segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sou um fortune cookie, ou um bolinho da sorte como me quiserem chamar. Na minha família existe uma longa tradição na clarividência futurística. A minha avó iniciou-se por vocação, porque não queria ser um bolinho devorado por dedos obesos ou corações partidos em fase de latência. Seguiu-se a minha mãe e o meu irmão. A minha irmã mais nova preferiu o ramo dos cup-cakes, vaidosa como era, sempre quis ficar enfeitada de tudo e mais alguma coisa. Por mim tudo ok. Não sei bem qual o cariz da mensagem que trago comigo. Sei que não gosto de frases cliché. Sinto-me uma espécie de Messias, um Papa ou Mahatma Ghandi. Na fábrica disseram-me que não poderia escolher a mensagem que transporto, em virtude do preço de produção, e afirmam eles também, que assim conseguiria trazer melhor o sabor tenro e genuíno da descoberta. Dou por mim a reflectir. Que importância tenho eu para as pessoas? Num mundo onde existem astrólogos, tarólogos, meteorologistas, videntes, avós, mães sábias e pessoas pouco influenciáveis?
Hoje, antes de ir para a fábrica, faço uma incursão na farmácia para o antidepressivo. É que estou tentado em quando colocarem uma moeda na máquina realizar um mergulho fatal, para não assistir à indiferença quotidiana nos olhos da pessoa que me abrir.

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