quinta-feira, 3 de março de 2016

Estás tão pequeno e aflito
não sabes em que direcção virar
perdido na espera dum semáforo trémulo
ou procurando pelo escuro da rua, os candeeiros a iluminar.

Aguenta a corda!
Não te lançes vilmente numa rua sem sentido.
De que te serve um caminho pensado
se por dentro o que tens ainda está vazio?

A janela abre-se ao quotidiano
no corredor passeiam-se as fotos em familia.
E vais pensando, enquanto contemplas a incerteza
quando será que mudas de vez a mobília.

O tempo passa, ai como o tempo passa!
Queres promessa mais verdadeira de se cumprir?
seria mais fácil se não desses luta e não acreditasses
nas descobertas do que ainda está para vir!

Vai lavar a roupa! Penteia-te!
Estica as pernas e as mãos!
Encolhe a barriga e lava os dentes!
Mete-me juízo onde não tens razão!

Abre a porta e atira-te para a rua!
sim de tal forma que partas os dentes ou a cabeça!
se não sabes o que andas fazer..
que a dor te faça encaixar a peça!

E quando ao sair caíres no chão
faz-me só o favor de olhar para cima.
E atenta nesta analogia irónica
de vivermos no eco do nosso clima!

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