terça-feira, 5 de dezembro de 2017

O que dizem as mudanças??
Dizem que és fracote se pensas como é bom ser gostado, apreciado, valorizado!!
Quem gosta disso é o filho da mãe do ego, que se regozija em estar no quentinho tipo berço!
Mas a vida não acontece só no quente, precisa que cries e te prepares para desconforto inevitável e opcional!!
Que o que está à volta não te pode dar força, tu  é que tens de ser a força motora disso mesmo.
Se o fores, qualquer que seja o cenário ou gente perto de ti te irá sempre ser favorável.
Porque és criador, não passivo.
Porque és natural e não alimentado.
E isso não é só uma benção das mudanças...
É a própria vida a manifestar-se. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Xutos e queimas

Existirá alguma arte como a música?? 
Com o poder de nos recolocar naquele exacto ponto, não sendo isso uma memória fidedigna em detalhes, mas a ligação com a emoção que existiu, a ideia que ficou de quem fomos nessa altura?

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

John Donne

Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mudança

Fazendo um som qualquer retrospectivo como quem desliza quatro dedos por um piano, atinge-me a ideia de que as mudanças são o que de mais catalítico existe!! Sendo a catálise para a química o aumento da velocidade de reacção por adição de uma substância, não será mesmo de admirar a rapidez com que uma qualquer engrenagem da vida, esteja lá nas profundezas de um calabouço ou na harmonia de uma harpa, começa a funcionar. Veloz ou na velocidade necessária e adequada - seja então rápida ou hiper-mega-lenta, ela dá-se e começa a dar-se, activa outras roldanas, que por sua vez actvarão outras e assim sucessivamente. As que possam estar ligadas a outros, a acontecimentos, a sobretudo activações químicas interiores de predisposição para viver com maior disponibilidade. É como se dois dedinhos lançassem com minúcia e respeito a peça de dominó que fica  erecta, medrosa e estática e esta fosse por ali e por ali a deitar as outras todas, sem que isso se traduzisse nalguma superioridade ou desgraças, mas no toque simbiótico da mudança. Como o eu mudo, atinjo outro que mudou ou já pensa em mudar e por aí sucessivamente. Como se fosse a evolução pessoal de um a contribuir para um todo e o todo a contribuir para um, produzindo a queda, racha, toque, dança.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Não me posso sentir mais agradecida a um ano que trouxe tanto para trabalhar, tanta ferrugem para limpar, pó para soprar, água para deixar fluir e fogo para queimar. E nisto, não sei se todas foram extintas no sentido do melhor potencial, mas sei que para lá caminho. Com paciência, com vontade, com sobretudo amizade por esse caminho que não conheço mas preciso de estar lá inteira. Só assim sou mais polida para a vida, faço escolhas com mais coerência e vivo com mais verdade. É duro, é tramado, mas no final compensará. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

E ali estava eu, a fazer frente a um lixo que tinha acumulado perto da cama, que ao invés de ser apenas um amontado de cotão, cabelos, entre outros, a mais tenebrosa magia afigurou-o num sapo bem nojento, embora não seja compassivo e delicado ofender um ser que não escolheu o seu aspecto e disposição. O incrível é que o vi formar-se perante mim, e pior, era eu a querer tratar-lhe da saúde pela perplexidade em habitar o mesmo m2 com aquele animal e ele a dar-me luta como se dissesse "não, cheguei, o espaço é meu, era o que mais faltava". Ainda por cima formadinho de todos os meus medos, nhenhices, receios e limitações, acrescentou a psicanálise subentendida. 
Nisto, havia uma maçã por perto que não surgiu dos gasganescos de adão, nem do chão rolante do Newton, e imbuída de um misto de estupidez e coragem, atirei-lha para cima, como se fosse os olímpicos ou a seleção natural em forma de bowling. E não é que lhe acertei? Verdade, sem querer, numa vertigem oblíqua da pobre maçã que não estava destinada a ser um homicida involuntário, acerto naquela coisa, coiseca, coisona que me estava a amedontrar. Com medo, aproximo-me e vejo-o estendido, patas e cabeça na horizontal, um aspecto tolhido, enquanto me sinto uma envergonhada vencedora. Quando desvio o olhar, talvez para começar um funeral com a dignidade que não lhe havia oferecido antes, vejo que já não se encontra no lugar onde o havia fotografado mentalmente. Estava a mover-se e arrastar-se, como quem pede clemência à vida e sabe que esta lhe saciará as maleitas. Narcisicamente, retiro de um chinelo qualquer que parecia saído da natação e esborracho-o. Sim, esborracho-o. Nada bonito igualmente. E senti que a vida começou a mudar, nalgum escaninho da memória ou da acção que se vai prontificar, porque, não encontrando o príncipe, esborrachei as hipóteses de alimentar o meu próprio sapo.