quarta-feira, 4 de julho de 2018

Li algures numa fonte espiritualista que a nossa relação primordial deveria ser connosco e depois com Deus, não sabendo bem se estes dois estavam diferenciados ou se co-existiam na mesma afirmação. Remetendo-me a mim, consigo perceber então o paralelo pelo qual as outras relações são estabelecidas. Quanto mais autoconhecimento detiver, mais estarei em posição de compreender os outros, de ter relações saudáveis. Ora a minha relação, como é marcada por fuga ou vergonha aliada a um enorme acreditar, beleza e credulidade pura no melhor do ser humano, tolda-me assim todas as outras relações. Não há um polo cruelmente certo ou errado, já que a minha história e consequentemente a história dos outros, precisou de ser envolvida e evoluida em todos estes patamares de fé. Talvez agora o segredo seja, simplesmente amor, aceitação, amar o real, estar disposta a ser humana e deus ao mesmo tempo, a todos os momentos e não subdividir-me ou estratificar-me, sabendo que isso é inteiro e existe interiormente. Pode ser assim que, da minha relação interior desintoxicar a caminha da claridade, não ofusque ou escureça também a dos outros. E que pleno e interessante que é assim viver.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Que olhar verde é esse?
Parece um abismo onde me disponho a mergulhar
contemplado num contexto tão improvável
como é querer uma vida sem se encantar..

E quando esse olhar surge na porta
exibindo um sol azul sem fronteiras
passeias-me deliciosa com tamanha imaginação
sem saber se por tua vontade também o queiras.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

segunda-feira, 18 de junho de 2018

No Vannila Sky, a decisão firme sobre o que protagonista tem de fazer vem de, após uma longa exposição do seu próprio sonho o vendedor do produto lhe perguntar, "o que é a felicidade para ti agora?".
Para mim a resposta encontrou-se através de não querer estar em limites ou entre-vidas de vidas.
Centrar numa - a minha - e fazer as escolhas coerentes e orientadas com isso.
E isso é realmente estar, ser feliz. Não é o estado de total risada ou fluidez alegre da vida. É o estado de ser mais total. E nisso, nem que os caminhos sejam de só de por cento em por cento, fio a fio, a luz não há-de chegar. Já me atingiu!

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Systema solar

Embarquei num veículo de origem não denominada e naqueles locais onde se entrega impostos ao preço de outros impostos, observo um tigre bem persiano, riscado e listado, exaltado com a vida dentro dele. Indaguei-me se seria fome ou instinto, uma vez que vociferava ao outro aquilo que nem ele estava pronto a entender, tal a impetuosidade do ataque. Que medo daquela criatura pensei eu, arrancando na gestão de três mil mudanças colocadas em timings diversos para a fuga ser protectoramente veloz. Não me era exacto quem seriam os acompanhantes de viagem, mas na vida muitas vezes não se atribui a merecida atenção a quem acompanha, como aos sentimentos que colocamos ao que é acompanhado... Daí que ao parar a viatura nas ruas da minha infância, as visões obscurecem-se como contos de irmãos grimm numa versão mais temerosa. E nessa contemplação da mudança anunciada que é a fabricação das memórias intocavéis, vou caminhando e encontro um cemitério, que embora organizado e dignamente limpo, é dark, preto, tão somente escuro, como as areias vulcânicas de distantes ilhas nórdicas. A regeneração mixada com impulsos de onde devo fugir, a não vontade de depositar flores nas campas do que foi, ou de tirar uma fotografia ao tigre para guardar. Usei todos esses arquétipos, misturei-os naquele balde onde faço a massa de um doce que alimente uma familia e proponho-me a crescer. E aí se afigurou o impulso regenerador.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Healthy boundaries

Curiosamente, não estou retida e consumida nas comparações de tempos. Óptimo sinal em como este está, precisamente, comigo no mesmo sentido.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Que cena miuda! Disse-me o homem de Ponte de Barca, chegado em barquinha. Eu que conduzo pelo rio, dizia-me ele, tenho uma perspectiva muito mais ampla que tu. Que posição tão baixa e tão dimuta estás a ver!! A vida é o que se faz quando a perspectiva está na sua melhor forma de apuramento.