segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tapem os bancos de jardim
e as varandinhas de ferro com vasos de flores
as camas de hotel por todo o mundo
os beijos intensos sem pudores.

Cubram cuidadosamente planos sonhados,
um retrato de familia feliz
uma música de amor realizado
o sorriso de quem tem o que quis.

Desapareçam com os fins de semana
as fotos em côr de primavera
a contemplação orgulhosa à distância
as duas metades de uma qualquer esfera.

Ocultem o desejo ofegante
o dicionário de palavras trocado em fluência
porque para quem falta o amor
tudo isto é decadência.
(Ou na melhor das hipóteses
um treino de resiliência.)

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