terça-feira, 15 de março de 2016

As pessoas são um ser misteriosamente complexo! Fogem quando querem ficar, calam-se quando querem gritar, esperneiam quando desejam correr, acariciam quando amanhã magoam, dizem que não quando mais o querem, confundem sensações com sentimentos, desdenham quando querem comprar, sonham quando o que as afasta é a realidade, são crueís mesmo não querendo, são terríveis não sabendo, aparentam quando gostavam de não (o) ser, retiram prazer do politicamente incorreto, riem-se quando mais querem é chorar e choram a rir, ironizam e desvalorizam quando as afecta, inventam palavras quando as querem calar com um beijo, fogem dos desejos quando mais os querem abraçar, ambicionam o dia quando estão na noite e a noite quando estão no dia, estão bem onde não estão bem e onde não vão, eternos insatisfeitos com a vida, sentimentos, pessoas e situações. Falam de equilibrio e paz e no minuto a seguir a sua vida se destabiliza. Irónico? Fraco? Não sei... Mas rio-me de todas estas fraquezas que nos compõem.

Escrevi este texto em 2007 e ao lê-lo ainda me parece bem actual...
Porque hoje o dia presenteou-me inesperadamente com um circo de afectos externos! 
Circo o qual somos nós, andando nestas voltas esféricas onde gabosamente entendemos que somos nós a domar os animais... Quando somos imensamente domados e dominados não por animais mas por sentimentos/emoções! Que são reflexo do lixo que acumulámos anos e anos dentro de nós, da construção do nosso carácter e dos medos reais e imaginários. 
Confunde-se tanto a rigidez e firmeza com a integridade e honestidade, a busca no outro quando o que se tem de resgatar somos nós, que tão crentes e fieís a uma imagem ou vida, será que realmente correspondemos a quem somos e ao que precisamos? Quem nos pára, quem nos demove, quem nos atenta nisto?
Assumir a fragilidade interior potencia de uma forma esplendorosa a sensibilidade que é estar vivo e sentir os outros. Vamos ter coragem para permitirmo-nos a ser humildes e pequenos, muitas vezes e de muitas formas. 

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