outro porque o que acrescentaste em ti foi maior que a dor. E libertou-te.
Fidelidade? Fidelidade a nós, sempre e que isso não se torne ou confunda com um acto egoísta. 
Sob pena de nos tornarmos um ramo que ficou sempre à espera que o Inverno passasse. 
Para que serve uma vida assim?

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