domingo, 19 de novembro de 2017

Hoje disse bom dia a qualquer coisa em mim nova.
Qualquer coisa que toma figura, que se desprende de velhos padrões.
Algo que agradece a elementos que já se estão a ir, que serviram em utilidade os propósitos orientadores de desaguar nesta fase.
Os caminhos não são todos iguais, não o são.
A sabedoria nem está em perceber a rotulagem do melhor e pior.
Está em compreender essencialmente o que é o OUTRO caminho.
Que não tem que significar novidade, excitação, descoberta e isso ser a base e a atractividade.
O outro não significa que o não escolhido já não tem nada a mais a oferecer.
As aprendizagens surgem de muitos pólos, de tropeços, de acontecimentos e pessoas. Como tal, nada do que se deixa deve ser sentido com a noção de estar esvaziado. Seria uma falta de ética e arrogância perante as grandes escolas que são os outros, a nossa ignorância, a grande força que é aprender no tempo.
Não, nada disso.
Simplesmente sente-se que esse OUTRO, precisa acontecer.
Precisa.
E isso faz a diferença entre respeitar tudo aquilo que aprendemos a escolher.

sábado, 18 de novembro de 2017

Passou-se algum tempo, o tempo suficiente para ambos se esbaterem nas névoas dos caminhos que não foram escolhidos. Mas nessa noite ela parou naquele sítio, o local onde sabia que ele iria estar, talvez porque a sua memória não a havia traído naquele ponto onde uma informação pode dirigir com subtileza a gentil chave do destino. Quando entrou, sabia que era imbuída de um impulso, um sentimento que a levava a ele, a ideia pressentida de que algo se iria passar, porquanto ainda sem hora ou emoção revelada. Assim o desejava o seu corpo, o jeito submisso com que os ombros alinhavam em tensão, o peito ansioso, as mãos trémulas da dúvida quase revelada... E sabendo que quando o olhar se elevasse pelo espaço o iria ver, de súbito o fez, como se fosse um relâmpago a iluminar certeiro o local que esperava o impacto.
É difícil afirmar qual terá visto o outro primeiro, tal se conduziram um ao outro como ímans, como se não existisse nisto lugares cimeiros e secundários, uma atenção e distracção, foi o agora, nesse agora  suspenso da temporalidade. Era como se nesse olhar ele lhe entrasse profundamente, era um mergulho nu dentro dela, dizendo "estou aqui" e ela recebi-o tão nua quanto vulnerável.
Olharam-se e abraçando-se num rasgo do que era possível, ela que tanto falava, calou-se para não falar de menos.
Saíram para a rua, pois sabiam que a maior testemunha de tudo o que aconteceu sempre foi o céu, na sua cadência de sóis e luares que iluminaram todas as passagens onde forçosa e espontaneamente tiveram que crescer. Ela segura-lhe a mão e intui o que o plano mental nunca poderá atrapalhar - a iminência do beijo tão convicta e desejada, que o passo seguinte era ele mesmo o acto reflexo. Ele circunda o olhar entre a boca e os seus olhos, como que analisando onde encontraria a chama mais acesa. Não teve dúvidas de onde seria.
Nisto, o despertador tocou estridente, anunciando a boa nova.
7:11, hora de levantar.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

- Vou tirar um tempo celibatário para decidir o que quero para a minha vida.
- Ai sim? Então? Psicologia, auto-ajuda, meditação, natureza, desporto?
- Na. Putas e vinho verde.
- Epa, parece-me que vêm aí grandes decisões então.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O novelo vai se desembaraçando a uma velocidade entusiasmante, muito escrevi sobre costuras, teares, bordados, mas de facto, a vida é algo que se vai desen-novelando de trás para a frente e não da frente para trás, embora os sentidos sejam sempre respeitantes ao avançar e nunca retroceder. A coisa é feita para ficar mais simples, descomplicada, e chegarmos a um estado tal de catarse que a única premissa é estar o mais cheios possiveis com o novelo já desenrolado.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Era uma vez um porquinho que era tão inseguro que andava sempre por perto dos outros porquinhos, não havia ele de tomar uma decisão e não se sentir capaz de escolher. Havia outro porquinho que, apesar de ser um pouco mais seguro não conseguia lavar a própria cauda, então tinha outro porco sempre por perto para ajudar a lavar a caudinha. Havia outro porquinho que era gerente de restaurante, mas não conseguia viver sem outro porco para lhe fazer o fecho de contas do mês. Todos queriam mudar de vida, um queria deixar de ser inseguro, o outro queria saber lavar o rabo e o outro aprender a fazer todas as continhas. Mas nenhum tinha coragem para atravessar o estreito caminho de ser algo mais do que já era. Final de história, os porquinhos continuaram a papar tudo o que sempre paparam, sem dramas, maleitas, mudanças e outros equívocos de maior. E assim reinou a paz na pocilga.

domingo, 12 de novembro de 2017

Um 31

Quem contempla um céu estrelado
o que quer que tem em mente?
Talvez a ideia que o fascínio ou caos
Lhe estejam longe inversamente...

Se a realidade da ordem constrita
Conspirava um futuro mais evoluído
é curiosa a forma como a vida presenteia lições,
Na dualidade da beleza e perigo.

Como os astrónomos pretendem desvendar
a ordem de um universo desconhecido
Eu vou fluindo sem pressas
No que quer que me esteja concedido.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017